Santos e Vasco se enfrentam pressionados por reação na Vila
Santos e Vasco entram em campo nesta quinta-feira (26), às 19h30, na Vila Belmiro, sob forte pressão por reação na 4ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com apenas um ponto cada e técnicos em situação delicada, o duelo ganha clima de decisão precoce na temporada.
Clima de corda esticada na Vila Belmiro
O jogo reúne dois clubes tradicionais que começam 2026 em marcha lenta. O Santos chega ao confronto ainda abatido pela queda no Paulista, no último domingo, quando leva a virada do Grêmio Novorizontino no último lance e deixa o Estadual nas quartas de final, com apenas três vitórias em oito partidas. A eliminação aumenta a pressão sobre o técnico Juan Pablo Vojvoda, que soma nove vitórias em 30 jogos e vê sua permanência ser discutida dia após dia nos corredores da Vila.
O argentino mantém o apoio de boa parte do elenco, mas sabe que o resultado desta noite pesa diretamente em seu futuro imediato. Uma vitória, sobretudo diante de um rival de camisa pesada, pode lhe dar fôlego num ambiente tomado por dúvidas. Um tropeço em casa, diante de um time também fragilizado, tende a reforçar o discurso por mudança, dentro e fora do clube.
A presença de Neymar em campo funciona como escudo e termômetro. O camisa 10 faz apenas sua terceira partida consecutiva em 2026 depois de perder dez jogos por causa da quarta lesão desde o retorno ao Santos. A diretoria enxerga no ídolo a chance de reaproximar o torcedor e mudar o humor em um momento em que o clube volta a lidar com problemas na Fifa e limitações no mercado.
Na semana passada, o Santos recebe nova notificação de transfer ban por não pagar o Arouca, de Portugal, na compra do zagueiro João Basso, hoje fora dos planos. Sem poder registrar reforços, a diretoria admite negociar o defensor e também o volante Tomás Rincón para aliviar a folha. O cenário deixa a comissão técnica com pouco espaço para ajustes profundos no elenco justamente quando o calendário aperta.
Diante do Vasco, Vojvoda aposta em uma formação agressiva. Gabriel Brazão assume o gol, com Igor Vinicius, Adonis Frías, Luan Peres e Vinicius Lira na linha defensiva. Willian Arão, Gabriel Menino e Gabriel Bontempo organizam o meio, enquanto Neymar, Gabigol e Rony formam um trio ofensivo pensado para ocupar o campo de ataque desde o início e reduzir o risco de vaias precoces.
Vasco testa comando interino e novas peças
O Vasco desembarca em Santos com seus próprios fantasmas. A derrota por 1 a 0 para o Fluminense, no primeiro jogo da semifinal do Carioca, encerra a passagem de Fernando Diniz e empurra o time para uma transição apressada. O interino Bruno Lazaroni assume o comando com pouco tempo de treino e a missão de reorganizar um elenco que ainda procura identidade em 2026.
O novo técnico prepara mudanças pontuais e tenta equilibrar o discurso. A ordem interna é evitar ruptura brusca, mas sinalizar postura mais segura fora de casa. A principal novidade é a presença do lateral-esquerdo Cuiabano entre os relacionados, após empréstimo do Nottingham Forest. O jogador passa as últimas semanas focado na parte física e surge como alternativa para uma defesa que oscila desde o início do ano.
O setor ainda sofre com desfalques. O zagueiro colombiano Carlos Cuesta segue fora por conta de problema no joelho, embora já tenha participado de atividades com o grupo nesta semana. A expectativa é de que ele volte apenas no dia 1º de março, no segundo jogo da semifinal contra o Fluminense, no Maracanã. Contra o Santos, Lazaroni deve montar a defesa com Léo Jardim no gol, Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Lucas Piton, com chance de entrada de Puma Rodríguez ou do próprio Cuiabano ao longo do jogo.
