Zubeldía explica escolha por Ganso após lesão de Acosta no Fla-Flu
Luís Zubeldía defende a decisão de lançar Paulo Henrique Ganso logo após a lesão de Lucho Acosta, ainda nos primeiros minutos da derrota por 2 a 1 para o Flamengo, neste domingo (12), no Maracanã. O técnico do Fluminense assume a responsabilidade pelo desempenho ruim na etapa inicial e tenta esfriar a cobrança sobre o meia e o restante do elenco.
Decisão em minutos e Fla-Flu sob pressão
O clássico começa com o roteiro desfeito em menos de dez minutos. Principal articulador da equipe, Acosta sente uma lesão logo no início e deixa o gramado ainda no primeiro tempo. Zubeldía precisa reagir em questão de segundos e chama Ganso, que entra para ocupar a mesma faixa do campo e manter a ideia de um time com controle de bola.
O plano, porém, não se traduz em desempenho. O Fluminense sofre com a marcação alta do Flamengo, perde divididas e erra passes em sequência. A equipe vai para o intervalo atrás no placar e com atuação considerada muito abaixo do esperado pelos 65 mil torcedores presentes no Maracanã, parte deles tricolores. A escolha por Ganso, e não por Savarino, passa a ser alvo imediato de críticas nas arquibancadas e nas redes sociais.
Zubeldía assume a conta e evita expor Ganso
Na entrevista coletiva após o clássico, já na madrugada desta segunda-feira, o treinador se antecipa ao julgamento público. Questionado se erra ao optar por Ganso, Zubeldía insiste que o problema não está em um único nome. “São decisões que, às vezes, são inesperadas porque, claro, os planos são um e depois muda com cinco ou seis minutos”, afirma.
O argentino reforça que a troca acontece em um contexto de urgência, sem tempo para grandes cálculos. “Tive que tomar a decisão rápida ali na hora. Não gosto de assinalar um nome ou outro, de quem entrou ou não, porque me parece injusto. O futebol tem isso. Um tempo que não jogamos bem e, claro, a responsabilidade é minha, mais do que dos atletas, principalmente pelo primeiro tempo”, diz o técnico.
A fala mira dois públicos ao mesmo tempo. De um lado, tenta conter o desgaste com Ganso, que já convive com questionamentos sobre intensidade física e espaço no elenco em 2026, cinco anos após o título brasileiro de 2021. De outro, envia um recado ao torcedor de que há comando no vestiário e que as decisões não se resumem à pressão externa de comentaristas e redes sociais.
Savarino muda o jogo e alimenta o debate tático
O segundo tempo adiciona combustível à discussão. Zubeldía volta do intervalo com mudanças na postura, mas só na metade da etapa final lança Jefferson Savarino, poupado no início para que Serna começasse entre os titulares. O venezuelano entra agressivo, abre o campo e dá profundidade ao ataque. Em pouco tempo, marca o gol tricolor e recoloca o Fluminense no jogo.
A melhora com Savarino reforça a percepção de que sua presença desde o início, ou mesmo na vaga imediata de Acosta, poderia ter alterado o roteiro do Fla-Flu. A leitura se espalha entre comentaristas nas transmissões de TV, em programas de pós-jogo e nas redes, onde cortes da entrevista de Zubeldía começam a circular ainda na noite de domingo. O técnico, porém, insiste que o recorte de 45 minutos não conta a história inteira de uma escolha tomada sob pressão.
Em um calendário comprimido por Libertadores, Copa do Brasil e início de Campeonato Brasileiro, o Fluminense soma desgaste físico e emocional. A gestão de minutos em campo pesa na escalação. Zubeldía tenta equilibrar preservação de jogadores, adaptação de reforços e necessidade de resultado em clássico decisivo. A opção por começar com Savarino no banco nasce também dessa equação, mais ampla que os 90 minutos no Maracanã.
Vestiário blindado e relação com a torcida em jogo
A postura pública do treinador vai além da análise tática. Ao assumir a responsabilidade pelo primeiro tempo, Zubeldía envia um sinal ao elenco às vésperas de uma sequência de jogos decisivos na temporada. A avaliação é clara: proteger jogadores mais criticados agora pode evitar fissuras internas em momentos de maior pressão, como mata-matas de Libertadores ou duelos diretos no Brasileiro.
Torcedores organizados e influenciadores ligados ao clube já começam a dividir posições. Parte cobra titularidade imediata de Savarino, que se firma como peça decisiva no ataque. Outro grupo pede paciência com o trabalho de Zubeldía, contratado para substituir Fernando Diniz e ainda em processo de adaptação ao elenco. O debate se espalha por programas esportivos, podcasts e mesas redondas, alimentando uma semana de análises sobre o modelo de jogo tricolor.
O clube acompanha a repercussão com atenção. Uma nova sequência de resultados ruins pode transformar a discussão sobre Ganso e Savarino em questionamento mais amplo ao projeto esportivo do ano. Uma resposta positiva em campo, com vitórias em competições nacionais e continentais, tende a recolocar a entrevista deste domingo no lugar de um tropeço pontual em meio à maratona.
Próximos jogos e a dúvida que fica
O Fluminense volta a campo nos próximos dias com a obrigação de reagir. A comissão técnica monitora a condição física de Lucho Acosta, que passa por exames nesta segunda-feira para definir gravidade da lesão e prazo de retorno. Uma ausência prolongada do meia pode forçar Zubeldía a redesenhar o meio-campo e a reposicionar Ganso em um papel diferente ou a antecipar protagonismo de outros nomes.
A resposta do time nos próximos jogos deve indicar se o vestiário compra o discurso do treinador e transforma a derrota no Fla-Flu em ponto de ajuste, não em início de crise. A escolha por Ganso no Maracanã deixa uma pergunta em aberto: o erro está na substituição em si ou na incapacidade do Fluminense de sustentar um plano quando a primeira peça cai tão cedo?
