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Vojvoda mantém mistério sobre Gabigol no clássico Santos x Corinthians

O técnico Juan Pablo Vojvoda mantém em aberto a presença de Gabigol no clássico entre Santos e Corinthians, nesta quinta-feira (22), na Vila Belmiro. O atacante se recupera de tendinite e terá a situação avaliada até horas antes da partida.

Clássico cercado de incerteza e cautela

O jogo que opõe dois dos maiores rivais do país ganha um ingrediente extra com a indefinição sobre o camisa 9. A três dias do confronto, Vojvoda admite que ainda não sabe se poderá escalar o principal nome do ataque santista neste início de temporada. O treinador prefere segurar a ansiedade da torcida e adota discurso de prudência.

Em entrevista coletiva após o empate por 0 a 0 com o Guarani, no último domingo (18), em Campinas, o argentino reforça que a questão física pesa mais que o peso do clássico. “Não sei se vamos contar com ele. Ele está fazendo o melhor junto com o departamento médico e vamos vendo aos poucos para contar com ele no próximo jogo”, afirma. O recado mira tanto o vestiário quanto as arquibancadas.

A situação de Gabigol entra em pauta depois de uma sequência irregular de minutos em campo. Ele é titular e marca gol na vitória sobre o Novorizontino, ainda na primeira rodada do Campeonato Paulista. No clássico seguinte, contra o Palmeiras, começa no banco, entra no segundo tempo e sai de campo visivelmente incomodado. Em Campinas, diante do Guarani, sequer é relacionado por causa da tendinite.

O clube não divulga prazo oficial de retorno, mas Vojvoda sinaliza que não pretende queimar etapas. “Na partida passada (contra o Palmeiras), muitos falaram sobre ele não começar, mas vamos cuidar dos jogadores para eles responderem em campo 100%. No futebol atual, a parte física tem que estar no topo”, diz o treinador. A frase mostra a prioridade: chegar inteiro em compromissos decisivos, em vez de correr risco por pressão externa.

Impacto na estratégia e no ambiente do Santos

A dúvida sobre o artilheiro mexe com o planejamento tático do Santos. Sem Gabigol, Vojvoda reorganiza o setor ofensivo e transforma o meio-campista Thaciano em referência mais adiantada. O camisa 8 atua centralizado, alternando recuos para buscar a bola com infiltrações na área, enquanto Lautaro Díaz abre pela esquerda para alongar a defesa rival.

A adaptação também expõe a falta de opções plenas na posição de centroavante. Tiquinho Soares, reforço esperado para ser sombra ou parceiro de Gabigol, continua em tratamento de um edema muscular na panturrilha esquerda. A lesão o afasta da reta inicial do Estadual e deixa Vojvoda com margem menor para rodar o elenco. Em um calendário que já coloca quatro jogos em menos de duas semanas, a administração do desgaste vira tema central.

O momento esportivo amplia a tensão. Com o empate diante do Bugre, o Santos fecha a terceira rodada do Paulista com quatro pontos e ocupa a oitava colocação na classificação geral. O Corinthians soma os mesmos quatro pontos e aparece logo acima, em sétimo, separado apenas pelo saldo de gols. O clássico na Vila Belmiro, portanto, vale mais que a rivalidade: representa chance imediata de respirar na tabela e evitar que a pressão cresça ainda em fevereiro.

Nos bastidores, a presença ou ausência de Gabigol também influencia o ambiente. A volta do Menino da Vila, oficializada em janeiro, imediatamente recoloca o Santos no centro do noticiário esportivo. Cada jogo ganha leitura ampliada, cada decisão de Vojvoda sobre o camisa 9 vira assunto em programas de TV, rádios e redes sociais. A tendinite que o tira de campo por ao menos uma rodada aciona um alerta entre torcedores sobre a gestão física do principal reforço da temporada.

Vojvoda tenta blindar o elenco do ruído externo e reforça a ideia de processo. O treinador lembra que, em poucos dias, o atacante sai de 90 minutos em campo contra o Novorizontino para um clássico de alta intensidade diante do Palmeiras, e logo depois encara uma viagem até Campinas. Na avaliação interna, forçar a sequência poderia agravar o quadro clínico e comprometer não apenas o clássico com o Corinthians, mas todo o bloco de partidas que se estende até o fim de fevereiro.

O que está em jogo e os próximos passos

A comissão técnica trabalha com diferentes cenários para quinta-feira. A presença de Gabigol entre os relacionados ainda não significa, necessariamente, titularidade. Um retorno gradual, com minutos controlados no segundo tempo, aparece como alternativa se os exames e testes físicos indicarem segurança. A repetição da estratégia adotada contra o Palmeiras, com o atacante entrando apenas na etapa final, volta à mesa como opção.

Se o camisa 9 não tiver condições de jogo, Thaciano deve manter a vaga no comando do ataque. Lautaro Díaz segue na esquerda, e Vojvoda pode ajustar o lado direito com um ponta mais agudo para compensar a ausência de um finalizador de ofício. A definição, segundo pessoas próximas ao departamento de futebol, tende a sair apenas na véspera do clássico, após nova avaliação do departamento médico e conversa direta entre treinador e jogador.

A torcida, por enquanto, convive com a expectativa. Desde o anúncio da contratação, em janeiro, a diretoria registra aumento de engajamento nas redes sociais e maior procura por ingressos em jogos na Vila Belmiro. O clássico contra o Corinthians, marcado para as 19h30 de quinta-feira, tem potencial de casa cheia, mesmo com a possibilidade de o principal astro começar no banco ou nem entrar em campo.

Vojvoda olha além de 22 de fevereiro. O Santos encara o Campeonato Paulista como primeira etapa de um processo mais longo, que inclui o retorno à Série A do Brasileiro no segundo semestre e a tentativa de recuperar protagonismo nacional. A forma como o clube administra a condição física de Gabigol nas primeiras semanas pode indicar qual será a linha adotada ao longo do ano: aposta imediata no resultado, a qualquer custo, ou construção gradual de performance.

O clássico contra o Corinthians oferece uma prévia dessa escolha. A escalação de quinta-feira não define a temporada, mas ajuda a revelar até onde o Santos está disposto a ir para ter seu principal jogador em campo e qual preço aceita pagar por isso.

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