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Vasco vira sobre o Palmeiras e estreia vitoriosa de Renato Gaúcho

O Vasco vence o Palmeiras por 2 a 1, de virada, na noite desta quinta-feira (12), em São Januário, e abre com vitória a terceira passagem de Renato Gaúcho. O resultado pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro tira o time da zona de rebaixamento e devolve algum fôlego à Colina Histórica.

Renato reencontra São Januário sob pressão

Renato Gaúcho volta ao estádio que marca alguns dos momentos mais turbulentos e também mais festivos da história recente vascaína. Chega pressionado, com o time na lanterna, com apenas um ponto em quatro rodadas, encarando um Palmeiras que soma 10 pontos e briga pela liderança. A estreia cobra resposta rápida, e ela vem em 90 minutos intensos.

O ambiente em São Januário mistura desconfiança e expectativa. Parte da torcida questiona a diretoria, outra parte deposita no treinador a esperança de uma arrancada, como em 2011. O Palmeiras, apesar de visitante, entra em campo com a autoridade de quem é candidato declarado ao título e vê a rodada como chance de abrir distância para rivais diretos.

O primeiro tempo oferece o roteiro que parecia mais previsível. O Vasco tenta acelerar pelos lados, com Andrés Gómez chamando a responsabilidade, mas esbarra na organização palmeirense. O time paulista equilibra rápido, domina a bola no meio-campo e passa a ditar o ritmo. As jogadas insistem pela direita, explorando brechas às costas de Piton.

Aos 40 minutos, a diferença técnica aparece em um lance. Flaco López recebe aberto, limpa Gómez e Piton, invade a área e finaliza colocado, de chapa, no canto. O 1 a 0 premia a superioridade do Palmeiras na reta final do primeiro tempo e aumenta a tensão nas arquibancadas. Vaias isoladas começam a recair sobre Piton, alvo preferencial da impaciência cruz-maltina.

Virada em casa muda o humor da torcida e da tabela

O intervalo marca o primeiro gesto forte de Renato. Piton fica no vestiário, e Cuiabano entra para tentar conter o lado direito palmeirense e dar mais profundidade ao ataque vascaíno. A mudança altera o desenho da partida. O Vasco volta com mais intensidade, adianta as linhas e passa a roubar bolas mais perto da área adversária.

O empate nasce de uma jogada que sintetiza a proposta do novo técnico. Aos 17 minutos do segundo tempo, Thiago Mendes conduz pelo meio, encontra David na entrada da área e recebe de volta de primeira. O volante ajeita o corpo e bate colocado, supera Carlos Miguel e faz 1 a 1. O gol acende o estádio e devolve confiança a um time até então ansioso.

O Palmeiras sente o golpe e demora a retomar o controle. O Vasco aproveita o momento e mantém a pressão. Aos 29 minutos, a virada ganha corpo e nome. Cuiabano, vaiado em outras noites pelo torcedor gremista e agora em busca de espaço no Rio, arranca pela esquerda, tabela com Paulo Henrique e aparece na área para empurrar para o gol. O 2 a 1 é o primeiro dele com a camisa cruz-maltina e transforma a desconfiança em festa.

Com a vantagem, o Vasco recua um pouco, mas não abandona a disputa por cada bola. O Palmeiras passa a rondar a área, ocupa o campo de ataque, mas esbarra em dificuldades para criar chances claras. Nos acréscimos, ainda encontra a melhor oportunidade de empatar: Gustavo Gómez escora cruzamento, Allan pega de primeira, e Léo Jardim salva com reflexo rápido, preservando os três pontos.

O placar final altera de forma concreta o cenário do Brasileirão para os dois lados. O Vasco chega a quatro pontos, deixa a lanterna e assume a 15ª posição, ainda colado à zona de rebaixamento, mas agora com margem para trabalhar. O Palmeiras permanece com 10 pontos, na segunda colocação, ainda no bolo de cima, mas desperdiça a chance de abrir diferença em relação a adversários diretos.

Arrancada, pressão e os próximos capítulos do Brasileirão

A vitória reforça o peso simbólico da volta de Renato Gaúcho. O treinador não recebe tempo para testes longos. Em plena quinta rodada, encara um candidato ao título, com estádio cheio, elenco em reconstrução e ambiente político tenso. A resposta imediata vem no placar e também na postura em campo, com um segundo tempo mais agressivo e organizado.

O resultado, porém, não encerra dúvidas. O Vasco ainda convive com fragilidades defensivas, sobretudo nos lados do campo, e sente falta de constância ao longo dos 90 minutos. A diferença é que, depois da virada sobre o Palmeiras, o time passa a trabalhar com algum colchão de segurança na tabela e com uma narrativa menos sufocante nos bastidores.

Para o Palmeiras, a derrota acende um alerta moderado. A equipe continua entre as primeiras colocadas, mas volta para São Paulo sob pressão por desempenho mais sólido contra rivais que brigam na metade de baixo da tabela. A oscilação em jogos assim costuma cobrar preço no fim do campeonato, quando cada ponto perdido contra equipes em reconstrução aparece no balanço final.

O calendário impede qualquer acomodação. No domingo (15), às 20h30, o Vasco visita o Cruzeiro no Mineirão. A partida em Belo Horizonte funciona como termômetro para medir se a virada em São Januário é ponto fora da curva ou início de reação consistente. Mais cedo, às 18h30, o Palmeiras recebe o Mirassol no Allianz Parque com a obrigação tácita de reagir diante de sua torcida.

O Brasileirão ainda engatinha, mas a noite de 12 de março já oferece pistas sobre o que vem pela frente. O Vasco encontra um fio de esperança em meio ao início claudicante. O Palmeiras, mesmo no alto da tabela, redescobre que o campeonato não perdoa relaxo. As próximas rodadas vão dizer se a estreia de Renato Gaúcho marca apenas um respiro ou o início de uma virada mais profunda na Colina Histórica.

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