Vitória domina segundo tempo e estreia com triunfo sobre o Remo
O Vitória derrota o Remo na noite desta quinta-feira (29), no Barradão, e estreia com vitória na Série A. O time baiano cresce após o primeiro gol e controla o segundo tempo em Salvador.
Jogo aberto, chances perdidas e virada de cenário no Barradão
O duelo entre os dois Leões, o Azul paraense e o rubro-negro baiano, começa com ritmo intenso em Salvador. O Remo entra em campo com a proposta de agredir o adversário, mantém a bola no ataque nos primeiros minutos e cria as melhores oportunidades da etapa inicial. A postura surpreende parte dos mais de 20 mil torcedores presentes no Barradão, acostumados a ver o Vitória impor o jogo em casa.
O time paraense encontra espaços nas costas da defesa baiana, chega em velocidade pelos lados e finaliza com perigo pelo menos duas vezes antes dos 20 minutos. Falta precisão na conclusão, sobra ansiedade na tomada de decisão. Cada bola desperdiçada parece alimentar a confiança do Vitória, que se protege, respira e começa a adiantar suas linhas ainda no fim do primeiro tempo.
O gol que muda o jogo nasce justamente desse ajuste. Depois de uma transição rápida, o Vitória aciona o ataque em profundidade, aproveita brecha na marcação azulina e abre o placar. A partir dali, o cenário da partida se inverte. O Remo, que sustenta grandes expectativas para esta Série A e chega embalado pela boa campanha no início da temporada, sente o golpe. O Vitória percebe o abatimento rival e passa a tomar decisões mais simples e eficientes.
O intervalo não devolve ao Remo o ímpeto dos primeiros minutos. A conversa no vestiário do Vitória surte efeito imediato. O time baiano volta mais compacto, ocupa o meio-campo e reduz os espaços que antes permitiam a troca de passes rápida do adversário. A equipe de Salvador transforma em rotina o que antes era exceção: a presença constante na área azulina.
O segundo tempo se torna, pouco a pouco, um retrato fiel da nova dinâmica. O Vitória domina as ações, controla o ritmo e amplia a vantagem em outra chegada bem trabalhada, fruto de boa tabela pelo lado direito. O Remo responde com tentativas isoladas, aposta em cruzamentos e chutes de média distância, mas não consegue repetir a clareza ofensiva da etapa inicial. O goleiro rubro-negro participa menos do jogo, enquanto a defesa azulina se desdobra para evitar um placar mais elástico.
Choque para o Remo e combustível para o Vitória na Série A
A derrota na estreia da Série A pesa para o Remo justamente porque contrasta com o discurso da semana. A diretoria fala em “campanha sólida” e em brigar na metade de cima da tabela. O tropeço imediato, ainda mais depois de um primeiro tempo competitivo, expõe a dificuldade de transformar expectativa em resultado num campeonato de 38 rodadas, espalhadas ao longo de quase nove meses.
No vestiário azulino, o tom é de advertência. Integrantes da comissão técnica admitem, em conversa reservada, que o time “desliga” após sofrer o primeiro gol e não consegue reorganizar o sistema defensivo. O setor que parecia controlado no início se desmancha justamente quando o Vitória ganha confiança. Os erros de posicionamento e a queda de intensidade alimentam a reação baiana e ajudam a explicar o domínio rubro-negro na etapa final.
A lembrança recente aumenta a pressão. A torcida do Remo acompanha, desde o fim de 2025, um processo de reconstrução, com investimento em elenco e mudanças no departamento de futebol. O retorno à elite, comemorado como marco histórico para um clube que se acostuma a oscilar entre divisões, vem acompanhado da cobrança por resultados imediatos. A perda de três pontos logo na largada, em um confronto direto diante de um rival que também luta por permanência, desperta preocupação.
O Vitória vive o movimento oposto. A vitória em casa, na abertura do Brasileiro, injeta confiança no elenco e reduz a tensão em torno da sequência inicial da tabela. Jogar diante da própria torcida, em Salvador, deixa de ser obrigação incômoda e volta a ser trunfo concreto, especialmente em um campeonato em que o desempenho como mandante costuma definir quem escapa da zona de rebaixamento. Cada ponto no Barradão, sobretudo em confrontos desse tipo, tem peso de decisão.
O impacto esportivo imediato é claro. O Vitória soma os primeiros três pontos e começa a Série A na parte de cima da classificação, ainda que em rodada inicial. O Remo, ao contrário, entra já na conta dos que precisam reagir. Em um torneio que premia regularidade, a margem para erro diminui rápido. Um início ruim costuma obrigar a campanhas de recuperação, quase sempre mais desgastantes física e emocionalmente.
Ajustes urgentes, sequência pesada e disputa por sobrevivência
O calendário não oferece muito tempo para lamentos. O Remo volta a campo nos próximos dias com a necessidade explícita de corrigir dois pontos: a eficiência nas finalizações e a capacidade de reagir ao primeiro golpe do adversário. O técnico sabe que a Série A não perdoa equipes que oscilam tanto dentro do mesmo jogo. A missão é transformar o bom início no Barradão em comportamento padrão, sustentado durante 90 minutos.
No lado baiano, a comissão técnica trabalha para consolidar o padrão visto no segundo tempo. A ideia é repetir a postura dominante em Salvador e buscar, ao menos, pontuar longe de casa. A vitória sobre o Remo serve como ensaio de um modelo que mistura intensidade, ocupação de espaços e decisões simples no terço final do campo. Se conseguir manter esse nível, o Vitória ganha fôlego na disputa direta contra rivais do mesmo bloco da tabela.
Os próximos jogos começam a desenhar o real tamanho das ambições de cada um. Uma nova derrota azulina pode transformar o tropeço inicial em crise precoce, com reflexo direto nas arquibancadas e nos números de público. Uma sequência positiva do Vitória, por outro lado, reforça o discurso interno de que o clube entra em 2026 disposto a repetir campanhas seguras que já o mantiveram na elite em outras temporadas.
A noite no Barradão encerra a primeira página da Série A para Vitória e Remo. O placar em Salvador não define o campeonato, mas aponta caminhos distintos logo na largada. Resta saber qual dos dois Leões vai aprender mais rápido com o que aconteceu em 29 de janeiro de 2026.
