ZCAS provoca chuva extrema e eleva risco de desastres em cinco estados
A configuração da Zona de Convergência do Atlântico Sul provoca chuva forte a intensa entre os dias 21 e 22 de janeiro de 2026 em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Os acumulados ultrapassam 150 milímetros em 48 horas em diversas cidades e elevam o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos. A MetSul Meteorologia alerta que o fenômeno permanece ativo e deve trazer ainda mais chuva nos próximos dias.
Corredor de umidade se mantém ativo sobre Centro-Oeste e Sudeste
O cenário de tempo severo nasce de um corredor de umidade que cruza o país da Amazônia até o Atlântico. Esse sistema, conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul, é típico da estação quente e costuma se repetir entre novembro e março. Quando se organiza, forma uma faixa quase contínua de nuvens carregadas, que despejam chuva volumosa dia após dia sobre a mesma região.
Entre a manhã de segunda e o fim da manhã desta quarta-feira, estações do Instituto Nacional de Meteorologia registram números que traduzem a força do fenômeno. Em Santa Maria Madalena, no interior do Rio de Janeiro, o acumulado chega a 154 milímetros em apenas 48 horas. Linhares, no Norte do Espírito Santo, marca 153 milímetros no mesmo período. Em Três Marias, no Centro de Minas Gerais, chove 143 milímetros, enquanto Venda Nova do Imigrante, também no Espírito Santo, soma 139 milímetros. Em Teresópolis, na Região Serrana fluminense, o volume alcança 136 milímetros.
Os dados oficiais ainda apontam 118 milímetros em Vila Velha, 117 milímetros em Afonso Cláudio e em Timóteo, 116 milímetros em Catalão, 114 milímetros em Duque de Caxias e 111 milímetros em Cambuci. Em capitais e cidades de porte médio, os acumulados também impressionam: Belo Horizonte, Carmo, Pompeu e Paracatu registram 108 milímetros no intervalo de dois dias. A distribuição dos volumes confirma a atuação concentrada da ZCAS sobre Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Volumes extremos elevam risco de desastres e pressionam defesas civis
Os números não são apenas estatística de verão. Na prática, significam solo encharcado, rios mais cheios e encostas sob tensão. A MetSul Meteorologia ressalta que a chuva ocorre de forma frequente, com episódios fortes a muito intensos, e alerta para a “alta probabilidade de alagamentos e inundações, em alguns casos repentinas e graves” nas áreas sob influência do sistema. Nessas situações, enxurradas com correntezas intensas podem surpreender motoristas, pedestres e moradores em áreas ribeirinhas.
O relevo de Minas Gerais acende um sinal adicional de alerta. Regiões montanhosas e vales estreitos reagem rápido aos altos acumulados em curto intervalo. A MetSul adverte que a combinação de vários dias seguidos de chuva forte com episódios extremos localizados aumenta o risco de quedas de encostas, deslizamentos de terra e problemas em barragens. Em áreas urbanas densas, como Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana, a sucessão de temporais também pressiona sistemas de drenagem já saturados e amplia o potencial de danos materiais e transtornos no transporte.
Nas cidades do Espírito Santo e do Rio de Janeiro que registram mais de 100 milímetros em dois dias, a preocupação se volta para encostas ocupadas de forma precária e margens de rios canalizados. Em Teresópolis, Duque de Caxias e na Região Serrana fluminense, a lembrança de tragédias recentes com deslizamentos reforça o clima de vigilância. A recomendação dos meteorologistas é clara: moradores em áreas de risco devem acompanhar com atenção os avisos das defesas civis locais e evitar permanecer em locais sujeitos a enxurradas ou desmoronamentos.
Previsão indica mais 200 a 300 mm e mantém região em alerta
As projeções numéricas reforçam que o episódio ainda está longe do fim. Modelos de previsão, como o UKMET, do serviço meteorológico do Reino Unido, indicam que a ZCAS permanece organizada sobre o Centro-Oeste e o Sudeste ao longo dos próximos dias. O canal de umidade continua ativo entre Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, com chuva frequente e, em muitos pontos, excessiva.
As simulações apontam que, somente nos próximos sete dias, algumas áreas podem registrar entre 200 e 300 milímetros adicionais, que se somam ao que já choveu. Esse reforço de água sobre um terreno já saturado tende a agravar o quadro de risco, com possibilidade maior de alagamentos, inundações, cheias de rios e deslizamentos de grande porte. A MetSul alerta que o cenário exige monitoramento permanente de encostas, barragens e áreas urbanas vulneráveis, além de planos de resposta rápida por parte das autoridades locais.
Os próximos dias vão testar a capacidade de reação de prefeituras, estados e da própria população das áreas atingidas. A duração típica de episódios de ZCAS, que podem se estender por até dez dias, sugere que a fase mais crítica ainda pode estar em curso. A intensidade e a persistência da chuva vão definir se a região atravessa apenas um verão chuvoso ou enfrenta uma sequência de desastres que reabre o debate sobre ocupação do solo, prevenção e adaptação às novas condições do clima.
