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Valdemar prevê Nikolas Ferreira com mais de 2 milhões de votos em 2026

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirma nesta terça-feira (7/4) que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é o “maior fenômeno” político do país e tem potencial para superar o recorde histórico de votos de Eduardo Bolsonaro nas próximas eleições para a Câmara.

Valdemar aposta em recorde e tenta pacificar o PL

A declaração ocorre em um evento de investimentos do Bradesco BBI, em São Paulo, diante de um público formado por executivos, investidores e representantes do mercado financeiro. Em meio a projeções econômicas, Valdemar interrompe o tom técnico e leva a plateia para o terreno eleitoral, ao apresentar Nikolas como a grande aposta do partido para 2026.

O dirigente lembra que o atual recorde de votação para deputado federal pertence a Eduardo Bolsonaro, eleito em 2018 por São Paulo com 1,8 milhão de votos. Em seguida, projeta que o mineiro não só se aproximará desse patamar, como deve ultrapassá-lo com folga. “O Nikolas é o maior fenômeno hoje do Brasil, não existe nada igual. Ele vai bater o recorde de votação. O recorde de votação para deputado federal no Brasil é do Eduardo Bolsonaro em 2018, 1,8 milhão de votos. Lá em Minas, nós temos a metade dos eleitores que nós temos no estado de São Paulo. E o Nikolas vai bater esse recorde, vai passar de 2 milhões de votos”, afirma.

A comparação entre os dois parlamentares não é casual. Nikolas desponta como um dos principais herdeiros do eleitorado bolsonarista jovem e religioso, enquanto Eduardo, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta preservar o capital político de 2018 em meio ao desgaste da família e às investigações que cercam o entorno do pai. A leitura de Valdemar, levada a um auditório de banqueiros, sinaliza que a direção do PL enxerga em Nikolas um ativo eleitoral capaz de prolongar a força do bolsonarismo mesmo em um cenário de incertezas jurídicas para Bolsonaro.

Disputa de protagonismo e risco de racha interno

O elogio público ao deputado mineiro vem no momento em que Nikolas e Eduardo travam embates nas redes sociais e disputam o mesmo espaço simbólico dentro da direita. Nas últimas semanas, os dois trocaram postagens irônicas, vídeos com indiretas e acusações veladas sobre quem representa “de verdade” o bolsonarismo. O confronto digital expõe uma divisão silenciosa entre grupos de assessores, influenciadores e bases estaduais do PL.

Valdemar tenta conter esse desgaste antes que ele chegue às urnas. No próprio evento em São Paulo, o dirigente explica que terá encontros separados com cada um dos deputados. Um jantar com Nikolas e sua equipe está marcado para esta quarta-feira (8), em São Paulo, em clima de conversa reservada. No dia 19 de abril, o presidente do PL viaja a Miami, nos Estados Unidos, para se reunir com Eduardo Bolsonaro, que tem passado períodos fora do país em agendas políticas e pessoais.

“Vou conversar com cada um, para que a gente não tenha desentendimento, para que a gente faça com que tudo corra bem”, diz Valdemar, ao ser questionado sobre o conflito interno. O esforço de mediação reflete a preocupação da cúpula do partido com o risco de uma ruptura pública em plena preparação para as eleições municipais deste ano e para a disputa presidencial de 2026.

O PL depende da união dessa base para manter a condição de maior bancada da Câmara e de principal sigla de oposição ao governo Lula. Em 2022, o partido elege 99 deputados federais e se firma como polo da direita institucional. Uma briga aberta entre dois de seus principais puxadores de voto comprometeria a estratégia de alcançar novas marcas de votação proporcional e reduziria o poder de negociação da sigla em futuras alianças estaduais.

O protagonismo de Nikolas também modifica os cálculos internos. Em Minas Gerais, estado com cerca de metade do eleitorado paulista, segundo Valdemar, o desempenho do deputado pode redefinir chapas e prioridades do PL. Um resultado acima de 2 milhões de votos, como projeta o dirigente, teria efeito imediato na distribuição de cadeiras pelo quociente eleitoral e fortaleceria aliados regionais do mineiro em detrimento de outras correntes ligadas a Eduardo e a lideranças tradicionais.

Impacto eleitoral e pressão sobre Bolsonaro

No mesmo discurso em São Paulo, Valdemar amplia o horizonte e conecta a disputa interna do PL ao cenário presidencial de 2026. O partido trabalha com a hipótese de lançar Flávio Bolsonaro ao Planalto, em caso de inelegibilidade do pai. O presidente do PL afirma que, se Flávio não vencer a eleição, Jair Bolsonaro “continuará preso por mais 10 anos”, em referência aos processos que correm contra o ex-presidente, inclusive relacionados aos atos de 8 de janeiro.

A fala ecoa entre investidores presentes ao evento do Bradesco BBI, acostumados a medir risco político em números. A projeção de mais de 2 milhões de votos para Nikolas em Minas, somada à forte votação que o PL espera manter em São Paulo com os Bolsonaro, indica uma estratégia de ancorar a sigla em grandes puxadores de voto para compensar eventuais perdas em outros estados. Em 2018, o desempenho de Eduardo em São Paulo alavanca a bancada e consolida o PSL — partido de então — como força dominante da direita. O PL tenta repetir a fórmula com outra sigla e outro protagonista.

A construção dessa imagem não começa no palco do Bradesco. Em março de 2025, Valdemar e Nikolas aparecem lado a lado em um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, pela anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro. A cena, registrada em fotos divulgadas nas redes do próprio Valdemar, aproxima ainda mais o dirigente do deputado mineiro e reforça a mensagem de que o PL abraça, sem reservas, o núcleo mais mobilizado do bolsonarismo de rua.

O cálculo é simples e arriscado. Ao empoderar Nikolas, o partido ganha um provável recordista de votos e amplia sua presença entre jovens, evangélicos e usuários intensivos de redes sociais. Ao mesmo tempo, alimenta a disputa com Eduardo e acentua a dependência de figuras que polarizam o debate público, afastando eventuais aliados de centro que o PL pode precisar para compor coligações estaduais e negociar tempo de TV.

Negociações, calendário e incertezas até 2026

Os encontros de Valdemar com Nikolas e Eduardo marcam o início de uma rodada de conversas mais ampla dentro do PL. Dirigentes regionais e deputados veem nessa agenda um teste decisivo sobre a capacidade do presidente do partido de manter o grupo sob controle em um ano em que prefeitos, vereadores e lideranças locais buscam definições claras sobre a quem se alinhar.

A partir das eleições municipais, o desempenho de candidatos apoiados por Nikolas e Eduardo servirá como termômetro para medir quem, de fato, converte influência digital em voto. Um eventual resultado expressivo de aliados do mineiro, somado à votação direta que ele próprio alcançar em 2026, pode consolidá-lo como principal referência da nova geração da direita. Se Eduardo reagir nas urnas e retomar parte do protagonismo, o PL terá de administrar uma convivência tensa entre dois polos com base parecida.

Enquanto as disputas avançam, Valdemar tenta vender estabilidade institucional para o público que o escuta no auditório do Bradesco BBI. Apresenta o PL como partido organizado, com líder capaz de arbitrar conflitos e projetar votos em milhões. A realidade dos próximos meses dirá se a aposta em Nikolas como fenômeno eleitoral unifica o partido em torno de uma narrativa de força, ou se abre uma disputa que o PL terá dificuldade de controlar quando a campanha começar de fato.

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