Ciencia e Tecnologia

Ubisoft propõe programa de demissão voluntária para até 200 em Paris

A Ubisoft propõe neste 26 de janeiro de 2026 um programa de demissão voluntária que pode atingir até 200 funcionários em sua sede em Paris. A iniciativa integra uma reestruturação ampla após o cancelamento e adiamento de jogos-chave do portfólio.

Reestruturação acelera cortes na sede francesa

A companhia francesa de videogames, liderada pelo CEO Yves Guillemot, submete aos representantes dos funcionários um acordo coletivo chamado Rupture Conventionnelle Collective, previsto na legislação trabalhista da França. O mecanismo permite desligamentos por comum acordo, com compensações financeiras, e funciona como alternativa às demissões unilaterais tradicionais.

A proposta atinge exclusivamente empregados da Ubisoft International com contrato francês, todos baseados na sede parisiense. Outras unidades do grupo no país e equipes espalhadas pelo mundo ficam fora do plano neste momento, segundo comunicado oficial. A empresa insiste que não há decisão final antes da conclusão da negociação com sindicatos e da validação pelas autoridades trabalhistas francesas.

O anúncio vem menos de uma semana depois de a Ubisoft revelar um choque de gestão em seus projetos. A companhia cancela seis jogos em desenvolvimento e adia o lançamento de outros sete títulos, num esforço para reorganizar o portfólio e reduzir custos. Entre os cancelados está o aguardado remake de Prince of Persia: The Sands of Time. Entre os adiamentos, está supostamente o remake de Assassin’s Creed: Black Flag, um dos carros-chefe da marca.

Cortes seguem estratégia de casas criativas

A direção da Ubisoft tenta vender a reestruturação como um ponto de virada para o grupo. Em mensagem recente a investidores e funcionários, Yves Guillemot afirma que as medidas representam um reposicionamento profundo da empresa. “Essas medidas marcam um ponto de virada decisivo para a Ubisoft e refletem nossa determinação em enfrentar os desafios de frente para remodelar o Grupo a longo prazo. É uma mudança radical, apoiada em uma organização criativa mais descentralizada com tomada de decisões mais rápida”, declara o executivo.

Na prática, a Ubisoft consolida a produção global em cinco chamadas Casas Criativas, blocos internos que passam a concentrar franquias e tipos de jogos específicos. A meta declarada é enxugar camadas hierárquicas, acelerar decisões de desenvolvimento e reduzir o número de projetos simultâneos. A empresa busca abandonar a antiga lógica de volume alto de lançamentos por ano em favor de menos títulos, porém maiores e potencialmente mais lucrativos.

O programa de desligamento voluntário em Paris repete um movimento já testado em outubro do ano passado em outras bases do grupo. Na ocasião, a Ubisoft lançou um “programa voluntário de transição de carreira” nos estúdios Massive Entertainment e Ubisoft Stockholm, que trabalham em Star Wars Outlaws. O recado foi claro para o mercado: o ajuste não é pontual, mas parte de uma transformação contínua na estrutura da companhia.

Impacto para funcionários, mercado e jogadores

O plano atual em Paris sinaliza um corte direcionado ao quadro corporativo e de apoio da matriz, e não aos estúdios de produção espalhados por outros países. A empresa evita falar em porcentual do total de funcionários na França, mas admite que até 200 postos podem ser negociados. O uso da demissão voluntária reduz a chance de demissões em massa compulsórias, mas não elimina o clima de incerteza entre equipes que já vivem sob pressão por prazos e metas.

Para quem aceita a proposta, o acordo coletivo tende a assegurar pacotes de indenização mais previsíveis e benefícios complementares, como apoio à recolocação profissional ou formação em novas áreas. Esses detalhes, porém, ainda dependem da negociação com os representantes dos trabalhadores, o que pode se arrastar por semanas. Durante esse período, a Ubisoft tenta manter o andamento de projetos restantes e convencer o mercado de que o enxugamento prepara terreno para uma fase de crescimento mais sustentável.

No setor de games, o movimento da Ubisoft se soma a uma sequência de cortes em grandes editoras desde 2023, marcada por cancelamentos de projetos arriscados e foco maior em franquias consolidadas. Jogadores sentem o efeito imediato na forma de menos lançamentos inéditos e mais atrasos, sobretudo em séries de grande apelo como Prince of Persia e Assassin’s Creed. Investidores observam com atenção se a estratégia de concentrar apostas em poucos blockbusters compensa o desgaste interno e a perda de talentos experientes.

O que pode acontecer a partir de agora

O plano de demissão voluntária ainda precisa superar duas barreiras formais: fechar um acordo com os representantes dos funcionários e obter a chancela das autoridades francesas. Só depois desse processo a Ubisoft abre efetivamente a janela para adesão ao programa e define prazos, valores e critérios de elegibilidade. A empresa não divulga cronograma detalhado, mas a expectativa interna é concluir a negociação ao longo dos próximos meses, em paralelo ao redesenho das Casas Criativas.

O desfecho ajuda a determinar se a Ubisoft consegue entregar a prometida organização mais ágil sem ampliar o desgaste de imagem junto a funcionários e comunidade de jogadores. A empresa tenta equilibrar cortes e cancelamentos com a necessidade de manter confiança em suas marcas mais fortes. A forma como esse acordo em Paris se desenrola indica o tom dos próximos movimentos da gigante francesa no tabuleiro cada vez mais competitivo dos videogames.

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