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Grêmio aproveita expulsão, vence Atlético-MG e mira Gre-Nal 450

O Grêmio vence o Atlético-MG por 2 a 1 na noite desta quarta-feira (26), na Arena, pela 4ª rodada do Brasileirão. Com um jogador a mais desde os 16 minutos, o time de Luís Castro chega aos 6 pontos, sobe para a 8ª colocação e pisa mais confiante rumo ao Gre-Nal 450, que abre a decisão do Gauchão no domingo.

Expulsão muda o jogo e abre caminho para vitória tricolor

O roteiro da noite em Porto Alegre se define ainda no início. Aos 16 minutos do primeiro tempo, Natanael acerta falta dura em Marlon, o VAR chama Raphael Claus, e o lateral do Atlético-MG deixa o campo expulso. A partir daí, o cenário se inclina para o lado gremista.

Sem Arthur, lesionado, Luís Castro já começa a partida com mudanças importantes. Nardoni estreia no meio, Pavón aparece improvisado na lateral direita, Gabriel Mec atua mais adiantado e Enamorado abre o campo pela direita. A proposta é clara: empurrar o Galo para trás desde o apito inicial.

Com 11 contra 10, o Grêmio se instala no campo ofensivo, mas encontra dificuldade para transformar posse em chances reais. O Atlético-MG recua em duas linhas de quatro, deixa apenas Hulk à frente e bloqueia a área. O resultado é uma sucessão de cruzamentos sem sucesso, cortados pela defesa mineira, enquanto Everson controla o tempo e segura o empate até o intervalo.

O clima na Arena é de impaciência. A torcida, que reúne 15.714 pessoas, cobra mais velocidade e menos previsibilidade. Luís Castro insiste na proposta ofensiva e mantém o time adiantado, confiando que o desgaste físico do rival com um homem a menos vai pesar na segunda etapa.

Gols, reação mineira e resposta em um chute no ângulo

O segundo tempo começa com o mesmo desenho: Grêmio no ataque, Atlético-MG fechado. Aos 4 minutos, Pavón cobra falta forte, Everson se estica e evita o gol em bela defesa. No escanteio seguinte, a insistência encontra recompensa.

Marlon cobra curto, a bola volta para ele, o cruzamento vem de novo, e Noriega desvia de cabeça para o fundo da rede aos 5 minutos. O 1 a 0 parece destravar a equipe, mas a vantagem dura pouco. Seis minutos depois, Everson lança longo, Viery erra o corte, e Victor Hugo aproveita a falha para tocar na saída de Weverton e empatar: 1 a 1.

O gol mineiro expõe um dos dilemas do Grêmio neste início de Brasileirão: a dificuldade de controlar o jogo mesmo quando é superior numericamente. A equipe se desorganiza por alguns minutos, encara o nervosismo da arquibancada e precisa reconstruir a paciência com a bola.

Nesse contexto, Marlon assume o protagonismo ofensivo. Aos 20 minutos, o lateral recebe na entrada da área, ajeita para a perna esquerda e solta um chute forte no ângulo esquerdo de Everson. A bola entra limpa, sem chance para o goleiro, e recoloca o Grêmio na frente com um golaço: 2 a 1.

Com a nova vantagem, o time de Luís Castro recua alguns metros e passa a administrar o resultado. Dudu, que entra no lugar de Cuello, leva perigo pelo lado direito do ataque atleticano, obriga Weverton a boa defesa e mantém o jogo vivo até os acréscimos. Cassierra ainda tem a última chance, já nos minutos finais, mas não consegue finalizar com precisão. O apito de Raphael Claus encerra um duelo em que o Grêmio não encanta, porém reage nos momentos decisivos e confirma o segundo triunfo no campeonato.

Impacto na tabela, confiança para o Gre-Nal e pressão no Galo

O resultado tem peso que vai além dos 3 pontos. Com 2 vitórias em 4 rodadas e 6 pontos somados, o Grêmio deixa a parte de baixo da tabela e entra na zona de meio de classificação, hoje suficiente para reduzir a pressão no ambiente interno antes de um clássico decisivo. A 8ª colocação ainda é incômoda para quem mira a parte de cima, mas representa avanço claro em comparação ao início irregular.

A atuação reforça a aposta de Luís Castro em um Grêmio mais agressivo na Arena, com laterais adiantados e meio-campo leve. Pavón, escalado na lateral direita, participa de lances-chave em bola parada. Noriega aparece como elemento-surpresa na área para abrir o placar. Marlon, lateral de origem, decide o jogo com um chute de meia distância que sintetiza essa ideia de protagonismo ofensivo dos jogadores de lado.

O Atlético-MG sai de Porto Alegre com a sensação de ter resistido o quanto pôde após a expulsão precoce. A estratégia de Lucas Gonçalves, de fechar a casa com duas linhas compactas e explorar lançamentos longos, quase funciona. O gol de Victor Hugo nasce justamente de um passe longo de Everson, seguido da falha gremista na defesa.

A derrota, porém, expõe dois pontos de atenção para o Galo. O primeiro é disciplinar: atuar com um jogador a menos durante mais de 70 minutos em um Brasileirão equilibrado cobra um preço alto. O segundo é de profundidade de elenco, já que a equipe precisa reorganizar o sistema defensivo após perder um lateral ainda no início e gastar substituições na tentativa de reorganizar o time.

Na prática, o revés atrasa a corrida atleticana por posições de topo e aumenta a necessidade de reação imediata nas próximas rodadas. Em um campeonato de 38 jogos, pontos desperdiçados cedo, principalmente com vantagem numérica para o rival, tendem a pesar na reta final.

Gre-Nal 450 no horizonte e ajustes para a sequência do Brasileiro

A vitória desta quarta-feira muda o clima do Grêmio para os próximos dias. O clube inicia a venda de ingressos para o Gre-Nal 450 embalado por uma atuação que, embora irregular, mostra poder de decisão em casa. O clássico, marcado para domingo, às 18h, abre a final do Campeonato Gaúcho e passa a ser tratado como teste emocional e tático para o restante da temporada.

Luís Castro ganha tempo e algum respaldo para calibrar a proposta ofensiva. A ausência de Arthur, ainda fora por lesão, obriga o treinador a insistir em alternativas como Nardoni e a ajustar o equilíbrio entre posse de bola e proteção defensiva. A falha no gol de empate do Atlético-MG funciona como alerta antes de encarar um rival que costuma punir erros em transição.

No campo político e financeiro, o clube também vive dias de movimentação intensa. A proximidade de uma possível troca da Libra pela FFU, o acordo para rescisão com Cuéllar e a expectativa de casa cheia no Gre-Nal se cruzam com o momento esportivo. A combinação de alívio na tabela e arquibancada mais confiante cria um ambiente fértil para decisões estruturais.

Do outro lado, o Atlético-MG volta para casa com a tarefa de revisar escolhas e elevar o nível de concentração. A expulsão de Natanael, aos 16 minutos, não é episódio isolado em um calendário apertado e competitivo. Em um torneio longo como o Brasileirão, a capacidade de atuar com segurança, disciplina e leitura de jogo em cenário adverso pode separar quem briga por título de quem apenas cumpre tabela.

O campeonato ainda está no início, mas o duelo na Arena deixa uma pergunta em aberto: o Grêmio transforma essa vitória em ponto de virada consistente ou apenas em respiro antes de uma sequência mais dura? A resposta começa a ser construída no Gre-Nal 450, diante de um rival histórico e de um estádio que espera, mais do que nunca, um time capaz de sustentar o protagonismo que ensaia nesta quarta-feira.

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