Xiaomi limita atualizações de 12 celulares ao HyperOS 4 a partir de 2025
A Xiaomi decide encerrar o ciclo de grandes atualizações de sistema para 12 modelos de celulares após o HyperOS 4, previsto para começar a ser distribuído no segundo semestre de 2025. A medida, de alcance global, foca em concentrar recursos nos aparelhos mais recentes e encerra o suporte principal de software desses dispositivos.
Xiaomi redefine ciclo de vida de parte da linha
A fabricante chinesa confirma que esses 12 aparelhos, espalhados entre as famílias Xiaomi, Redmi e Poco, terão no HyperOS 4 sua última grande atualização de interface e sistema operacional. A versão será baseada no Android 16, que o Google deve liberar oficialmente na segunda metade de 2025, e marca o ponto final do suporte principal para esse grupo específico de modelos.
O anúncio não vem isolado. A decisão integra uma mudança mais ampla na estratégia de software da companhia, que tenta equilibrar a pressão por inovação com os limites de hardware de aparelhos lançados há alguns anos. Na prática, a Xiaomi admite que o pacote de novidades previsto para o Android 17 e para as versões seguintes do HyperOS já exige um nível de desempenho que muitos desses dispositivos não conseguem entregar com folga.
A empresa não divulga ainda a lista completa em todos os mercados, mas fontes ligadas ao desenvolvimento de firmware indicam que modelos como o Redmi Note 13 Pro 4G e o Poco M6 aparecem com frequência em códigos internos e relatórios preliminares. Esses aparelhos, populares em mercados emergentes, ajudam a dimensionar o recorte da decisão: não se trata apenas de topo de linha envelhecido, mas também de intermediários e modelos de entrada que sustentaram o volume de vendas da marca em anos recentes.
O calendário de distribuição segue o padrão de outros lançamentos da Xiaomi. O rollout começa por regiões estratégicas e modelos mais recentes e se estende ao longo de vários meses, possivelmente até meados de 2026. O cronograma detalhado varia por país, versão de hardware e até por operadora, o que significa que usuários com o mesmo modelo podem receber o HyperOS 4 em datas diferentes.
O que muda para quem tem um dos 12 aparelhos
O impacto imediato não é de ruptura. Os celulares continuam funcionando normalmente após a instalação do HyperOS 4, inclusive com acesso a redes sociais, mensageiros, apps bancários e jogos. Os aplicativos seguem recebendo atualizações pela Google Play Store, já que a compatibilidade depende sobretudo da versão do Android em uso e não da interface personalizada da Xiaomi.
A mudança, porém, congela a evolução do sistema nesses dispositivos. A experiência do usuário fica ancorada no Android 16, com as otimizações de desempenho, segurança e privacidade disponíveis hoje. As grandes novidades que chegarem com o Android 17 e além, assim como reformulações visuais do HyperOS, não desembarcam nesses 12 modelos.
A questão mais sensível está na segurança. Sem o fluxo regular de novos pacotes de sistema, cada falha descoberta nas versões mais recentes do Android tende a encontrar nesses aparelhos uma porta aberta por mais tempo. A Xiaomi costuma manter, por algum período, correções pontuais de segurança mesmo depois de encerrar as grandes atualizações. Essa rotina, porém, se torna mais espaçada e menos abrangente com o passar dos anos, aumentando gradualmente a superfície de ataque.
Especialistas em segurança digital reforçam o alerta. A recomendação é evitar instalar aplicativos fora das lojas oficiais, desconfiar de links recebidos por mensagens e revisar permissões concedidas a apps antigos. Em linguagem simples, o celular não deixa de funcionar, mas passa a depender mais do cuidado do usuário. “Encerrar o suporte não torna o aparelho inútil, mas reduz a margem de proteção diante de ameaças novas”, resume um analista ouvido por relatórios do setor.
A decisão também tem efeito econômico. À medida que o suporte principal se aproxima do fim, o valor de revenda desses modelos tende a cair, especialmente em mercados onde a política de atualização pesa mais na escolha do consumidor. Em contrapartida, a Xiaomi ganha espaço para concentrar equipes de engenharia em um número menor de aparelhos, o que pode acelerar a entrega de novas versões para os modelos mais vendidos e recentes.
Pressão competitiva e próximos passos da Xiaomi
A política de atualizações deixa de ser detalhe técnico e vira argumento de venda no mercado de smartphones. A Samsung já anuncia até sete anos de updates de sistema e segurança para parte da linha Galaxy mais cara, enquanto o Google usa os Pixel como vitrine para ciclos longos de suporte. A Xiaomi tenta encontrar um meio-termo: promete, em média, de duas a três grandes versões do Android para a maior parte de seus celulares e agora explicita com mais clareza onde termina esse compromisso.
O HyperOS nasce, em 2023, como sucessor da MIUI com a ambição de ser um sistema de ecossistema completo, conectando celular, relógio, tablet e até carro. A primeira geração se apoia no Android 13 e 14, e as versões seguintes acompanham o ritmo das grandes atualizações do Google. O HyperOS 4, sobre o Android 16, representa para os 12 modelos o limite considerado estável pela engenharia da Xiaomi. Acima desse patamar, a empresa avalia que a combinação de processador e memória de parte desses aparelhos já não sustenta com conforto pacotes de recursos mais pesados.
O movimento aproxima a Xiaomi de uma política de ciclo de vida mais previsível, semelhante à de concorrentes que divulgam prazos claros de suporte. Ao informar, com antecedência, que um conjunto de aparelhos para no HyperOS 4, a empresa oferece ao consumidor uma referência objetiva para planejar a troca de dispositivo. Quem depende do celular para trabalho, acesso bancário ou dados sensíveis passa a ter mais elementos para decidir se vale esperar até 2026 ou antecipar a compra de um modelo mais atual.
A lista oficial com os 12 modelos ainda não aparece em todos os canais da marca, o que mantém uma zona de incerteza para milhões de usuários de intermediários populares. A Xiaomi costuma centralizar esses comunicados em seu site global e em fóruns da comunidade, e a recomendação é acompanhar esses espaços nos próximos meses. Até lá, a divulgação parcial por meio de códigos de firmware e vazamentos técnicos tende a alimentar especulações e pressão por mais transparência.
O próximo grande marco no calendário é o lançamento do Android 16, no segundo semestre de 2025, que abre a fila para a chegada do HyperOS 4. A partir desse ponto, o relógio passa a contar de forma mais visível para os donos dos modelos afetados. A questão que fica é como a Xiaomi vai usar essa nova fase para consolidar uma política de suporte mais longa e competitiva ou se limitará a repetir o ciclo de cortes periódicos em nome da performance. Para o consumidor, a resposta influencia diretamente a escolha do próximo celular.
