Gol e dança de Vinicius Júnior classificam Real nas oitavas
Vinicius Júnior marca aos 35 minutos do segundo tempo, repete uma comemoração polêmica e garante a classificação do Real Madrid sobre o Benfica, nesta quarta-feira (25), no Santiago Bernabéu, pela Champions League. O gol encerra o suspense dos playoffs das oitavas e reacende o debate sobre racismo e liberdade de expressão nas comemorações do brasileiro.
Dança na bandeirinha volta ao centro do jogo
O relógio marca 35 minutos do segundo tempo quando Valverde ergue a cabeça no meio-campo e encontra Vinicius Júnior aberto na esquerda. O uruguaio lança em profundidade, Vinicius acelera, ganha de Otamendi na corrida e invade a área. Com tranquilidade, finaliza no canto esquerdo de Trubin e fecha o placar, consolidando a vitória merengue e a vaga nas oitavas da Champions League.
O estádio explode em gritos, mas o foco rapidamente muda para a comemoração. Vinicius corre até a bandeirinha de escanteio e começa a dançar, repetindo o gesto que já havia provocado reação exaltada no jogo de ida, em Lisboa. A cena é quase um espelho da partida no Estádio da Luz: gol decisivo, dancinha na bandeira e clima de tensão entre jogadores e torcidas.
O ato ganha peso extra pela ausência de Gianluca Prestianni. O argentino do Benfica está suspenso pela Uefa após as acusações de racismo decorrentes justamente da confusão iniciada na comemoração de Vinicius no primeiro confronto. Naquela noite em Lisboa, a dança do brasileiro gerou protestos, discussão acalorada em campo e o início de uma investigação disciplinar.
No Bernabéu, o roteiro esportivo é mais controlado, mas o simbolismo é evidente. Ao repetir a dança, Vinicius assume o gesto como marca pessoal e recado público. Em campo, o gol vale a classificação. Fora dele, reforça um debate que atravessa o futebol europeu há pelo menos cinco temporadas: até onde vai a liberdade do jogador para se expressar e onde começa a intolerância, muitas vezes racial, disfarçada de crítica ao “excesso” nas comemorações.
Classificação garantida e tensão entre clubes
O confronto com o Benfica vale vaga nos mata-matas da Champions e carrega peso esportivo e simbólico para o Real Madrid. A equipe chega a mais uma fase de oitavas de final em 2025/26, mantém o calendário europeu cheio até, pelo menos, março e protege receitas milionárias de premiação e direitos de transmissão. No campo, o gol de Vinicius fecha o duelo de playoffs e reafirma o brasileiro como jogador decisivo em noites grandes do Bernabéu.
O Benfica tenta resistir com uma defesa experiente, ancorada em Otamendi, mas sofre com a velocidade do ataque merengue. Vinicius explora o espaço às costas da zaga portuguesa durante toda a partida. Quando o jogo caminha para um fim tenso, com a classificação ainda em risco, a jogada de Valverde encontra o brasileiro em sua zona de conforto: campo aberto, duelo físico e confiança em alta.
A ausência de Prestianni não é apenas técnica. O caso de racismo que leva à sua suspensão expõe a pressão sobre o clube português e a própria Uefa. A entidade anuncia punição ao jogador argentino e tenta sinalizar tolerância zero em casos de discriminação, mas enfrenta críticas pela demora em investigações semelhantes no passado, muitas delas envolvendo Vinicius em partidas da liga espanhola.
Dirigentes dos dois lados evitam declarações públicas mais duras no pós-jogo, mas a relação entre as diretivas sai abalada. O Benfica encara o episódio como mancha em uma campanha que busca recolocar o clube entre os oito melhores da Europa, enquanto o Real Madrid se posiciona novamente ao lado de seu camisa 7, hoje um dos principais símbolos da luta antirracista no futebol.
Racismo, imagem dos clubes e próximos capítulos
A repetição da dança de Vinicius repercute em tempo real nas redes sociais. Torcedores de diferentes países se dividem entre elogios à coragem do brasileiro e críticas ao que chamam de “provocação desnecessária”. A discussão rapidamente ultrapassa o placar da noite em Madri e volta a girar em torno de racismo, comportamento em campo e limites da provocação no esporte de alto nível.
A imagem do Benfica sofre novo abalo, mesmo com a suspensão de Prestianni. A acusação de racismo cola no clube e reacende cobranças por ações internas de educação e prevenção. Para o Real Madrid, o episódio reforça o discurso de proteção ao seu jogador, mas também pressiona a diretoria a manter uma postura firme em futuras denúncias, dentro e fora da Espanha.
Vinicius sai de campo como protagonista esportivo e político. O gol aos 35 do segundo tempo garante o Real nas oitavas e empurra o clube para mais uma etapa de confronto direto, com sorteio previsto para as próximas semanas na sede da Uefa, em Nyon. Ao mesmo tempo, a dança na bandeirinha transforma um lance técnico em símbolo de resistência, com potencial para influenciar novas decisões disciplinares e campanhas de combate ao racismo.
Os próximos capítulos se desenham em duas frentes. Nos gramados, o Real Madrid volta o foco para os confrontos domésticos na Espanha enquanto aguarda o próximo adversário da Champions. Nos bastidores, a Uefa acompanha a repercussão do caso e enfrenta o desafio de provar, com decisões consistentes e rápidas, que o discurso de tolerância zero ao racismo não se limita a comunicados oficiais.