No meio-campo, Thiago Mendes volta a ficar à disposição depois de se recuperar de dores no joelho. O volante pode formar a base com Barros e Rojas, dando sustentação ao trio ofensivo com Nuno Moreira, Andrés Gómez e Spinelli. A leitura na comissão é clara: o time precisa competir melhor sem a bola para não repetir o roteiro recente de sofrer no início das partidas e correr atrás do resultado.
O duelo também carrega peso histórico. Santos e Vasco constroem, ao longo de décadas, confrontos marcantes em diferentes gerações, de Pelé a Romário, de Robinho a Edmundo. A reunião de Neymar e Gabigol de um lado e de uma equipe em reconstrução do outro reativa memórias e amplia o interesse nacional em um jogo válido apenas pela 4ª rodada, mas carregado de simbolismo.
Jogo vale mais que três pontos no início do Brasileiro
O começo irregular no Brasileirão explica o tom dramático. Santos e Vasco acumulam só um ponto em três rodadas e ocupam a parte baixa da tabela. Um novo tropeço mantém qualquer um dos dois na zona de risco já em fevereiro, com impacto direto no humor das torcidas e no planejamento esportivo da temporada. O clube que vencer ganha não só três pontos, mas um argumento forte para conter ruídos internos.
Para o Santos, um resultado positivo protege Vojvoda e dá sustentação ao projeto em meio ao transfer ban e às dificuldades financeiras. A diretoria sabe que uma troca de comando agora implica custos adicionais num orçamento apertado, além de mais instabilidade para um elenco que ainda se ajusta à presença constante de Neymar. Um triunfo com boa atuação permite reduzir a temperatura e negociar saídas e renovações com mais calma.
No Vasco, o impacto passa pela transição no banco. Se Lazaroni consegue organizar o time e pontuar fora de casa, ganha força para permanecer por mais tempo, ainda que oficialmente como interino. Uma boa atuação também melhora o ambiente para futuras contratações, especialmente em posições carentes como a lateral e o ataque. A diretoria monitora o mercado, mas evita movimentos precipitadas antes de entender a reação do grupo sob o novo comando.
A arbitragem de Rafael Rodrigo Klein, com os assistentes Rafael da Silva Alves e Maira Mastella Moreira, além do VAR comandado por Rodrigo D Alonso Ferreira, entra no radar em um confronto de alto peso emocional. Qualquer lance duvidoso tende a ser dissecado nas redes sociais e nos programas esportivos, num cenário em que as comissões técnicas sabem que detalhes podem definir a narrativa da noite.
O jogo tem transmissão para todo o país por Sportv e Premiere, o que amplia a vitrine para personagens em momentos diferentes da carreira. Neymar busca sequência sem lesão e tenta assumir protagonismo técnico, enquanto nomes como Cuiabano e Thiago Mendes enxergam a partida como chance de retomar espaço no futebol brasileiro. Em algum grau, todos jogam mais do que uma simples rodada de início de campeonato.
Pressão imediata e perguntas em aberto
A noite na Vila Belmiro ajuda a desenhar o roteiro das próximas semanas para os dois clubes. Uma vitória santista tende a segurar Vojvoda e dar confiança a um elenco que ainda procura constância. Um revés, especialmente se acompanhado de atuação fraca, reabre a discussão sobre troca no comando antes mesmo da metade do primeiro turno.
No Vasco, o desempenho sob Bruno Lazaroni serve de termômetro para a diretoria. Caso o time mostre evolução coletiva, mesmo sem resultado ideal, o interino ganha tempo para ajustar o modelo e influenciar na montagem do elenco para o restante do ano. Se a atuação repetir os erros recentes, a busca por um novo treinador ganha urgência e o planejamento precisa ser refeito com a temporada em andamento.
Os próximos capítulos também dependem da resposta das torcidas. A maneira como os jogadores reagem aos protestos, apoios e cobranças após o apito final pode acelerar decisões ou oferecer algum tipo de trégua. A 4ª rodada do Brasileirão não define o destino de Santos e Vasco, mas deixa uma pergunta que acompanha os dois clubes desde janeiro: quem consegue, de fato, virar a chave antes que o campeonato cobre um preço mais alto?
