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Vitória domina São Paulo no Barradão e respira no Brasileirão

O Vitória vence o São Paulo por 2 a 0, no Barradão, pela 11ª rodada do Brasileiro, reassume protagonismo diante da torcida e empurra o rival para nova crise.

Pressão desde o início e “olé” no Barradão

O jogo em Salvador começa como Jair Ventura imaginava. O Vitória marca alto, prende o São Paulo no próprio campo e assume a bola contra um adversário conhecido pela posse. Antes mesmo de o relógio passar dos 15 minutos, o Barradão entende o roteiro: o time da casa não se esconde, ocupa o campo de ataque e força erros sucessivos da equipe paulista.

O placar, porém, demora a refletir o domínio. A torcida alterna ansiedade e empolgação até que Cacá aparece como protagonista inesperado. Em jogada trabalhada, o zagueiro se projeta, ganha a disputa na área e abre o marcador, coroando a postura agressiva do Vitória. O gol destrava o ambiente, e o estádio passa a empurrar cada dividida como se fosse lance decisivo de mata-mata.

O São Paulo, que chega à 11ª rodada tentando se manter na parte de cima da tabela mesmo com desfalques importantes, sofre para encaixar a saída de bola. O time que figurava entre os seis primeiros do campeonato em posse de bola não consegue respirar. “Pegamos um time que era o sexto em posse de bola e tentamos tirar o conforto deles com a posse. A gente conseguiu neutralizar, ter a bola”, explica Jair, ainda à beira do gramado.

O Vitória vai ao intervalo em vantagem e sob aplausos. O placar parcial de 1 a 0 não traduz a diferença de desempenho, mas oferece ao time baiano exatamente o que faltou em outras rodadas: tranquilidade para administrar um jogo grande em casa.

Superioridade antes e depois da expulsão

O segundo tempo começa com o São Paulo pressionado pelo relógio e pelo contexto. O time visitante tenta adiantar as linhas, mas esbarra no encaixe de marcação do Vitória. Logo no início da etapa final, Lucas Ramon é expulso e deixa os paulistas com um jogador a menos, num momento em que a equipe já se mostrava vulnerável.

Jair Ventura, porém, rejeita a ideia de que a partida muda apenas com o cartão vermelho. O treinador insiste, em entrevistas, que a diferença técnica e tática se estabelece antes da expulsão. “Com um a menos para eles, a gente pressionou. Foi uma vitória com olé da torcida, tranquila, absoluta e onde o placar ficou barato”, afirma. O discurso encontra eco nas arquibancadas, que começam a entoar o clássico “olé” a cada sequência de passes do time rubro-negro.

Com mais espaço, o Vitória circula a bola de um lado a outro, abre o campo e encontra brechas constantes na defesa tricolor. Ramon amplia a vantagem e transforma o controle em segurança no placar. O 2 a 0, construído com paciência e imposição física, muda a temperatura da noite em Salvador. O Barradão, que em outras jornadas conviveu com tensão e vaia, desta vez vibra com o time em sintonia rara com o técnico.

O São Paulo tenta reagir em lances isolados, mas a equipe sente o peso da sequência de jogos, das ausências e da própria desorganização em campo. A irregularidade que marca a campanha tricolor em 2024 volta a aparecer em Salvador: bons momentos em casa, quedas bruscas fora, dificuldade para manter desempenho estável por 90 minutos. O apito final sela não apenas uma derrota, mas a confirmação de que o time ainda não encontra respostas consistentes para os problemas do elenco.

Ao fim da partida, Jair destaca que a atuação vai além do contexto numérico da tabela. “Mesmo antes da expulsão o Vitória já era melhor”, reforça. Na visão do treinador, a noite marca um salto de confiança do grupo, algo que ele vinha cobrando internamente desde as primeiras rodadas.

Alívio na tabela, pressão do outro lado

O triunfo leva o Vitória a 14 pontos e projeta o clube para cima na classificação, reduzindo a distância para a metade da tabela e afastando, ao menos temporariamente, o fantasma das últimas posições. Em um campeonato de 38 rodadas em que cada ponto pesa na reta final, sair da faixa crítica após a 11ª jornada representa mais do que um respiro: é um sinal de competitividade renovada.

O impacto é imediato também no ambiente. A vitória com “olé” em casa fortalece Jair Ventura num momento em que o treinador busca consolidar sua ideia de jogo, baseada em intensidade, pressão na saída adversária e coragem para ter a bola. O time que, em semanas anteriores, oscilava entre bons minutos e apagões prolongados, desta vez mantém o controle do início ao fim, mesmo quando o São Paulo ainda está completo.

Do outro lado, a derrota aprofunda a sensação de instabilidade no São Paulo. O clube convive com desfalques, vê a produção cair em jogos decisivos e acumula resultados que não sustentam o discurso de briga na parte de cima da tabela. O impacto esportivo se mistura à pressão política e à cobrança da torcida, especialmente diante da dificuldade de repetir fora de casa o desempenho exibido no Morumbi.

Para o Vitória, o 2 a 0 no Barradão funciona como marco potencial de recuperação. A equipe volta ao dia a dia de treinos com a confiança de quem domina um rival de camisa pesada, confirma evolução tática e volta a olhar a tabela com menos pânico e mais ambição. A resposta virá nas próximas rodadas: se o time mantém a intensidade mostrada contra o São Paulo, entra definitivamente na briga por uma campanha segura no meio da classificação; se volta a oscilar, a noite de “olé” corre o risco de ficar apenas como um parêntese num campeonato longo e imprevisível.

O Brasileirão segue oferecendo pouco espaço para acomodação. A atuação no Barradão recoloca o Vitória no radar de um campeonato em que detalhes definem objetivos em maio e destinos em dezembro. A dúvida, agora, é se o clube conseguirá transformar uma noite de controle absoluto em ponto de virada duradouro.

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