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Flamengo define escalação com Jorginho para decisão da Recopa

O Flamengo entra em campo nesta quinta-feira (26), às 21h30, no Maracanã, com Jorginho de volta ao time e ataque formado por Everton Cebolinha, Carrascal e Pedro para tentar reverter a derrota para o Lanús e conquistar a Recopa Sul-Americana de 2026.

Filipe Luís aposta em meio mais forte e ataque veloz

O técnico Filipe Luís confirma a espinha dorsal para o jogo de volta e tenta transformar a pressão no Maracanã em vantagem técnica. Depois de perder por 1 a 0 na Argentina, o Flamengo precisa vencer por ao menos dois gols de diferença para erguer a taça no tempo normal. Uma vitória simples leva a decisão para a prorrogação e, se o placar agregado seguir empatado, o título vai para os pênaltis.

Jorginho, ausente na partida de ida por lesão na coxa, volta a ser opção e muda o desenho do meio-campo. Recuperado e liberado pelo departamento médico, o volante treina sem restrições na quarta-feira (25) e é relacionado para a final. A presença do camisa 5 devolve ao time uma referência de proteção à zaga e de saída de bola curta, ponto criticado nas últimas atuações.

A provável formação rubro-negra tem Rossi; Varela, Vitão, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho e Lucas Paquetá ou Arrascaeta; Carrascal, Everton Cebolinha e Pedro. A base é a mesma que inicia o confronto na Argentina, mas com meio-campo mais povoado e um ataque pensado para pressionar a defesa argentina desde os primeiros minutos.

No setor ofensivo, Filipe Luís mantém a confiança em Everton Cebolinha e Carrascal abertos pelos lados, com Pedro como referência na área. Cebolinha vive fase de protagonismo na criação de jogadas, enquanto o colombiano oferece drible curto e agressividade na entrada da área. Nas conversas internas, a expectativa é que o trio consiga produzir o volume de finalizações que faltou no primeiro jogo.

Samuel Lino, Luiz Araújo e Plata ficam como alternativas no banco, opção valiosa para o segundo tempo se o Flamengo precisar aumentar ainda mais a velocidade. A comissão técnica entende que o jogo tende a se abrir depois dos 60 minutos, quando o Lanús deve sentir o desgaste físico e o ambiente de um Maracanã com mais de 60 mil pessoas.

Pressão no Maracanã e tabu em mata-matas

O contexto da partida amplia o peso de cada decisão de Filipe Luís. O Flamengo não consegue reverter uma derrota em jogo de ida de mata-mata internacional desde 2022, marca que incomoda dirigentes e comissão técnica. O clube volta a viver um cenário conhecido: precisa vencer em casa, sob pressão da própria torcida, para não transformar o início de temporada em crise.

A diretoria trabalha desde o início da semana para encher o estádio. A venda de ingressos acelera após a confirmação do retorno de Jorginho e da manutenção de Cebolinha e Carrascal como titulares. A expectativa interna é de casa cheia, com público próximo da capacidade total liberada para a final, o que coloca o Maracanã como personagem central da noite. A aposta é que o ambiente empurre o time a pressionar alto desde o primeiro apito.

Do outro lado, o Lanús chega ao Rio com a vantagem mínima, mas confortável no regulamento. O time argentino sabe que um gol fora de casa obriga o Flamengo a marcar três. O plano dos visitantes é reduzir o ritmo do jogo, esfriar a atmosfera e explorar os espaços deixados por um Flamengo obrigado a atacar. O histórico recente mostra que equipes argentinas se sentem à vontade nesse tipo de cenário no Maracanã.

A defesa rubro-negra, alvo de críticas nas últimas semanas, passa por ajustes. Léo Ortiz corre o risco de deixar o time depois de atuações irregulares, e Vitão ganha força nos treinos para formar dupla com Léo Pereira. A mudança busca dar mais agressividade na disputa de bola e reduzir falhas em bolas alçadas na área, ponto explorado pelos adversários em 2025 e no início de 2026.

No meio, a entrada de Jorginho ajuda não apenas na marcação, mas na organização do time sem a bola. O volante deve se posicionar à frente da dupla de zaga, liberando Pulgar para se aproximar da construção ao lado de Paquetá e Arrascaeta. A ideia é ter mais jogadores em condição de recuperar a bola ainda no campo ofensivo e evitar contra-ataques, arma preferida do Lanús.

Título em jogo e reflexos para a temporada

A Recopa não é o principal torneio do calendário, mas o impacto esportivo e simbólico de uma derrota em casa para um rival argentino é tratado como alto. A decisão influencia o ambiente do elenco às vésperas de fases decisivas de Copa do Brasil, Sul-Americana e Brasileirão. Um título no dia 26 de fevereiro muda a narrativa de um time que convive com desconfiança desde o início da temporada.

Uma vitória por dois gols de diferença coloca mais um troféu internacional na galeria e reforça o projeto liderado por Filipe Luís. O treinador ganha fôlego, consolida escolhas no ataque e pode usar a escalação da Recopa como base para os próximos compromissos. Jogadores como Cebolinha e Carrascal, hoje em alta, consolidam espaço na equipe e ganham moral para atravessar fases de oscilação ao longo do ano.

Um triunfo apertado, por apenas um gol de vantagem, leva a decisão para a prorrogação e prolonga a tensão no Maracanã. O cenário aumenta o desgaste físico logo no início da temporada e obriga o elenco a administrar melhor a carga de jogos, com partidas decisivas acumuladas a partir de março. O departamento de preparação física acompanha com atenção o tempo de jogo de jogadores que voltam de lesão, como Jorginho.

Empate ou nova derrota abrem uma crise imediata. A diretoria passa a lidar com questionamentos sobre a montagem do elenco e sobre o aproveitamento de reforços. A pressão da torcida se volta para o banco de reservas, e o clube entra em 2026 sem o título que poderia funcionar como marco de reconstrução após temporadas de altos e baixos em competições continentais.

O Flamengo chega à noite desta quinta-feira com roteiro bem definido: precisa transformar favoritismo em desempenho, administrar a ansiedade da arquibancada e encontrar em Jorginho, Cebolinha e Carrascal o equilíbrio entre proteção e agressividade. A resposta em campo indica se a Recopa será ponto de partida para uma temporada mais sólida ou mais um capítulo de frustração em jogos grandes no Maracanã.

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