Ciclone-bomba gera tempestade histórica e paralisa regiões dos EUA
Um ciclone-bomba provoca, desde domingo (22), uma tempestade histórica em várias regiões dos Estados Unidos. A rápida intensificação do sistema despeja neve em grande volume e traz ventos com força de furacão, interrompendo serviços básicos, paralisando cidades e obrigando autoridades a adotar medidas emergenciais.
Neve extrema, ventos de furacão e cidades em alerta máximo
A tempestade ganha força em poucas horas, em um processo que meteorologistas chamam de “bomba ciclônica”, quando a pressão atmosférica despenca de forma abrupta. O resultado é uma combinação rara de nevasca intensa, rajadas que passam facilmente dos 120 km/h e sensação térmica abaixo de -20 ºC em alguns pontos do país. Rodovias interestaduais são fechadas, voos são cancelados em série e milhões de pessoas veem a rotina virar de cabeça para baixo.
Em áreas acostumadas à neve, como o Meio-Oeste e o Nordeste, o que chama a atenção não é apenas a quantidade acumulada, mas a velocidade com que ela cai. Em cidades que somam mais de 30 cm de neve em menos de 24 horas, tratores trabalham sem pausa para manter faixas mínimas de circulação. O transporte público opera em regime reduzido, e escolas suspendem aulas presenciais por tempo indeterminado. Prefeitos pedem que moradores fiquem em casa e usem as vias apenas em casos de emergência.
Impacto em energia, transporte e segurança da população
A rede elétrica sofre com a combinação de neve pesada e vento extremo. Galhos rompem cabos, postes tombam, e transformadores entram em pane sob esforço máximo. Centenas de milhares de consumidores ficam sem luz por horas, em alguns casos por mais de 24 horas, justamente no momento em que a população mais precisa de aquecimento. Abrigos temporários abrem em ginásios, igrejas e escolas, com capacidade para milhares de pessoas vulneráveis, idosos e famílias com crianças pequenas.
Em centros urbanos, equipes de emergência relatam aumento expressivo de chamados por hipotermia, acidentes de trânsito e quedas em calçadas cobertas de gelo. Hospitais ativam planos de contingência, adiam procedimentos eletivos e priorizam atendimentos de urgência. Governos estaduais declaram estado de emergência e mobilizam a Guarda Nacional para apoiar resgates, liberar vias estratégicas e levar geradores, cobertores e alimentos a comunidades isoladas pela neve.
Mudanças climáticas, alerta antecipado e próximos passos
A força do ciclone-bomba acende novo sinal de alerta sobre a capacidade do país de lidar com eventos climáticos extremos. Especialistas em clima lembram que episódios de rápida intensificação de tempestades de inverno aparecem com mais frequência nas últimas décadas. A combinação de oceanos mais quentes, ar mais úmido e contrastes de temperatura mais fortes cria o cenário ideal para fenômenos como o que se vê agora. Pesquisadores destacam que, mesmo em países com infraestrutura robusta, os custos econômicos e sociais tendem a subir se não houver planejamento de longo prazo.
O episódio de fevereiro de 2026 reforça a pressão por investimentos em monitoramento meteorológico de alta resolução, sistemas de alerta antecipado mais precisos e protocolos claros para evacuações e fechamento preventivo de serviços. Governos locais discutem metas para enterrar fiações, adaptar habitações populares ao frio extremo e reforçar fundos de emergência diante de prejuízos que podem passar facilmente da casa dos bilhões de dólares. Enquanto equipes ainda removem neve, restabelecem a energia e contabilizam danos, a pergunta que se impõe é se o país vai tratar essa tempestade histórica como exceção ou como um prenúncio do novo normal climático.
