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Vini Jr é poupado em treino e vira dúvida contra a Croácia

Vini Jr é poupado do treino da Seleção Brasileira neste sábado (28), em Orlando, e vira dúvida para o amistoso contra a Croácia, na terça-feira (31). A decisão da comissão técnica acende um alerta às vésperas do último teste antes da convocação para a Copa do Mundo.

Ancelotti administra desgaste em reta final da Data Fifa

O treino deste sábado, em um centro esportivo em Orlando, começa com rotina habitual de aquecimento, mas rapidamente expõe a preocupação do staff brasileiro. Principal nome do ataque, Vini Jr participa apenas de forma controlada, é preservado das atividades mais intensas e deixa o campo antes dos companheiros. A avaliação interna é de que o atacante sente um problema físico detectado após a derrota para a França e não deve ser exposto a risco três dias antes do confronto com a Croácia.

Carlo Ancelotti acompanha cada movimento à beira do gramado. O italiano chega à segunda partida desta Data Fifa pressionado por desempenho e respostas rápidas. Depois do 2 a 0 sofrido para a França, em 27 de março, ouve críticas públicas, como o recado de Cicinho nas redes sociais, e precisa reorganizar uma linha ofensiva que perde opções a cada dia. O corte do lateral-direito Wesley e do atacante Raphinha, confirmados após exames, reduz alternativas de velocidade e profundidade pelos lados do campo.

O amistoso contra a Croácia, às 21h (de Brasília) de terça-feira, ganha peso de teste final. Será o último compromisso antes da convocação oficial para a Copa, marcada para 18 de maio, quando Ancelotti anunciará a lista de 26 nomes. Cada minuto em campo conta para quem briga por espaço, e a possível ausência de um protagonista como Vini Jr altera o tabuleiro ofensivo e a forma como o técnico desenha o time titular.

Baixas no ataque e disputa por espaço às vésperas da Copa

A situação de Vini Jr se somou a uma sequência de notícias negativas no setor ofensivo. Raphinha, peça importante na recomposição defensiva e nas transições rápidas, é cortado por lesão logo após o jogo com a França. Wesley, lateral que vinha sendo testado como arma de apoio ao ataque, também deixa o grupo. Em poucos dias, Ancelotti perde dois jogadores de velocidade pelas pontas e vê seu principal driblador treinando em regime de cautela.

No campo, a comissão técnica testa alternativas. Léo Pereira, que estreia pela Seleção na quinta-feira, deixa boa impressão e entra no radar como opção real para o sistema defensivo. No ataque, Igor Thiago aproveita minutos, se movimenta bem e agrada ao treinador. Danilo responde com segurança quando acionado. “Depois desses jogos, estou muito mais confiante, mas eu acho que para escolher a lista final não vai ser tão fácil para mim”, admite Ancelotti, ainda no estádio, após a derrota para os franceses.

O contraste aparece na defesa. Marquinhos, poupado na quinta-feira, volta a treinar normalmente com o grupo em Orlando. Recuperado e sem limitações aparentes, o zagueiro deve reassumir a titularidade contra a Croácia, reforçando um sistema que sofre questionamentos recentes. A presença do capitão funciona como rara boa notícia em um ambiente marcado por desfalques e dúvidas físicas a pouco mais de um mês do anúncio da lista final.

A preocupação com Vini Jr não se explica apenas pela técnica. Desde 2022, o atacante se consolida como referência ofensiva do Brasil, tanto na seleção quanto no clube. Em amistosos e jogos oficiais recentes, participa diretamente de gols e assistências, lidera estatísticas de dribles e atrai marcação dupla com frequência. Sua ausência obrigaria Ancelotti a reposicionar funções e redistribuir responsabilidades criativas, algo sensível em um dos últimos ensaios antes da Copa.

Último teste antes da lista final aumenta pressão por respostas

O amistoso de terça-feira contra a Croácia carrega um peso maior do que o rótulo de simples preparação. Para a comissão técnica, o duelo funciona como laboratório definitivo para ajustes de sistema, entrosamento e hierarquia interna. A seleção europeia, algoz do Brasil em Copas recentes, oferece um cenário próximo de competição de alto nível, com marcação intensa, meio-campo experiente e jogo físico. Um Brasil sem Vini Jr tende a testar novas soluções de criação, seja com mudança de desenho tático, seja com maior protagonismo de outros atacantes.

Ancelotti sabe que cada escolha nesta Data Fifa será lida como sinal sobre a convocação de 18 de maio. Quando cita “mais certezas” após a partida na França, o treinador manda recado direto para quem disputa as últimas vagas. Jogadores como Gabriel Sara e Ibañez, mencionados nominalmente pelo técnico, enxergam contra a Croácia chance talvez decisiva de se firmar. A dúvida em torno de Vini Jr pode abrir espaço para um nome emergente ganhar tempo de campo e mudar a própria rota rumo à Copa.

O entorno da seleção, por sua vez, reagiu de imediato à notícia da preservação do camisa 7. Comentários nas redes sociais se dividem entre a defesa da cautela física e a cobrança por um desempenho convincente já agora. Cicinho, ex-lateral da seleção, resume o tom de parte da crítica ao dizer que “não pode” repetir erros da derrota para a França e cobra mais firmeza de Ancelotti em decisões de escalação.

Os próximos treinos em Orlando, neste domingo e na segunda-feira, vão definir se Vini Jr terá condições de enfrentar a Croácia, mesmo que por minutos controlados. A comissão técnica trabalha com cenários paralelos: um time com o atacante desde o início, outro com ele no banco e um terceiro sem qualquer participação. A resposta do corpo do jogador, e não apenas o planejamento tático, deve orientar a decisão final. A poucos dias da convocação que vai desenhar o Brasil da Copa, a dúvida sobre o principal protagonista ofensivo deixa em aberto uma pergunta central: até onde Ancelotti está disposto a arriscar hoje para chegar inteiro em junho?

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