PL confirma Carol De Toni ao Senado e testa força bolsonarista em SC
O Partido Liberal confirma, em fevereiro de 2026, a deputada federal Carol De Toni como pré-candidata ao Senado por Santa Catarina. A decisão, fechada em reunião em Brasília com a cúpula do PL, insere a eleição catarinense no centro da estratégia para eleger Flávio Bolsonaro à Presidência e fortalecer a oposição ao governo federal.
Chapa definida e alívio na ala bolsonarista
Carol De Toni chega à reunião em Brasília com um objetivo: encerrar semanas de negociação interna e saber se terá o peso oficial do PL em sua corrida ao Senado. Sai de lá, segundo relata, “muito aliviada” com a confirmação do partido. A pré-candidatura representa a aposta da sigla em uma voz alinhada ao bolsonarismo para ocupar uma das três cadeiras catarinenses na Casa a partir de 2027.
A deputada descreve a decisão como um desfecho aguardado. “Estou muito aliviada de finalmente ter finalizado essa situação toda e de poder, assim, ser pré-candidata para representar Santa Catarina aqui no Congresso Nacional”, afirma. Ela deixa claro o foco eleitoral do grupo: “Nosso principal objetivo é tirar a esquerda do poder e eleger nosso pré-candidato Flávio Bolsonaro como presidente da República”.
A reunião reúne a direção estadual e nacional do PL, sob a liderança do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e dirigentes próximos à família Bolsonaro. O acerto inclui uma composição que a cúpula classifica como “chapa pura” com Carlos Bolsonaro e o apoio do prefeito de Joinville, Adriano Silva, do partido Novo, como vice na chapa estadual. O desenho consolida um arco de alianças à direita e reforça a presença bolsonarista em um dos Estados onde o ex-presidente Jair Bolsonaro registrou alguns de seus melhores desempenhos eleitorais em 2018 e 2022.
Carol explora esse capital político ao falar em retribuição ao eleitorado. “A forma que eu tenho de retribuir esse carinho e essa confiança é trabalhando duro”, diz. Ela promete manter o tom de oposição ao Planalto que marca sua atuação na Câmara dos Deputados desde 2019. “Seremos oposição efetiva como fizemos hoje e vamos continuar fazendo diariamente”, afirma, ao projetar 2026 como um ano de campanha intensa.
Disputa por espaço no Senado e impacto nas alianças
A confirmação da pré-candidatura ocorre enquanto Santa Catarina se prepara para mais uma eleição em que, além do governo estadual e da Presidência, estará em disputa pelo menos uma cadeira do Estado no Senado. Hoje, o PP ocupa uma das vagas com Esperidião Amin, que sinaliza intenção de buscar novo mandato. A entrada oficial de Carol na corrida reorganiza o tabuleiro conservador catarinense e pressiona partidos do mesmo campo ideológico a escolher lado.
Jorginho Mello, governador desde 2023 e também filiado ao PL, usa o anúncio para mostrar unidade interna. “A Carol é a nossa candidata a senadora, o Carlos (Bolsonaro) é o candidato a senador”, afirma. Em seguida, descreve a composição majoritária: “Somos pré-candidatos ao governo, e eles compõem a nossa chapa. O vice é do Novo, o prefeito de Joinville, Adriano Silva. Portanto, a chapa está montada”. O discurso mira o eleitor conservador e liberal que, em 2022, ajudou a eleger Jorginho com mais de 70% dos votos válidos no segundo turno.
O governador, no entanto, evita fechar portas para outras siglas. Ao ser questionado sobre a posição do PP e de Esperidião Amin, prefere a diplomacia. “O senador Amin é o senador de Santa Catarina hoje. É um bom quadro, é um homem respeitado. Mas não sei qual é a posição dele”, diz. Em seguida, sublinha a autonomia das legendas: “Eles são autônomos, têm condições de estar nos apoiando ou apoiando quem decidirem”.
O movimento do PL ocorre em meio a negociações que envolvem a montagem de palanques regionais para Flávio Bolsonaro, que trabalha para se firmar como nome competitivo à Presidência em 2026. O partido tenta repetir, em escala estadual, a fórmula que consolidou a força bolsonarista em Santa Catarina nas duas últimas eleições gerais. A presença de figuras como Carlos Bolsonaro na chapa reforça esse vínculo simbólico com o núcleo duro do bolsonarismo.
A definição da pré-candidatura também sinaliza um recado a grupos que defendiam alternativas internas ou alianças mais amplas no campo de centro-direita. Ao optar por uma chapa claramente identificada com o bolsonarismo, o PL corre o risco de estreitar o espaço para acordos com partidos que, embora conservadores, buscam algum distanciamento da polarização nacional. Em troca, aposta na fidelidade de um eleitorado que, segundo pesquisas recentes, mantém índices de aprovação elevados à direita do espectro político no Estado.
Estratégia nacional e próximos passos em Santa Catarina
O anúncio em Brasília projeta efeitos que vão além das fronteiras catarinenses. Carol De Toni se apresenta como peça de uma engrenagem eleitoral voltada a fortalecer a bancada conservadora no Congresso e dar sustentação a um eventual governo Flávio Bolsonaro. Nas palavras da deputada, a prioridade é manter a pressão sobre o Planalto atual e transformar a campanha em um plebiscito sobre a permanência da esquerda no poder federal.
Na prática, a agenda da campanha deve girar em torno de temas que mobilizam a base bolsonarista desde 2019: críticas à ampliação de gastos públicos, defesa de pautas de costumes, segurança pública e redução do que o grupo chama de “ativismo judicial”. A confirmação da pré-candidatura, ainda em fevereiro de 2026, dá ao PL quase oito meses de janela até o primeiro turno para testar mensagens, ajustar a comunicação digital e consolidar palanques em cidades-chave como Joinville, Blumenau, Itajaí e Florianópolis.
Jorginho Mello sinaliza que o governo estadual deve continuar como vitrine de gestão e como ativo na campanha. “Nosso governo vai bem, graças a Deus. Somos pré-candidatos ao governo, e eles compõem a nossa chapa”, afirma, ao reforçar que o trabalho já está em curso. A inclusão de Adriano Silva, prefeito de Joinville e nome do Novo, como vice na chapa estadual serve para ampliar o discurso de eficiência administrativa e responsabilidade fiscal, bandeiras caras ao eleitorado urbano e empresarial catarinense.
Ainda faltam definições sobre quantos partidos estarão formalmente na coligação liderada pelo PL e como se posicionarão legendas do chamado centrão regional. As conversas com o PP de Esperidião Amin, com o próprio Novo e com siglas menores continuam nas próximas semanas, em busca de tempo de televisão, estrutura de campanha e palanques competitivos em todas as regiões do Estado.
Enquanto a engenharia política avança, Carol De Toni assume publicamente o papel de principal rosto da oposição conservadora catarinense ao governo federal no Senado. Sustentada pelo apoio do governador e pela associação direta à família Bolsonaro, a deputada entra na disputa com visibilidade nacional e expectativa alta. Resta saber se, até outubro, o PL conseguirá manter unida a base de direita em Santa Catarina ou se a fragmentação desse campo abrirá espaço para surpresas na corrida ao Senado.
