Botafogo e Bahia jogam em casa para seguir vivos na Libertadores
Botafogo e Bahia entram em campo nesta quarta-feira (25) precisando vencer para continuar na pré-Libertadores de 2026. Os dois times perderam por 1 a 0 na ida e agora jogam em casa para tentar reverter a desvantagem e manter o sonho continental.
Bahia abre a noite sob pressão máxima na Fonte Nova
O primeiro capítulo da noite decisiva começa na Arena Fonte Nova, às 19h (de Brasília). Diante do O’Higgins, do Chile, o Bahia de Rogério Ceni sabe exatamente o tamanho da conta: precisa de vitória por dois ou mais gols para avançar direto, sem recorrer aos pênaltis. Um triunfo simples, por um gol de diferença, leva a vaga para a marca da cal.
O 1 a 0 sofrido no jogo de ida no Chile encurta a margem de erro e transforma a partida em Salvador em espécie de prova de maturidade. O Bahia volta a disputar a fase preliminar da Libertadores em um momento de reconstrução do elenco, com investimento alto em 2025 e 2026 e pressão proporcional por resultados. Em casa, com mais de 40 mil ingressos colocados à venda e expectativa de casa cheia, o time tenta transformar a Fonte Nova em trunfo esportivo e emocional.
A equação é simples no papel, mas complexa na prática. Qualquer empate ou nova derrota encerra a campanha internacional ainda em fevereiro e empurra o foco para o calendário doméstico. Se avançar, o Bahia encara o vencedor de Deportivo Táchira e Tolima, que se enfrentam nesta quinta-feira (26), às 21h30. A sequência monta um degrau a mais rumo à fase de grupos, onde os clubes passam a receber cotas maiores e ganham calendário internacional até, no mínimo, maio.
Botafogo revive clima de decisão dois anos após o título
Campeão da Libertadores em 2024, o Botafogo chega à mesma quarta-feira espremido entre a memória recente da glória continental e o risco de uma eliminação precoce. Às 21h30 (de Brasília), o time encara o Nacional Potosí, da Bolívia, depois de perder por 1 a 0 no jogo de ida. O cenário é idêntico ao do Bahia: vitória por dois ou mais gols garante vaga ainda no tempo normal; triunfo por um gol leva tudo para os pênaltis.
O título conquistado há dois anos aumenta o contraste com a fase preliminar. Um clube que conhece o caminho até a taça hoje precisa remar desde a segunda etapa qualificatória para não sair antes mesmo da fase de grupos. A torcida alvinegra, acostumada às grandes noites de 2023 e 2024, volta ao estádio à espera de um time mais próximo do padrão recente do que do desempenho irregular da ida na altitude.
O duelo também pesa na gestão esportiva e financeira do Botafogo. A presença na fase de grupos em 2026 significaria novas receitas com premiação, bilheteria internacional e exposição de marca em ao menos seis jogos, três deles no Rio. A queda agora, por outro lado, tende a reabrir o debate interno sobre planejamento, reposição de elenco e uso das receitas obtidas com a campanha campeã de 2024.
Impacto esportivo, financeiro e emocional em jogo
Uma vaga na fase seguinte da pré-Libertadores não resolve a temporada de ninguém, mas reorganiza o horizonte competitivo. Para Bahia e Botafogo, avançar significa manter vivo o objetivo central de 2026: voltar ou se firmar entre os protagonistas do continente. A classificação projeta pelo menos mais dois jogos internacionais em março, aumenta a visibilidade do elenco e ajuda a atrair patrocinadores e reforços ao longo do ano.
A eliminação tem custo imediato. Os clubes deixam de disputar um dos torneios mais rentáveis da América do Sul e precisam recalibrar o planejamento. Sem Libertadores, a prioridade passa a ser estadual e Brasileirão, com impacto direto no moral do elenco e no discurso da diretoria. Investimentos feitos ainda na virada de 2025 para 2026, calculados com a perspectiva de calendário continental, podem ter de ser reavaliados, seja em novas contratações, seja em venda de jogadores para equilibrar despesas.
A torcida também entra na equação. Em Salvador e no Rio, a pré-Libertadores vira termômetro de confiança no trabalho de campo e nos projetos de médio prazo. Um avanço reforça a narrativa de evolução esportiva; uma queda ainda em fevereiro alimenta cobranças, vaias e pressão sobre comissão técnica e dirigentes. Em ano de calendário cheio, a forma como cada clube lida com o resultado desta quarta define, em boa medida, o ambiente para os meses seguintes.
Calendário apertado e próximos capítulos da temporada
A quarta-feira de decisão abre uma sequência sem respiro para Bahia e Botafogo. No sábado (28), o Tricolor de Aço volta à Fonte Nova para enfrentar o Juazeirense, às 17h, pela semifinal do Campeonato Baiano. Mais tarde, às 19h30, o Botafogo encara o Boavista pelas semifinais da Taça Rio, em mais um jogo que pode mexer com confiança e rodagem de elenco.
O acúmulo de partidas em poucos dias desafia a preparação física e a gestão de elenco. Caso avancem na pré-Libertadores, Bahia e Botafogo precisarão conciliar viagens internacionais, mata-mata regional e início de Brasileirão sem espaço para lesões ou queda brusca de desempenho. Se forem eliminados, ganham semanas livres para treinos, mas carregam a frustração de uma temporada continental abreviada cedo demais.
As respostas virão ainda nesta semana, com o sorteio prático do destino em 90 minutos, ou 120 mais pênaltis, para quem precisar. Resta saber se a noite de 25 de fevereiro de 2026 ficará marcada como ponto de virada ou como início de um ano mais curto do que o torcedor imaginava.
