Veterano tem braço quebrado ao protestar contra guerra ao Irã no Senado
O veterano dos Marines Brian McGinnis tem o braço quebrado por agentes de segurança ao interromper, nesta quinta (5), uma audiência no Senado dos EUA contra a guerra ao Irã. A ação violenta ocorre em meio à escalada militar de Washington e Israel contra Teerã e reacende o debate sobre limites à dissidência em plena capital americana.
Protesto em sessão pública vira cena de violência
O subcomitê das Forças Armadas do Senado discute, em Washington, o envolvimento dos Estados Unidos na guerra contra o Irã quando McGinnis se levanta e rompe o protocolo. Conhecido no meio ativista por sua atuação antiguerra, o ex-fuzileiro começa a gritar, em voz firme, que “ninguém quer lutar por Israel”. Em segundos, a sessão pública se transforma em confronto físico.
Imagens divulgadas pelo grupo feminino antiguerra Code Pink mostram o veterano sendo contido por seguranças dentro da sala da audiência. Ele é arrastado para o corredor, onde aparece sentado, encostado a uma parede, cercado por policiais. O braço esquerdo se mantém imóvel, colado ao corpo, enquanto ele demonstra dor visível. Horas depois, ativistas afirmam que o diagnóstico médico confirma a fratura.
A Reuters verifica o local das imagens ao comparar o vídeo com a transmissão oficial do governo e fotos de arquivo do Senado. A agência também checa a data da audiência, em 5 de março de 2026, com a mesma gravação institucional e com a fonte ligada ao Code Pink. O episódio entra rapidamente no circuito de redes sociais e repercute em sites independentes e grandes veículos americanos.
O alvo da crítica de McGinnis é o papel dos Estados Unidos na ofensiva militar conjunta com Israel. Desde sábado, 28 de fevereiro, os dois países conduzem uma onda de ataques a alvos iranianos, que atinge instalações militares, bases de mísseis e estruturas ligadas ao programa nuclear de Teerã. A operação ocorre em meio a décadas de tensão em torno da capacidade atômica do Irã e em plena campanha eleitoral americana.
Guerra se expande e pressiona dissidência interna
Os ataques de Washington e Tel Aviv desencadeiam respostas em cadeia no Oriente Médio. O regime dos aiatolás passa a bombardear ou ameaçar países que abrigam bases militares dos EUA, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Em poucos dias, a guerra extrapola fronteiras e transforma corredores estratégicos de energia e comércio em frente de batalha.
A situação se agrava no domingo, quando a mídia estatal iraniana anuncia que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, está entre as vítimas dos bombardeios americanos e israelenses. A morte do dirigente de 86 anos, no poder desde 1989, representa o maior abalo político na República Islâmica em mais de três décadas. O governo iraniano promete uma resposta “sem precedentes”.
O presidente Masoud Pezeshkian afirma, em pronunciamento transmitido pela TV estatal, que vingar os ataques de Israel e dos Estados Unidos é “direito e dever legítimo” do país. Autoridades em Teerã falam em preparar a “ofensiva mais pesada” da história contra seus adversários regionais. Analistas militares apontam risco de um conflito aberto envolvendo múltiplos teatros, do Golfo Pérsico ao Mediterrâneo oriental.
Do outro lado, o ex-presidente Donald Trump, ainda figura central no debate político americano, reforça o tom de confronto. Ele envia um recado direto ao Irã: “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. A frase circula em redes sociais e canais de TV a cabo, alimentando a retórica de escalada e pressionando a Casa Branca a manter uma postura dura.
Nesse ambiente, a cena de um veterano de guerra sendo ferido dentro do próprio Congresso expõe um segundo front: o interno. Organizações antiguerra denunciam o uso desproporcional da força contra McGinnis e lembram que a audiência era pública, transmitida ao vivo, em um dos templos da democracia americana. Para esses grupos, a mensagem implícita é de intimidação à dissidência em um momento em que o país volta a mergulhar em uma campanha militar longe de casa.
Liberdade de protesto em teste e próximos passos
Code Pink e outras organizações planejam transformar o caso em bandeira contra a guerra e em teste para os limites da liberdade de expressão em Washington. Advogados próximos aos ativistas falam em possíveis ações judiciais por uso excessivo da força e violação de direitos civis. Parlamentares da ala mais crítica às intervenções externas tendem a cobrar explicações formais da chefia de segurança do Senado nas próximas semanas.
O episódio também reforça a pressão sobre o governo americano quanto aos custos políticos e humanos da nova frente de conflito com o Irã. De um lado, setores do establishment de Defesa defendem a continuidade da campanha aérea até a completa neutralização da capacidade militar iraniana, especialmente de seus programas de mísseis e drones. De outro, cresce o temor de que uma guerra prolongada, sem prazo definido, repita o desgaste das intervenções no Iraque e no Afeganistão nas duas primeiras décadas dos anos 2000.
A escalada militar no Oriente Médio já afeta aliados estratégicos dos EUA na região, que convivem com o risco de retaliações diretas em seus territórios. Bases em países como Catar e Bahrein abrigam milhares de militares americanos e concentram ativos de alto valor, como caças de última geração e sistemas avançados de defesa aérea. Um ataque bem-sucedido a essas estruturas pode redesenhar o equilíbrio de forças em questão de horas.
Enquanto McGinnis se recupera do braço quebrado, seu protesto ganha novos significados. Para os movimentos antiguerra, o ex-fuzileiro encarna uma parcela dos veteranos que rejeita ver o país entrar em mais um ciclo de bombardeios e retaliações. Para autoridades de segurança, a interrupção de audiências sensíveis em plena escalada militar é vista como risco a ser contido com rapidez.
O Senado ainda não divulga em detalhes qual será a revisão dos protocolos de segurança após o incidente. A Casa é pressionada a equilibrar a proteção de autoridades com o direito de participar de sessões públicas, em um momento em que decisões tomadas em poucos dias podem determinar o rumo de uma guerra de alcance imprevisível. A pergunta que se abre, diante de um veterano imobilizado no corredor do Congresso, é até onde os EUA estão dispostos a ir, fora e dentro de casa, para sustentar mais uma guerra.
