Velório de Henrique Maderite reúne centenas em despedida emocionada em BH
O influenciador e empresário Henrique Maderite é velado neste domingo (8/2), no Cemitério Bosque da Esperança, na Região Norte de Belo Horizonte. Amigos, familiares e admiradores se reúnem desde o meio-dia para a última despedida, em uma cerimônia marcada por orações, homenagens silenciosas e forte comoção.
Despedida cercada de emoção e simbolismo
O salão principal do cemitério recebe, ao longo da tarde, um fluxo constante de pessoas que acompanharam a trajetória de Maderite nas redes e nos negócios. Coroas de flores ocupam o entorno do caixão e formam um corredor colorido, enviado por amigos próximos, parceiros comerciais e fãs que se organizam para prestar homenagem ao influenciador de 50 anos.
A presença da esposa, Nanda Maciel, concentra boa parte da atenção no velório. Ao fim da cerimônia aberta ao público, ela segue com familiares para a Sala de Cerimônia Imersiva, espaço reservado para uma despedida mais íntima. Ao atravessar o ambiente, Nanda se emociona, leva a mão ao rosto para conter o choro e acena em agradecimento quando os presentes se levantam e iniciam uma salva de palmas.
O gesto rompe o silêncio que domina a tarde e sintetiza o clima de despedida. Entre lágrimas e abraços demorados, pessoas que conviveram com o influenciador relembram a rotina de gravações e o bom humor que marcou a carreira de Maderite, seguido por cerca de 2 milhões de pessoas no Instagram. Em voz baixa, amigos comentam que a energia que ele projetava nos vídeos parecia incompatível com uma partida tão precoce.
Integrantes do Grupo Legendários também acompanham o velório. Em determinado momento, eles formam uma roda de oração ao lado do caixão, enquanto um músico toca violino. O som suave preenche o salão e faz alguns presentes se ajoelharem. Em aparelhos de celular, seguidores registram trechos da homenagem e enviam as imagens para parentes que não conseguem estar em Belo Horizonte.
Do bordão viral ao impacto nas redes e nos negócios
Henrique Maderite morre na sexta-feira (6/2), em sua propriedade no distrito de Amarantina, em Ouro Preto, Região Central de Minas Gerais. Segundo a Polícia Militar, o laudo da perícia aponta causas naturais e afasta, neste momento, qualquer indicação de crime. A confirmação traz algum alívio à família, que evita entrevistas longas, mas autoriza a presença da imprensa no cemitério.
O influenciador constrói a própria imagem a partir de situações simples do cotidiano, sempre com forte sotaque mineiro e humor direto. O bordão “Sexta-feira, papai. Pode olhar aí, ‘mei-dia’. Quem fez, fez” se espalha pelas redes e transforma Maderite em personagem recorrente em grupos de WhatsApp, vídeos curtos e campanhas comerciais. A expressão passa a marcar o início oficial do fim de semana para milhões de internautas.
Essa projeção digital abre portas no meio empresarial. Em pouco mais de uma década, Maderite amplia negócios ligados ao entretenimento, à criação de conteúdo e ao agronegócio, especialmente com o haras em Amarantina. Parcerias com marcas regionais e nacionais reforçam sua imagem de empreendedor que sai das telas para o mundo físico, participando de eventos, feiras e encontros com seguidores.
No cemitério, o impacto dessa trajetória aparece na mistura de perfis entre os presentes. Funcionários do haras dividem espaço com executivos de empresas que já anunciaram com o influenciador. Jovens que reproduzem o bordão em vídeos de humor esperam na fila ao lado de familiares de longa data. A sensação comum é de perda de uma figura que, para muitos, parece fazer parte da rotina doméstica.
Nas redes sociais, a morte gera reação imediata. Desde o anúncio do falecimento, na noite de sexta-feira, perfis de fãs publicam montagens com as frases mais conhecidas do influenciador. Vídeos antigos voltam a circular, agora acompanhados de mensagens de despedida e agradecimento. Em um dos tributos, o filho de Maderite compartilha um vídeo emocionado, no qual se refere ao pai como “exemplo de trabalho e alegria”.
Luto coletivo, legado digital e próximos passos
A comoção em torno do velório mostra como influenciadores digitais já ocupam um lugar central na vida cotidiana de parte do público brasileiro. A morte de Maderite interrompe uma carreira em ascensão, mas também escancara o tamanho do mercado que se organiza em torno da cultura de bordões e da presença constante em vídeos curtos. Empresas que apostam nesse tipo de comunicação perdem um parceiro de alto alcance e engajamento.
Para a família, o foco imediato é concluir a despedida em Belo Horizonte e organizar, em seguida, um período de recolhimento em Amarantina. Pessoas próximas avaliam a possibilidade de manter perfis oficiais do influenciador no ar, como forma de preservar o acervo de vídeos e fotos. A decisão, ainda em discussão, deve levar em conta o desejo da esposa e dos filhos, além de contratos publicitários em vigor.
Especialistas em cultura digital ouvidos em outras ocasiões já apontam que perfis de influenciadores se transformam, com frequência, em memoriais virtuais. Comentários, repostagens e homenagens mantêm o fluxo de interação mesmo após a morte do criador de conteúdo. A tendência deve se repetir com Maderite, cuja base de cerca de 2 milhões de seguidores segue ativa e mobilizada.
Produtores de conteúdo que trabalharam com ele discutem, de maneira preliminar, a criação de um evento anual em homenagem ao influenciador, possivelmente em Belo Horizonte ou em Ouro Preto. A ideia é reunir fãs, músicos e criadores para celebrar a cultura que Maderite ajudou a impulsionar. Não há definição de formato ou data, mas a proposta ganha força nas conversas de bastidores durante o velório.
O desfecho deste domingo encerra o rito presencial de despedida, mas inaugura outra fase da relação entre o público e a figura de Henrique Maderite. As próximas semanas devem consolidar tributos, vídeos especiais e reportagens sobre sua trajetória, em um processo de luto coletivo mediado pelas redes sociais. A dúvida que permanece é de que forma esse legado será organizado e preservado, e quem cuidará, a longo prazo, da memória digital construída ao longo de anos de trabalho.
