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Vasco marca reunião com Renato Gaúcho para possível troca de técnico

A direção do Vasco se reúne nesta terça-feira com Renato Gaúcho, ou com seu representante, para discutir a possível sucessão de Fernando Diniz. O encontro, confirmado por pessoas ligadas às negociações, recoloca o treinador como opção para assumir o comando técnico do clube.

Renato volta ao radar em meio à pressão por resultados

A reunião ocorre em um momento de questionamento interno sobre o desempenho da equipe sob o comando de Fernando Diniz. A direção entende que o time não sustenta a regularidade esperada em competições nacionais e vê em Renato um caminho para tentar retomar protagonismo esportivo. O encontro desta terça funciona como uma sondagem aprofundada, que pode avançar para proposta formal, caso haja alinhamento financeiro e esportivo.

Renato Gaúcho já esteve perto de trabalhar em São Januário recentemente. Antes da contratação de Fábio Carille, em negociação fechada em 2024, o técnico figurou entre as principais alternativas discutidas pela cúpula vascaína. O alto salário pedido pelo treinador, segundo dirigentes à época, foi um dos entraves que esfriaram o acerto. A possibilidade agora volta à mesa em condições diferentes, depois de novas experiências do técnico em clubes de ponta.

Sem acordo com o Vasco naquele momento, Renato aceita o convite do Fluminense para substituir Mano Menezes e assume o clube das Laranjeiras. Sob seu comando, o time chega à semifinal da Copa do Mundo de Clubes, disputada nos Estados Unidos, resultado que reforça a imagem de treinador capaz de conduzir elencos a fases decisivas. A campanha no torneio internacional pesa nas conversas atuais, já que o Vasco busca alguém com histórico recente de grandes decisões.

O currículo recente também inclui a passagem pelo Grêmio, em que Renato termina o Campeonato Brasileiro de 2023 como vice-campeão. O time gaúcho encerra a competição na segunda colocação, mostrando regularidade ao longo de 38 rodadas. Dentro do Vasco, esse histórico é usado como argumento em favor de um perfil de treinador considerado mais pragmático, com ênfase em organização defensiva e bolas paradas, em contraste com a proposta mais arriscada de Diniz.

Estilos opostos e impacto no projeto esportivo

Renato e Diniz representam ideias distintas de jogo. O atual técnico do Vasco é identificado com a saída de bola curta, circulação paciente e intensidade na troca de passes desde a defesa, ainda que isso aumente o risco de erros perto da área. Renato costuma adotar postura mais direta, com valorização de velocidade pelos lados do campo, cruzamentos e uso frequente de centroavantes de referência. A mudança, se confirmada, significaria uma guinada conceitual no projeto em São Januário.

Apesar das diferenças, existe um ponto em comum entre os dois no histórico com o clube. Ambos chegam à final da Copa do Brasil pelo Vasco e ficam com o vice-campeonato. Renato perde a decisão de 2006 para o Flamengo, em confrontos que fortalecem a rivalidade carioca e ainda estão vivos na memória do torcedor mais antigo. Diniz repete o roteiro quase duas décadas depois, ao ser superado pelo Corinthians na decisão de 2025. As duas campanhas ajudam a sustentar a ideia de que o clube consegue ir longe em mata-mata, mas ainda esbarra no título.

A negociação atual envolve não só salário, mas autonomia, tempo de contrato e participação em decisões sobre reforços. Em experiências recentes, Renato costuma discutir de forma direta o planejamento de elenco, inclusive com indicação de perfis específicos de atacantes e laterais. O Vasco, por sua vez, tenta equilibrar o desejo de um técnico experiente com a necessidade de controlar a folha salarial, que já sofre pressão depois de investimentos em contratações nos últimos anos.

Internamente, dirigentes avaliam que um nome de grande apelo como Renato pode influenciar o ambiente do clube de forma imediata. A presença de um treinador com histórico de títulos nacionais e campanhas em competições continentais tende a mexer com a confiança do elenco e com o humor das arquibancadas. A troca de comando, se confirmada, exigirá também um ajuste rápido no modelo de jogo, já que parte do elenco é montada para as exigências táticas de Diniz.

Torcida, mercado e próximos passos da negociação

A possibilidade de Renato Gaúcho em São Januário repercute entre torcedores e no mercado da bola. Empresários ouvidos reservadamente avaliam que um treinador de grande visibilidade pode ajudar em conversas com possíveis reforços, sobretudo jogadores em fim de contrato em outros grandes centros. Patrocinadores também observam o movimento. Um técnico de nome costuma aumentar exposição de marca, especialmente em transmissões de TV e redes sociais, fator considerado na hora de renovar acordos ou negociar novos aportes.

O outro lado da balança inclui o custo de uma eventual demissão de Fernando Diniz. A rescisão de contrato, que pode superar a casa de alguns milhões de reais somando multas e comissão técnica, entra na conta da diretoria. A troca, portanto, não é apenas esportiva, mas também financeira. Pessoas próximas aos dirigentes descrevem o momento como de “avaliação cuidadosa”, em que desempenho recente, calendário de competições e saúde financeira são colocados na mesma planilha.

A partir da reunião desta terça, o Vasco deve sair com um cenário mais definido. Se houver alinhamento em relação a salário, bônus por metas e duração do vínculo, a diretoria tende a avançar para uma proposta formal ainda nesta semana. Em caso de divergências, o clube mantém Diniz e adia qualquer ruptura, enquanto observa o comportamento do time nos próximos jogos decisivos da temporada. O resultado dessas partidas pode acelerar ou frear a urgência por mudança.

Renato aguarda o desenrolar das conversas ciente de que seu nome volta a circular com força no mercado brasileiro. O Vasco tenta decidir se dá um passo em direção a um modelo mais pragmático, ainda que custoso, ou se insiste no projeto atual de Fernando Diniz, apostando em ajustes internos. A resposta não define apenas quem estará à beira do campo nas próximas semanas; indica qual caminho o clube escolhe para tentar recuperar, em médio prazo, a tradição de time protagonista no futebol nacional.

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