Vasco negocia quatro saídas em um dia para aliviar folha salarial
O Vasco da Gama acerta, neste sábado (24), a saída de quatro jogadores pouco utilizados por Fernando Diniz. Empréstimos e vendas aliviam a folha salarial e reorganizam o elenco para 2026.
Movimento coordenado para desafogar os cofres
Em poucas horas, o departamento de futebol conclui negociações com quatro destinos diferentes, em três continentes. Juan Sforza vai por empréstimo ao Talleres, da Argentina, enquanto Leandrinho, Maxime Dominguez e Paulinho deixam o clube em definitivo, rumo a Sharjah FC, nos Emirados Árabes Unidos, KS Cracóvia, na Polônia, e Fortaleza.
A estratégia é explícita: reduzir custos sem mexer no núcleo considerado essencial por Diniz. A diretoria usa jogadores com pouco espaço como moeda para aliviar uma folha pressionada por salários altos e contratos longos. Internamente, o movimento é tratado como ajuste necessário para manter margem de manobra na temporada.
Sforza, Leandrinho, Dominguez e Paulinho deixam elenco de Diniz
Juan Sforza, contratado em 2024 junto ao Newell’s Old Boys, volta ao futebol argentino. O volante de 23 anos acerta empréstimo ao Talleres até o fim de 2026. No ano passado, o jogador passa pelo Juventude, emprestado, e disputa apenas oito partidas, sem gols ou assistências. No Vasco, não se firma na rotação idealizada por Diniz.
Leandrinho, lateral formado em São Januário, vive trajetória diferente. Depois de ganhar oportunidades no time principal em 2024, perde espaço e é cedido ao Al-Shabab, da Arábia Saudita, onde soma 10 jogos e duas assistências. Agora, o vínculo com o Vasco se encerra: o jogador é vendido em definitivo para o Sharjah FC. A transferência marca o fim de um ciclo da base, num momento em que o clube tenta monetizar ativos formados em casa.
Segundo o portal “Atenção, Vascaínos!”, o meia suíço Maxime Dominguez também deixa o elenco de forma definitiva. Ele é negociado com o KS Cracóvia, da Polônia, após uma passagem discreta desde a chegada, em setembro de 2024. Em 15 jogos pelo Vasco, marca um gol e distribui uma assistência. No ano passado, atua emprestado pelo Toronto FC, na MLS, com 25 partidas e uma assistência, mas não convence a comissão técnica de que pode ser protagonista em São Januário.
Outra saída simbólica é a de Paulinho, lateral revelado na base vascaína. O jogador acerta com o Fortaleza em transferência definitiva, mas sem pagamento imediato pelos direitos. Os clubes fecham uma parceria na divisão dos direitos econômicos, aposta que pode render futuro retorno financeiro em caso de revenda. A informação é do jornalista Venê Casagrande, que lembra ainda que, em 2025, o Vasco recusa proposta do Atlético-MG pelo atleta.
Alívio financeiro e espaço para reforços
O pacote de saídas segue uma lógica clara de gestão. Todos os quatro atletas perdem espaço com Fernando Diniz e, na prática, transformam-se em custo sem retorno esportivo à altura. Ao negociar empréstimos e vendas, o Vasco reduz a despesa mensal com salários, encargos e possíveis gatilhos contratuais, ganhando fôlego para o restante de 2026.
A diretoria não revela números oficiais, mas admite reservadamente que a economia mensal é relevante no orçamento operado desde a criação da SAF. A redução de gastos com quem não atua abre margem para investir em posições consideradas carentes. A lista de especulações ilustra o momento: Deyverson tem o nome aprovado por Diniz, segundo a RTI Esporte, enquanto outros atacantes, como Claudio Spinelli e Jhon Córdoba, aparecem ligados ao clube.
O cenário esportivo também pressiona por respostas rápidas. Após perder por 1 a 0 para o Flamengo, no clássico de quarta-feira (21), pelo Campeonato Carioca, o Vasco encara uma sequência de jogos que inclui Boavista, Madureira e Mirassol entre 25 e 31 de janeiro. O desempenho inicial, com três jogos, uma vitória, um empate e uma derrota, além de quatro gols marcados e três sofridos, coloca a equipe em zona de observação, ainda distante de qualquer conforto.
O técnico busca um elenco mais enxuto e funcional. Menos jogadores insatisfeitos e mais opções prontas para executar um modelo de jogo intenso. A limpeza na folha, portanto, também tem componente de vestiário. Com menos concorrência artificial, jovens como Guilherme Estrella, que renova contrato até 2028, ganham espaço real para crescer dentro do clube.
Rede internacional e dúvida sobre o próximo passo
As negociações reforçam uma tendência recente do Vasco: circular jogadores em mercados distintos, da América do Sul ao Oriente Médio, passando pela Europa Central. A presença de atletas em ligas argentinas, polonesas e árabes cria pontes comerciais que podem facilitar futuros negócios, seja para vender, comprar ou recolocar jogadores em vitrines mais adequadas.
Essa política tenta equilibrar a urgência do caixa com algum planejamento de médio prazo. No acordo com o Fortaleza por Paulinho, por exemplo, o Vasco abre mão de dinheiro imediato para manter participação em uma possível venda futura. No caso de Sforza, o empréstimo ao Talleres preserva o ativo e mantém a aposta em valorização no mercado argentino, onde o volante é mais conhecido.
Enquanto os nomes deixam São Januário, a torcida acompanha outro movimento em paralelo. Hinestroza, especulado para reforçar o ataque, concede entrevistas e tem chegada ao Rio de Janeiro prevista para as próximas horas. A rotina de aeroporto, exames e assinatura de contrato se mistura à reconstrução silenciosa da folha salarial.
A pergunta que fica é se o alívio imediato nas contas será acompanhado por reforços à altura das ambições esportivas. A temporada de 2026 cobra resultados rápidos, em campo e no balanço. O Vasco abre espaço, corta custos e redesenha o elenco; a próxima resposta, agora, virá das contratações e do placar.
