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Veiga estreia no América do México com quase gol e aval de Jardine

Raphael Veiga estreia pelo América do México na noite de 8 de fevereiro de 2026, entra no segundo tempo contra o Monterrey, quase marca e deixa boa impressão. O meia brasileiro atua pouco mais de 20 minutos na Cidade do México, sente a altitude, mas recebe elogios públicos do técnico André Jardine pela versatilidade e pela maneira como se apresenta ao jogo.

Estreia em casa, altitude e primeiro cartão de visitas

O Estádio Azteca vive uma noite de expectativa na quinta rodada do Clausura, a fase que decide o primeiro semestre do Campeonato Mexicano. Veiga começa no banco, ainda em processo de adaptação ao novo clube e ao futebol local, e entra aos 22 minutos do segundo tempo, com o América vencendo o Monterrey por 1 a 0. A missão é clara: dar controle ao meio-campo e oferecer mais presença ofensiva.

O brasileiro rapidamente pede a bola, se aproxima dos zagueiros para iniciar as jogadas e tenta acelerações pelo centro. Em uma das primeiras finalizações com a nova camisa, arrisca de pé direito de fora da área. A bola ganha curva e desce perigosamente, mas o goleiro Luis Cárdenas reage com reflexo de manual e evita o gol, em uma das defesas mais comentadas da rodada. Em outros chutes, Veiga exagera na força e manda por cima, ainda calibrando o pé em um ambiente diferente.

O contexto físico pesa. A Cidade do México está a mais de 2 mil metros de altitude, um desafio conhecido para quem chega de ligas como a brasileira, disputada em cidades majoritariamente ao nível do mar. Após o jogo, Veiga admite o impacto em entrevista rápida na zona mista. “Estou muito feliz por estrear com esta camisa. A altitude ainda me afeta um pouco, mas a cada dia me sinto melhor para ajudar mais a equipe e para que juntos possamos conquistar títulos este ano”, diz. As frases revelam um misto de alívio pela estreia e consciência do processo que ainda precisa percorrer.

O jogo termina em 1 a 0 para o América, que soma três pontos importantes no Clausura e reforça a campanha rumo à parte de cima da tabela. A atuação de pouco mais de 20 minutos é suficiente para colocar Veiga no centro do debate pós-jogo, entre torcedores e analistas, pela forma como ocupa diferentes zonas do campo e se oferece como opção de passe entre as linhas do Monterrey.

Versatilidade tática e o espaço deixado por Fidalgo

André Jardine, campeão mexicano e cada vez mais consolidado no comando do América, escolhe palavras cuidadosas ao analisar a estreia. O treinador enxerga em Veiga uma peça que pode redesenhar o meio-campo em 2026, especialmente após a saída do espanhol Álvaro Fidalgo para o Real Betis, da liga espanhola. “O que eu gosto neste jogador é a sua capacidade de jogar em qualquer posição no meio-campo, mais ou menos como usávamos o Fidalgo, como um ‘8’, ’10’, como um ponta, na ala oposta”, afirma.

O recado é direto ao torcedor do América que ainda sente falta de Fidalgo. Em vez de um substituto simples, Jardine tenta mostrar um meio-campo mais flexível, em que Veiga possa circular entre a criação central e os lados, aproximando-se dos atacantes e ajudando na pressão sem a bola. “Este jogador é capaz de desempenhar muitas funções, e vamos agregar muito ao seu jogo. Ele é um jogador que adora a bola, gosta de ser um daqueles jogadores em campo que ditam o ritmo, que tem uma ótima visão de jogo. Espero que ele consiga, porque acho que ele vai contribuir muito”, completa o técnico.

Veiga chega ao México com o peso de quase uma década de protagonismo no futebol brasileiro. No Palmeiras, acumula títulos nacionais e continentais, gols decisivos em finais e status de referência técnica. Em 2026, sua mudança para o América representa uma das principais transferências da janela para clubes latino-americanos, com a diretoria mexicana apostando em experiência e repertório ofensivo para manter a equipe entre as favoritas ao título.

A estreia, ainda que curta, indica o roteiro que Jardine pretende seguir. O treinador mexe pouco na estrutura defensiva e dá a Veiga liberdade para se mover às costas dos volantes rivais, aproximar-se do camisa 9 e se oferecer como opção de recuo quando a equipe precisa respirar. O quase gol de fora da área mostra a facilidade do brasileiro para finalizar de média distância, um recurso que pode se tornar arma recorrente no Clausura.

O que muda para o América e os próximos passos de Veiga

A entrada de Veiga na rotação do meio-campo aumenta a concorrência interna e abre novas combinações para Jardine. O treinador passa a ter um jogador capaz de atuar como meia central, articulador mais avançado ou falso ponta, sem alterar radicalmente o desenho da equipe. Para o América, que divide a temporada entre o Clausura e competições continentais, essa flexibilidade ajuda a distribuir minutos e preservar o elenco em uma agenda que costuma passar dos 50 jogos no ano.

Os primeiros sinais também interessam ao próprio jogador. Adaptar-se à altitude costuma levar algumas semanas, e o próprio Veiga admite esse prazo. Em outro trecho da entrevista, ele valoriza o ambiente interno. “Muito bom, como eu disse em outra entrevista, nós damos o nosso melhor em campo e eles também dão o melhor de si fora de campo. Juntos, estamos perto de conquistar ainda mais”, afirma, numa tentativa de reforçar a sintonia com o elenco e a comissão técnica logo no início da passagem.

No curto prazo, a comissão técnica deve aumentar gradualmente o tempo de Veiga em campo. A estreia aos 22 minutos do segundo tempo funciona como etapa de teste: sentir o ritmo da liga, medir o impacto da altitude e observar como o meia se conecta com os novos companheiros. A tendência, se a adaptação física avançar como previsto, é que ele ganhe uma vaga entre os titulares nas próximas semanas, principalmente em jogos em casa, em que o América costuma assumir o controle da posse de bola.

A médio prazo, o desempenho de Veiga tem potencial para influenciar o desenho competitivo do Clausura. Um América com um meio-campo mais criativo e com chegada à área aumenta as chances de disputar o título e manter pressão sobre os rivais diretos. Para o jogador, a passagem pelo México pode abrir novas janelas, seja de volta à seleção brasileira, seja em futuras negociações com clubes europeus. A questão que se impõe, a partir desta estreia de quase gol e elogios públicos, é quanto tempo levará para que o novo camisa do América deixe de ser promessa de impacto e se torne protagonista regular de noites decisivas na Cidade do México.

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