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Valdemar e Eduardo Bolsonaro alinham rumos do PL em Dallas

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, se reúne nesta terça-feira (10/3), em Dallas, com Eduardo Bolsonaro para alinhar estratégias eleitorais do partido. O encontro ocorre às vésperas de uma reunião ampliada com deputados federais do PL e expõe a disputa interna pela vaga ao Senado em São Paulo em 2026.

Articulação em viagem aos Estados Unidos

Valdemar Costa Neto confirma à reportagem que desembarca nos Estados Unidos para tratar de assuntos partidários e se encontra com Eduardo Bolsonaro em um restaurante em Dallas, no Texas. A conversa, registrada em foto de acervo pessoal, acontece na tarde desta terça-feira e funciona como uma espécie de prévia para a reunião que o ex-deputado agenda com um grupo de parlamentares do PL na quarta-feira (11/3).

O dirigente descreve o encontro como uma parada estratégica em meio ao recrudescimento da crise do bolsonarismo no Brasil. “Viemos conversar sobre o partido e organizar a reunião com os deputados”, afirma Valdemar. A reunião de amanhã, segundo ele, deve reunir parte da bancada federal, hoje uma das maiores da Câmara, com 99 cadeiras conquistadas nas eleições de 2022 e foco em ampliação desse espaço em 2026.

A movimentação ocorre dias depois de Valdemar participar, em 1º de março, de ato na Avenida Paulista em defesa da conversão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em regime domiciliar. O dirigente caminha entre faixas e carros de som, sinalizando que o partido mantém a aposta no capital político do ex-presidente e de seus filhos para estruturar as chapas de 2026. Em Dallas, o tom é mais reservado, mas o objetivo permanece eleitoral.

Disputa pelo Senado e equilíbrio interno no PL

O ponto mais sensível da conversa passa por São Paulo. Em disputa direta com outras siglas da direita, o PL tenta preservar o protagonismo no maior colégio eleitoral do país, responsável por cerca de 22% dos votos válidos para presidente em 2022. A definição da candidatura ao Senado é peça central nesse tabuleiro. Valdemar admite que o impasse segue aberto. “O Senado o Eduardo ainda não resolveu”, diz o cacique, ao comentar quem o filho “03” de Jair Bolsonaro pretende apoiar para a vaga em 2026.

A dúvida não é trivial. A cadeira hoje pertence a uma das principais vitrines políticas do estado e tende a atrair deputados federais, estaduais e figuras do entorno do ex-presidente. Dentro do PL, a escolha pode redefinir forças entre bolsonaristas raiz, aliados recentes e grupos regionais que pressionam por espaço. Cada movimento é calculado tendo em vista não só o Senado, mas também as chapas proporcionais e a montagem das nominatas para Câmara e Assembleia Legislativa, que precisam atingir quocientes eleitorais competitivos em um cenário de fragmentação partidária.

Eduardo Bolsonaro, que perde o mandato de deputado federal por São Paulo após a última legislatura, segue como uma das principais vozes da base mais ideológica do bolsonarismo e tem influência direta sobre uma fatia ruidosa do eleitorado. Sua palavra sobre o Senado paulista é vista por dirigentes como termômetro da relação entre a família Bolsonaro e o comando formal do PL. A incerteza atual abre espaço para especulações sobre possíveis candidaturas próprias, alianças com conservadores de outros partidos ou acordos de última hora para acomodar aliados estratégicos.

Impacto eleitoral e sinal ao bolsonarismo

A escolha de Dallas como cenário reforça o vínculo do PL com o roteiro internacional que Jair Bolsonaro e seus filhos adotam desde 2018, com passagens frequentes pelos Estados Unidos, em especial pela Flórida e pelo Texas. Ao levar a discussão sobre rumos internos para um restaurante em solo americano, Valdemar e Eduardo enviam mensagem ao núcleo duro da base bolsonarista, que vê nos EUA um modelo político e cultural a ser replicado no Brasil. É um gesto simbólico que tenta manter a militância mobilizada mesmo a mais de 7 mil quilômetros de distância.

Na prática, o que está em jogo é o desenho da bancada e das chapas majoritárias para 2026. Em 2022, o PL concentra o maior número de votos para a Câmara, mas precisa agora administrar desgaste, investigações e a própria prisão de Jair Bolsonaro. Uma indicação errada ao Senado em São Paulo pode rachar segmentos do eleitorado conservador e abrir caminho para que legendas como Republicanos e PP avancem sobre prefeitos, vereadores e lideranças regionais que hoje gravitam em torno do PL. O contrário também é verdadeiro: uma escolha coesa pode consolidar a sigla como principal polo da direita até o fim da década.

O encontro em Dallas também funciona como espécie de teste de unidade entre Valdemar e o clã Bolsonaro. Nos bastidores, dirigentes relatam divergências pontuais sobre estratégias, sobretudo na relação com partidos do centrão e na resposta institucional às decisões do Supremo Tribunal Federal. A reunião desta terça busca reduzir arestas, combinar discurso e definir prioridades, em um ambiente em que qualquer fissura pode se traduzir em perda de votos e de tempo de TV na próxima disputa nacional.

Reunião ampliada e próximos movimentos do PL

A conversa entre Valdemar e Eduardo abre a semana de articulações. Na quarta-feira (11/3), o ex-deputado marca uma reunião com um grupo de parlamentares do PL para detalhar o que foi discutido em Dallas e colher impressões sobre o cenário em cada estado. A expectativa é de que o partido estabeleça, até o fim de 2025, um calendário de definição de candidaturas ao Senado e aos governos estaduais, além de metas numéricas para ampliar a bancada federal em pelo menos 10% em relação ao desempenho de 2022.

Nos próximos meses, a direção do PL deve intensificar viagens, encontros regionais e negociações com potenciais candidatos, em especial em praças estratégicas como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Sul do país. A indefinição sobre a vaga ao Senado em São Paulo se torna, por ora, o principal enigma do tabuleiro e serve de termômetro para medir até onde vai a influência direta da família Bolsonaro nas escolhas do partido. O que Valdemar e Eduardo acertam em Dallas pode não aparecer de imediato em pesquisas ou anúncios formais, mas tende a orientar movimentos discretos de bastidor. A pergunta que fica é se, até o início de 2026, o PL conseguirá transformar essa articulação transatlântica em um projeto eleitoral coeso ou se a disputa por espaço acabará fragmentando o campo que o partido hoje lidera.

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