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ZCAS traz chuva extrema e risco de deslizamentos em cinco estados

Um corredor de umidade ligado à Zona de Convergência do Atlântico Sul provoca desde o início da semana de 21 de janeiro de 2026 chuvas fortes e persistentes em cinco estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste. A MetSul Meteorologia alerta para alto risco de alagamentos, inundações e deslizamentos, com volumes que já passam de 150 milímetros em 48 horas em alguns municípios.

Canal de umidade se fixa entre Centro-Oeste e Sudeste

A Zona de Convergência do Atlântico Sul, conhecida pela sigla ZCAS, se organiza como uma faixa contínua de nuvens carregadas que cruza o país da Amazônia ao litoral do Sudeste. Esse “rio de umidade” mantém chuvas frequentes sobre Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, numa situação típica do auge do verão, entre novembro e março.

Estações do Instituto Nacional de Meteorologia registram acumulados expressivos em apenas dois dias, indicando um padrão de chuva acima do normal para o período. Em 48 horas, até o fim da manhã desta quarta-feira (21), Santa Maria Madalena, no interior fluminense, soma 154 milímetros de chuva, enquanto Linhares, no Norte do Espírito Santo, registra 153 milímetros.

No mesmo intervalo, Três Marias, em Minas Gerais, acumula 143 milímetros, Venda Nova do Imigrante, na serra capixaba, chega a 139 milímetros e Teresópolis, na Região Serrana do Rio, alcança 136 milímetros. Volumes acima de 100 milímetros em dois dias se repetem em Vila Velha, Afonso Cláudio e Timóteo, no Espírito Santo, além de Catalão, em Goiás, e municípios mineiros e fluminenses como Belo Horizonte, Duque de Caxias, Cambuci, Carmo, Pompeu e Paracatu.

Segundo a MetSul Meteorologia, a configuração atual da ZCAS favorece não apenas a persistência das pancadas, mas a concentração de chuva sobre as mesmas áreas por vários dias consecutivos. “A perspectiva é que a ZCAS siga configurada no restante da semana, com chuva frequente e volumes altos, em vários pontos até excessivos”, alerta a meteorologista e diretora da empresa, Estael Sias.

Risco elevado de alagamentos, enchentes e deslizamentos

O padrão de chuva contínua sobre terrenos já encharcados aumenta o risco de transtornos urbanos e desastres em áreas de relevo acidentado. Córregos que normalmente comportam a vazão começam a transbordar em bairros de periferia, ruas alagam em poucos minutos e encostas fragilizadas passam a ceder, sobretudo em Minas Gerais e na Região Serrana do Rio.

A MetSul fala em “alta probabilidade de alagamentos e inundações, em alguns casos repentinas e graves”, com perigo direto para quem precisa se deslocar durante as enxurradas. A água avança com correnteza forte, arrasta veículos e dificulta o resgate de pedestres que são surpreendidos em vias alagadas. O quadro tende a piorar com a previsão de novos episódios intensos de chuva até o fim de janeiro.

Encostas íngremes em áreas densamente ocupadas entram em estado de alerta máximo. A combinação de solo saturado e sucessivas pancadas intensas aumenta a chance de quedas de barreira e deslizamentos de terra, muitas vezes sem aviso claro para moradores. “Advertimos para a probabilidade elevada de quedas de encostas e ainda deslizamentos de terra, em alguns locais significativos e com grave risco à vida humana”, afirma Sias.

O temor se estende às barragens e estruturas de contenção instaladas em regiões mineradoras e agrícolas. Em Minas, episódios recentes de falhas em barragens reforçam a preocupação com chuvas extremas em curto espaço de tempo, capazes de elevar rapidamente o nível de reservatórios e rios. Técnicos de defesas civis locais monitoram áreas vulneráveis e avaliam a necessidade de evacuações preventivas caso o volume previsto se confirme.

Modelos numéricos de previsão, como o UKMET, do serviço meteorológico do Reino Unido, indicam que, nos próximos sete dias, os acumulados podem chegar a 200 milímetros ou 300 milímetros em trechos de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Esses valores se somam ao que já caiu desde o início da semana, ampliando o risco de cheias, interrupção de rodovias, prejuízos à agricultura e danos em redes de energia e abastecimento de água.

Chuvas persistem e exigem resposta rápida de autoridades

A previsão de manutenção da ZCAS por vários dias impõe um novo patamar de alerta para prefeituras, defesas civis e governos estaduais. A ocupação irregular de encostas, a drenagem deficiente em áreas urbanas e a concentração de moradias em fundos de vale formam um cenário explosivo quando se combinam com chuva extrema. A recomendação de especialistas é clara: revisões imediatas em planos de emergência, identificação de áreas de risco e comunicação ativa com moradores vulneráveis.

Autoridades locais avaliam reforçar equipes de campo, ampliar abrigos temporários e acionar sistemas de sirenes em comunidades próximas a encostas e cursos d’água. A população é orientada a evitar travessias em ruas alagadas, checar rotas alternativas, acompanhar alertas oficiais e acionar defesas civis diante de qualquer sinal de deslizamento ou rachaduras em muros e casas. A continuidade da ZCAS também pode afetar o transporte de cargas, o escoamento de safras e o cronograma de obras públicas em rodovias estratégicas.

A experiência de outros verões chuvosos, em especial nos anos em que a ZCAS se mantém ativa por até dez dias seguidos, mostra que o impacto não se limita aos próximos boletins meteorológicos. Danos a infraestruturas, como pontes, estradas rurais e sistemas de captação de água, podem se estender por meses e pressionar orçamentos municipais já apertados. A resposta que estados e municípios derem agora, antes que os volumes críticos se consolidem, pode definir a dimensão humana e econômica desta sequência de temporais.

Enquanto o corredor de umidade segue firme entre o Centro-Oeste e o Sudeste, a pergunta nas regiões mais atingidas deixa de ser se vai chover mais e passa a ser como cada cidade vai se preparar para enfrentar, com o mínimo de perdas possível, a fase mais intensa desta temporada de chuva.

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