Esportes

Wesley Sneijder diz receber milhares de ameaças após defender Vinícius Jr.

Wesley Sneijder afirma ter recebido entre 4 mil e 5 mil ameaças vindas da Argentina após defender publicamente Vinícius Jr. em caso de racismo com o argentino Prestianni. O episódio ganha força em fevereiro de 2026 e expõe a temperatura extrema do debate sobre racismo no futebol sul-americano.

Reação em cadeia após apoio a Vinícius Jr.

O ex-meia holandês, ídolo da seleção de seu país e campeão europeu por clubes, decide se posicionar sem rodeios. Em entrevistas e posts, ele se declara ao lado de Vinícius Jr., que acusa o argentino Gianluca Prestianni de comportamento racista em partida recente. A fala de Sneijder circula com rapidez, atravessa fronteiras e encontra terreno inflamado na Argentina, onde torcedores e comentaristas já discutem o caso com forte carga emocional.

Sneijder diz que as ameaças começam a chegar horas depois de suas primeiras manifestações. Mensagens privadas em redes sociais, e-mails e comentários públicos formam uma enxurrada que, segundo ele, passa de 4 mil recados hostis. Parte delas inclui xingamentos, ofensas xenófobas e ameaças diretas à integridade física. “Eu não podia ficar calado diante de algo que considero racismo. Sabia que haveria reação, mas não nessa escala”, afirma, em declaração recente divulgada por veículos europeus.

Polarização do debate e pressão sobre o futebol sul-americano

O caso se soma a uma sequência de episódios que colocam o racismo no centro do futebol internacional. Desde 2022, Vinícius Jr. denuncia insultos racistas em estádios europeus e pressiona clubes, federações e organizadores de competições por punições mais duras. A acusação contra Prestianni reacende, em 2026, essa discussão em um novo eixo: a relação histórica entre Brasil e Argentina dentro de campo, marcada por rivalidade intensa e discursos nacionalistas.

Na Argentina, a reação às falas de Sneijder se mistura à defesa do jovem atacante do país. Parte da torcida trata a acusação de racismo como exagero ou estratégia para desestabilizar o jogador. Outra parcela, menor mas ruidosa, enxerga qualquer crítica estrangeira como ataque à seleção e à identidade nacional. O resultado é um ambiente em que a discussão sobre racismo perde nuances e vira disputa de narrativas, alimentada por programas esportivos, perfis de grande audiência e influenciadores que vivem do conflito permanente.

Especialistas em direitos humanos no esporte veem no episódio um sintoma de algo mais profundo. A reação desproporcional a um posicionamento público, vindo de um ex-jogador sem ligação direta com Brasil ou Argentina, revela a dificuldade de separar paixão clubística de valores básicos de convivência. Quando a defesa de um atleta alvo de racismo rende ameaças de morte, o futebol deixa de ser só palco de rivalidade e passa a espelhar tensões sociais não resolvidas.

Pressão por medidas concretas e efeitos na imagem do esporte

As ameaças a Sneijder também expõem a lentidão das instituições esportivas diante da violência digital. A maior parte das mensagens hostis circula em plataformas que, desde o meio da década de 2020, prometem mecanismos mais rígidos para coibir discurso de ódio. A resposta, porém, segue irregular. Enquanto alguns perfis são suspensos, muitos outros continuam ativos, o que reforça a sensação de impunidade e incentiva novos ataques. Entidades de direitos humanos defendem a criação de protocolos mínimos para federações e clubes, com monitoramento, denúncia rápida e apoio jurídico às vítimas.

No curto prazo, o caso Sneijder-Vinícius-Prestianni pressiona confederações sul-americanas a ir além de notas de repúdio. Patrocinadores de grandes campeonatos acompanham a repercussão e avaliam riscos de imagem. Marcas associadas a campanhas de diversidade não querem ver seu logotipo ao lado de cenas de insultos racistas em campo ou ataques coordenados online. Quando um ex-jogador com carreira consolidada afirma receber até 5 mil ameaças por apoiar um atleta negro, o recado aos dirigentes é claro: omissão custa caro.

Para jogadores em atividade, o episódio traz um dilema. Quem se posiciona contra o racismo sabe que pode enfrentar campanhas de ódio organizadas, com potencial de afetar família, patrocínios e desempenho em campo. Ao mesmo tempo, o silêncio reforça a sensação de que vítimas de discriminação seguem isoladas. O apoio de figuras como Sneijder funciona como proteção simbólica, mas ainda é insuficiente para mudar sozinho a cultura de intolerância que se manifesta em arquibancadas, vestiários e timelines.

Racismo, responsabilidade e o que vem pela frente

Os próximos meses tendem a definir se o episódio será mais um caso isolado ou um ponto de virada. Organizações internacionais de futebol são pressionadas a incluir metas mensuráveis contra o racismo em regulamentos de competições, com prazos, multas escalonadas e possibilidade real de perda de mando de campo ou pontos. Clubes brasileiros e argentinos discutem internamente códigos de conduta para jogadores e torcidas, conscientes de que a fronteira entre rivalidade e violência está cada vez mais tênue.

Sneijder, por sua vez, sinaliza que não pretende recuar. Ao insistir no apoio a Vinícius Jr., mesmo sob risco pessoal, ele amplia o alcance da denúncia e obriga dirigentes a se posicionar. A onda de ameaças vinda da Argentina não se limita ao universo virtual: coloca em xeque a capacidade do futebol sul-americano de lidar com o próprio reflexo. A pergunta que permanece, para torcedores, atletas e cartolas, é se o esporte mais popular do continente consegue transformar indignação pontual em mudança de regra, de prática e de cultura.

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