Ciencia e Tecnologia

WhatsApp lança modo de alta segurança contra ataques hackers

O WhatsApp lança nesta terça-feira (27) um modo de alta segurança para proteger contas de ataques hackers raros e sofisticados. O recurso, voltado a usuários mais expostos, limita o acesso a mídias e anexos apenas a contatos aprovados.

WhatsApp sobe o nível da proteção de contas

A nova função, batizada de configurações rigorosas da conta, aparece dentro do menu de privacidade do aplicativo. A Meta apresenta o modo como uma camada extra, pensada para quem pode ser alvo de ataques direcionados, como figuras públicas, autoridades e jornalistas. O lançamento ocorre em 27 de janeiro de 2026, em meio à expansão global de golpes digitais que exploram brechas em aplicativos de mensagens.

Ao ativar o modo, o usuário muda a forma como o WhatsApp lida com arquivos recebidos. Mídias e anexos passam a ter acesso restrito, o que reduz a chance de que um vídeo, uma foto ou um documento contaminado sirva de porta de entrada para invasores. A empresa admite que esses ataques continuam raros na base de mais de 2 bilhões de usuários, mas afirma que o risco cresce à medida que criminosos miram alvos específicos com ferramentas cada vez mais sofisticadas.

Como funciona o novo modo e o que muda para o usuário

O caminho até o recurso exige alguns toques, mas segue a lógica conhecida do aplicativo. O usuário precisa entrar em Configurações, acessar Privacidade, abrir Configurações avançadas e selecionar a opção Configurações rigorosas da conta. A partir desse momento, o WhatsApp passa a tratar a conta como prioridade máxima de segurança. A mudança não altera a criptografia de ponta a ponta das conversas, que segue ativa por padrão desde 2016, mas reforça as barreiras em torno de ações comuns, como o recebimento e a abertura de arquivos.

Na prática, o aplicativo fica mais desconfiado. Mensagens vindas de números desconhecidos enfrentam limites maiores para liberar mídia, e anexos passam por filtros de acesso ligados à lista de contatos aprovados. Essa espécie de quarentena preventiva mira especialmente golpes que começam com o envio de um arquivo sedutor, muitas vezes acompanhado de textos urgentes ou emocionais. Ao impedir que esse conteúdo seja baixado ou aberto automaticamente por perfis fora do círculo de confiança, o modo reduz a superfície de ataque disponível para hackers.

A Meta admite que essa blindagem cobra um preço em conveniência. Ao explicar o recurso, o WhatsApp alerta que a configuração “reduzirá a qualidade da sua experiência com as mensagens e ligações”. Isso significa mais barreiras para interações rápidas, chamadas que podem demorar mais para completar e uma fricção maior no dia a dia digital. Para quem depende do aplicativo para atendimento ao público, vendas ou contato constante com novos números, o modo pode exigir uma reorganização da rotina.

Impacto para usuários mais expostos e para o mercado

A aposta da Meta mira um grupo específico, embora numeroso. Jornalistas, políticos, ativistas, executivos e influenciadores se tornaram alvos frequentes de campanhas de espionagem e extorsão digital. Ataques com softwares avançados, capazes de explorar falhas em sistemas móveis, costumam começar por um simples clique em um arquivo suspeito. Ao restringir a circulação desses arquivos, o WhatsApp tenta cortar o ataque na origem e reforçar a confiança de quem usa o app para lidar com informações sensíveis diariamente.

O movimento também pressiona concorrentes a elevar o padrão de proteção. Plataformas como Signal, Telegram e mensageiros corporativos vêm adicionando recursos de segurança desde 2020, em resposta ao aumento de vazamentos e invasões. A entrada do WhatsApp, que concentra a maior fatia do mercado brasileiro e presença massiva em países emergentes, pode acelerar a adoção de modos de segurança avançada como padrão do setor. A discussão sobre o equilíbrio entre proteção rígida e uso fluido deve ganhar espaço entre especialistas, órgãos reguladores e empresas de tecnologia.

Para o usuário comum, a novidade funciona mais como opção estratégica do que como obrigação. Quem lida com dados pessoais sensíveis, fontes confidenciais ou operações financeiras de alto valor encontra no modo de alta segurança uma espécie de cofre digital dentro do mensageiro. Em ambientes de risco, como coberturas políticas, investigações jornalísticas ou disputas empresariais, a decisão de sacrificar parte da comodidade por mais proteção tende a parecer menos dramática.

Próximos passos e o novo debate sobre segurança digital

O lançamento chega em um momento em que governos discutem novas leis para responsabilizar plataformas por falhas de segurança e por danos causados por golpes on-line. Ao oferecer um modo de alta proteção dirigido a perfis vulneráveis, a Meta busca se posicionar como parte da solução, não apenas como palco dos ataques. Especialistas em segurança ouvidos por redações internacionais veem nessa estratégia uma resposta preventiva a pressões regulatórias que devem se intensificar nos próximos dois anos.

A tendência é que o modo de alta segurança ganhe ajustes graduais, com base no uso real e nas críticas de quem depender da função diariamente. A experiência acumulada pode inspirar novas camadas de proteção automáticas, que dispensem parte da configuração manual e cheguem também ao grande público. O avanço dos ataques, no entanto, levanta uma pergunta ainda sem resposta definitiva: até que ponto usuários estarão dispostos a abrir mão de rapidez e conforto para blindar suas conversas em um mundo cada vez mais conectado e vulnerável?

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