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Vasco vence Botafogo, evita Flu e garante vaga nas quartas do Carioca

O Vasco vence o Botafogo por 2 a 0, na noite deste domingo (8), em São Januário, e carimba vaga nas quartas de final do Campeonato Carioca. A vitória no clássico ainda permite ao time cruzmaltino evitar um confronto imediato com o Fluminense, líder do grupo A.

Chuva, atraso e um clássico decidido no segundo tempo

A partida começa com cara de noite tensa muito antes do apito inicial. Um temporal castiga São Januário, alaga o gramado e empurra o início do jogo para meia hora depois do previsto. As poças espalhadas pelo campo travam o ritmo, obrigam chutões e deixam os jogadores desconfortáveis em cada domínio.

O Vasco, empurrado pela torcida que enfrenta a chuva na Colina, toma a iniciativa desde os primeiros minutos. O Botafogo, com time misto, se fecha e tenta respirar com passes curtos, mas quase não consegue atravessar o meio-campo em bloco. As chances claras praticamente não aparecem.

O equilíbrio já frágil desaba aos 43 minutos do primeiro tempo. Marquinhos chega atrasado em Barros e acerta um carrinho forte no meio-campista vascaíno. O árbitro mostra o cartão vermelho direto. Com um a mais, em casa e precisando da vitória para se garantir entre os classificados, o Vasco volta do intervalo com outra postura.

O gol não demora. Aos 3 minutos da etapa final, Brenner, recém-chegado ao clube, aproveita erro da zaga alvinegra depois de jogada pela esquerda de Bernardo. O atacante domina com calma dentro da área e finaliza firme, sem chances para Léo Linck. O 1 a 0 muda o clima no estádio e dá ao Vasco o controle emocional do clássico.

O Botafogo tenta reorganizar a marcação, baixa as linhas e espera por um contra-ataque salvador, mas o cenário não ajuda. Com um jogador a menos, o time quase não consegue sair do próprio campo. O Vasco gira a bola, atrai o adversário e explora os espaços pelos lados, amadurecendo o segundo gol.

Classificação, chave mais favorável e protagonismo de Coutinho

Aos 17 minutos do segundo tempo, a pressão vascaína finalmente se converte em segurança no placar. Após nova investida pela área, a defesa botafoguense se atrapalha e comete pênalti. Philippe Coutinho assume a responsabilidade. O camisa 10, símbolo da reconstrução técnica do clube, caminha com calma, olha o goleiro e bate no meio do gol. Léo Linck salta para o canto, a bola entra limpa, e São Januário explode.

Coutinho encara o momento como divisor de águas na campanha estadual. Em entrevista na saída de campo, o meia resume o sentimento no elenco: “A gente sabia que esse jogo valia muito mais do que três pontos. Era a nossa vaga e o caminho nas quartas. Agora precisamos confirmar esse passo contra o Volta Redonda”. O peso da vitória aparece também na tabela.

Com os 2 a 0, o Vasco fecha a Taça Guanabara na segunda posição do grupo A, com 11 pontos, atrás apenas do Fluminense. O resultado garante o cruzmaltino nas quartas de final contra o Volta Redonda, terceiro colocado do grupo. A combinação evita o clássico imediato contra o Tricolor das Laranjeiras, líder da chave e um dos elencos mais fortes do estadual.

O Botafogo deixa São Januário derrotado, mas não fora do campeonato. O time já entra em campo classificado e termina a fase como líder do grupo B, com 9 pontos. O castigo vem na forma do próximo adversário. Nas quartas, o clube de General Severiano encara o Flamengo, dono de elenco estrelado e candidato natural ao título carioca.

A expulsão de Marquinhos e a atuação irregular do time misto escancaram o dilema botafoguense na reta final da Taça Guanabara. A comissão técnica precisa equilibrar calendário, dar ritmo aos reforços e, ao mesmo tempo, manter competitividade nos clássicos. A postura tímida em São Januário cobra preço alto na chave.

Impacto esportivo, pressão por resultados e próximos capítulos

A vitória deste domingo reposiciona o Vasco no tabuleiro político e esportivo do Campeonato Carioca. Depois de anos de campanhas irregulares, o clube encerra a fase de grupos em situação de protagonismo: classificado, com ataque mais confiante e um ídolo em processo de retomada. O pênalti convertido por Coutinho, aos 17 do segundo tempo, reforça a imagem de líder técnico em uma equipe ainda em construção.

Dentro de campo, o resultado oferece um caminho teoricamente menos turbulento. Enfrentar o Volta Redonda, terceiro do próprio grupo, é mais confortável do que encarar logo nas quartas o Fluminense, que termina líder com vantagem e desempenho consistente. O cruzmaltino ganha tempo para ajustar movimentos, corrigir falhas defensivas e consolidar entrosamento antes de um possível encontro com rivais de maior investimento.

O Botafogo vive cenário oposto. A derrota por 2 a 0, com gol cedo de Brenner e pênalti de Coutinho, expõe fragilidades de um elenco ainda em formação. Mesmo com a liderança do grupo B, o time chega às quartas sob desconfiança da torcida. A expulsão de Marquinhos, aos 43 do primeiro tempo, vira tema inevitável nos corredores do clube, tanto pela imprudência na jogada quanto pelo impacto direto na estratégia do clássico.

A preparação para enfrentar o Flamengo ganha contornos de urgência. O Botafogo paga recente transfer ban e enfim pode registrar novos jogadores, mas o tempo para encaixá-los é curto. A comissão técnica precisa decidir se aposta em um time mais experiente ou mantém a ideia de rodar o elenco, mesmo em jogo eliminatório. Cada escolha carrega risco alto em um mata-mata curto.

Vasco em ascensão, Botafogo pressionado e um mata-mata aberto

O cenário que emerge de São Januário nesta 8ª rodada da Taça Guanabara é de um Vasco fortalecido não só pela classificação, mas pelo modo como constrói o resultado. Controla o jogo mesmo sob chuva intensa, se impõe com um a mais e mostra eficiência ao transformar erro adversário em gol logo no início do segundo tempo. A atuação madura diante de um rival tradicional alimenta a confiança da torcida para o duelo com o Volta Redonda.

O Botafogo deixa o estádio com mais perguntas do que respostas. A atuação discreta do time misto, as dificuldades para criar mesmo antes da expulsão e a chance desperdiçada de chegar às quartas em alta pesam no ambiente interno. O chute perigoso de Kauan Toledo, aos 30 do segundo tempo, simboliza a reação tardia em uma noite em que o Glorioso quase não incomoda o goleiro vascaíno.

As quartas de final colocam agora dois caminhos distintos. De um lado, o Vasco tenta transformar a vitória no clássico em ponto de virada da temporada, com a presença de Coutinho como referência técnica e gols de nomes recém-chegados, como Brenner. Do outro, o Botafogo corre contra o relógio para organizar o elenco, registrar reforços e ajustar a estratégia diante de um Flamengo mais descansado e encorpado.

O mata-mata começa com um cruzmaltino em alta e um alvinegro pressionado, mas o estadual mostra, ano após ano, que favoritos nem sempre confirmam a lógica em noventa minutos. A resposta definitiva sobre quem transforma melhor essa noite chuvosa de São Januário em vantagem duradoura virá nas próximas semanas, quando a bola rolar valendo vaga na semifinal.

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