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Vinícius Júnior volta a pôr o Brasil na elite dos maiores salários

Vinícius Júnior recoloca o Brasil entre os dez maiores salários do futebol mundial em 2026. O atacante do Real Madrid ganha 25 milhões de euros brutos por temporada, valor que o coloca empatado com Harry Kane no ranking divulgado nesta sexta-feira (13) pela plataforma financeira Capology.

Brasil volta ao topo da lista após um ano fora

O retorno de Vini Jr. ao top 10 salarial encerra um período de ausência do futebol brasileiro entre os maiores holerites do planeta. Em 2025, nenhum jogador do país figurava na lista, algo incomum em uma era marcada pela presença constante de Neymar entre os mais bem pagos, seja no Paris Saint-Germain ou no Al-Hilal.

O novo levantamento mostra que o camisa 7 do Real Madrid ocupa a décima posição, com 25 milhões de euros anuais, cerca de R$ 154,2 milhões. O valor mensal supera com folga a casa dos R$ 12 milhões e o coloca no mesmo patamar de Harry Kane, centroavante inglês do Bayern de Munique, que recebe exatamente a mesma quantia, segundo o Capology.

O avanço de Vinícius para essa faixa salarial decorre de uma combinação de fatores. O contrato com o Real Madrid, renovado após a explosão técnica do brasileiro, acompanha sua transformação em protagonista ofensivo do clube e melhor jogador do mundo em 2024, prêmio concedido pela Fifa no The Best. Ao mesmo tempo, a saída recente de estrelas da liga saudita derrubou a remuneração de alguns concorrentes diretos e abriu espaço no top 10.

Aleksandar Mitrovic e N’Golo Kanté, por exemplo, deixam a Arábia Saudita nos últimos meses e, com a mudança de clubes, veem seus ganhos anuais caírem. Sem os contratos inflados do Oriente Médio, os dois saem da elite da lista e permitem que novos nomes entrem, entre eles o brasileiro formado no Flamengo.

Mercado saudita domina o topo; Europa ainda dita prestígio

O topo do ranking segue nas mãos de Cristiano Ronaldo. Desde a transferência para o Al-Nassr, em janeiro de 2023, o português ocupa a liderança isolada. O clube aumenta ainda mais seu salário nesta temporada, que chega agora a 208,4 milhões de euros por ano, quase R$ 1,3 bilhão. Trata-se de um valor que distorce qualquer comparação com a realidade europeia tradicional e confirma a Arábia Saudita como novo polo do dinheiro no futebol.

Karim Benzema, hoje no Al-Hilal, aparece em segundo lugar com 122,5 milhões de euros anuais, enquanto Riyad Mahrez, do Al-Ahli, fecha o pódio com 52,2 milhões. Sadio Mané, também do Al-Nassr, recebe 40 milhões de euros por ano, e o zagueiro Kalidou Koulibaly, do Al-Hilal, fatura 34,7 milhões. Os cinco primeiros atuam no mesmo eixo saudita, que sustenta contratos fora da curva em relação ao restante do planeta.

Entre os jogadores que permanecem na Europa, o norueguês Erling Haaland, do Manchester City, é o mais bem pago, com 31,3 milhões de euros anuais, pouco acima dos 31,2 milhões de Kylian Mbappé, agora no Real Madrid. O top 10 se completa com Ivan Toney e Sergej Milinkovic-Savic, ambos na casa dos 25,5 milhões de euros e vinculados a clubes sauditas, além de Vinícius e Kane, empatados na faixa dos 25 milhões.

O lugar de Vini nesse grupo mostra que, mesmo em meio à avalanche de dinheiro do Oriente Médio, alguns jogadores conseguem manter na Europa salários próximos à elite global. A condição reforça o peso esportivo do Real Madrid e o status do atacante brasileiro dentro do elenco, hoje tratado como referência técnica e comercial do clube.

Outro brasileiro que ainda circula na mesma prateleira é Casemiro. O volante do Manchester United recebe algo em torno de 20 milhões de euros por ano, de acordo com o Capology, e se mantém entre os contratos mais altos do futebol europeu. A diferença em relação a Vinícius, porém, evidencia a mudança de protagonismo: a estrela agora é o camisa 7 do Real.

Negociações futuras e impacto na imagem do futebol brasileiro

O contrato atual de Vinícius Júnior com o Real Madrid termina no fim da próxima temporada europeia. A proximidade do fim de vínculo torna seu salário de 25 milhões de euros, hoje entre os maiores do mundo, um piso para as negociações que vêm pela frente. Qualquer renovação tende a incluir aumento considerável, tanto para refletir sua importância esportiva quanto para protegê-lo de assédios externos.

Uma eventual ida ao Oriente Médio, cenário ventilado em praticamente todas as janelas para jogadores desse nível, poderia empurrá-lo ainda mais para cima no ranking, em faixa próxima à dos líderes. Nesse caso, o salto financeiro viria acompanhado de um dilema esportivo: trocar o protagonismo na Liga dos Campeões por um campeonato em construção, embora muito mais rico.

A presença de um brasileiro no top 10 recupera também uma dimensão simbólica. O país passa boa parte da última década associado a contratos gigantescos, primeiro com Neymar no PSG, depois na Arábia Saudita. A saída do atacante para o Santos, em movimento de retorno ao futebol nacional, tirou momentaneamente o Brasil da elite dos salários internacionais. Vini agora ocupa esse espaço e resgata a ideia de que o talento formado aqui segue entre os mais valorizados do planeta.

O efeito se espalha para além do Real Madrid. Jovens jogadores brasileiros ganham mais força na hora de negociar a primeira transferência para a Europa, agentes usam referências de mercado como a de Vinícius em reuniões com clubes e patrocinadores olham com mais atenção para perfis que combinam alta performance com grande exposição global. O prêmio The Best de 2024 e a presença no top 10 salarial formam um pacote que consolida o atacante como uma das principais marcas individuais do futebol atual.

A movimentação em torno de seu próximo contrato tende a ser acompanhada de perto pelo mercado. Se renovar com aumento robusto no Real Madrid, Vini pode subir algumas posições na lista e reforçar o peso financeiro do futebol europeu em meio à concorrência saudita. Se optar por uma mudança de rota e aceitar uma oferta do Oriente Médio, pode inaugurar uma nova onda de brasileiros em busca de contratos bilionários fora do eixo tradicional. A escolha, mais do que apenas pessoal, ajuda a desenhar o mapa do dinheiro no futebol dos próximos anos.

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