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Vasco vira sobre o Palmeiras e estreia Renato Gaúcho com alívio

O Vasco vira sobre o Palmeiras, vence por 2 a 1 em São Januário e estreia Renato Gaúcho com alívio no Brasileirão nesta quinta-feira (12), no Rio. A vitória tira o time da lanterna, recoloca o clube na briga contra o rebaixamento e dá fôlego à terceira passagem do treinador pela Colina.

Estreia de impacto em noite de pressão

Renato Gaúcho pisa novamente em São Januário sob desconfiança, mas encontra um estádio lotado e impaciente. O time chega à quinta rodada com apenas um ponto em quatro jogos, na última posição da tabela, enquanto o Palmeiras desembarca no Rio com 10 pontos e clima de líder consolidado. O encontro opõe um elenco pressionado a um rival que testa força de candidato ao título.

Os primeiros minutos expõem o nervosismo vascaíno. A torcida empurra, o time tenta acelerar e Andrés Gómez assume o protagonismo nas arrancadas pela direita. O Palmeiras, mais seguro, logo reduz o ímpeto do adversário, prende a bola no meio-campo e encontra terreno fértil pelo lado direito do ataque. Quando o relógio marca 40 minutos do primeiro tempo, a diferença de momento entre as equipes se traduz no placar.

Flaco López recebe aberto, encara Andrés Gómez e Lucas Piton, entra na área e finaliza de chapa. A bola viaja sem defesa para Léo Jardim e silencia parte da arquibancada. O 1 a 0 faz o Palmeiras confirmar o roteiro esperado: controle emocional, eficiência e vantagem fora de casa. Os gritos nas sociais se voltam para o time e, principalmente, para Piton, vaiado com insistência a cada erro.

Renato retorna do intervalo com uma decisão emblemática. Tira Piton, alvo da irritação da torcida, e lança Cuiabano na lateral esquerda. O movimento, simples no papel, muda o ambiente. A substituição devolve energia ao setor e sinaliza que o treinador não pretende manter hierarquias intocáveis em um elenco em crise.

Virada, alívio na tabela e jogo político

O segundo tempo começa com o Vasco mais alto, agressivo e disposto a recuperar a posse rapidamente. O meio-campo se aproxima, Thiago Mendes sobe a marcação e a equipe passa a jogar mais tempo no campo ofensivo. O empate amadurece até os 17 minutos. Thiago conduz pelo corredor central, acha David na entrada da área, recebe de volta em tabela curta e finaliza colocado, no canto, para vencer Carlos Miguel e fazer 1 a 1.

O gol muda a atmosfera em São Januário. A torcida volta a cantar com força, Renato vibra na linha lateral e o Palmeiras sente o golpe. O líder passa a recuar alguns metros, tenta esfriar o jogo, mas oferece espaço às costas dos laterais. É nesse cenário que Cuiabano começa a aparecer. O lateral, que chega ao intervalo sob olhares curiosos, rapidamente conquista a arquibancada com arrancadas pela esquerda.

Aos 29 minutos, o movimento que transforma uma estreia em marco se completa. Cuiabano dispara pela ponta, tabela com Paulo Henrique, infiltra na área como um atacante e finaliza de primeira, no meio da área. A bola entra, o 2 a 1 se confirma e o jogador anota seu primeiro gol com a camisa cruz-maltina em um dos jogos mais pesados do ano. O estádio explode, e Renato comemora cercado pela comissão técnica. A virada transforma uma noite de medo em capital político para o treinador e para a direção.

O placar obriga o Palmeiras a assumir o protagonismo nos minutos finais. João Martins adianta as linhas, coloca Allan, Giay e Luighi, e a equipe passa a ocupar o campo de ataque. O Vasco recua, protege a área e tenta sair em contra-ataques esporádicos, sempre com cuidados defensivos. A melhor chance alviverde surge já nos acréscimos, quando Gustavo Gómez escora cruzamento e Allan pega de primeira. Léo Jardim faz defesa decisiva e preserva os três pontos.

O resultado reorganiza a parte de baixo da tabela. O Vasco chega a quatro pontos em cinco jogos, deixa a zona de rebaixamento e assume a 15ª posição. O Palmeiras permanece com 10 pontos, agora sob maior vigilância dos concorrentes diretos na disputa pela liderança. Em um campeonato de 38 rodadas, uma virada em março não define destinos, mas ajusta humores e narrativas.

Renato ganha tempo, Vasco respira e Brasileirão se ajusta

A vitória na estreia oferece a Renato Gaúcho algo raro em clubes sob turbulência: tempo. O treinador volta ao Vasco com discurso de reconstrução gradual e, ao derrubar um dos candidatos ao título logo no primeiro jogo, amplia sua margem de manobra interna. O elenco reage bem às mudanças simples, como a entrada de Cuiabano e o adiantamento de Thiago Mendes, e parece comprar a ideia de maior protagonismo com a bola no segundo tempo.

Dentro do clube, o resultado reduz a temperatura em conselhos, diretorias e entre investidores. Uma derrota em casa, diante de um líder de campeonato, alimentaria questionamentos imediatos sobre elenco, departamento de futebol e até sobre a escolha por Renato para a terceira passagem. Com o 2 a 1, o discurso muda de tom. A conversa passa de crise para oportunidade, com foco em ajustes pontuais e reforços específicos.

Do lado palmeirense, o tropeço funciona como alerta em um calendário ainda apertado. O time mostra controle na etapa inicial, mas sofre para responder à intensidade vascaína após o intervalo. A dificuldade para criar chances claras, mesmo com mais posse de bola no fim, expõe uma noite de pouca inspiração ofensiva. Em pontos corridos, derrotas assim cobram preço em maio, quando a diferença para rivais diretos começa a pesar.

O calendário não oferece muito tempo para celebrações ou lamentações. O Vasco volta a campo no domingo, 15 de março, às 20h30, contra o Cruzeiro, no Mineirão, pela sexta rodada do Brasileirão. O Palmeiras recebe o Mirassol mais cedo, às 18h30, no Allianz Parque, também pelo nacional. A sequência mostra até que ponto a virada em São Januário representa um ponto de virada na temporada vascaína ou apenas uma reação isolada em meio à pressão constante.

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