Ciencia e Tecnologia

Ubisoft cancela remake de Prince of Persia e adia sete jogos

A Ubisoft cancela o aguardado remake de Prince of Persia: The Sands of Time e outros cinco jogos em desenvolvimento e adia o lançamento de mais sete títulos ainda não revelados. O anúncio, feito nesta quarta-feira (21), reorganiza a linha de lançamentos da empresa e acende um alerta entre fãs e investidores sobre o futuro do catálogo da gigante francesa dos games.

Clássico apagado do calendário e reação do mercado

O fim do remake de The Sands of Time encerra, por ora, a tentativa da Ubisoft de resgatar um dos títulos mais importantes de sua história recente. Lançado em 2003 para PlayStation 2, Xbox e PC, o jogo ajudou a consolidar o nome da produtora em ação e aventura em 3D, anos antes de séries como Assassin’s Creed dominarem o portfólio da companhia. O projeto de atualização para consoles e PCs atuais vinha sendo tratado como peça simbólica para a relação da empresa com fãs de longa data.

A companhia comunica a decisão por meio de um anúncio oficial nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, sem detalhar valores envolvidos ou estágios de produção de cada título. Internamente, o cancelamento do remake e de outros cinco jogos sinaliza uma guinada na estratégia, com a direção priorizando projetos considerados de maior retorno financeiro e menor risco de imagem. No mercado, a leitura imediata é de cautela: a Ubisoft corta parte do pipeline para tentar blindar resultados em um momento de custos altos de desenvolvimento e concorrência intensa.

O anúncio surpreende parte da comunidade, que acompanha há anos um desenvolvimento atribulado. O remake de Sands of Time é revelado em 2020 e enfrenta críticas ao visual logo na estreia. A Ubisoft promete ajustes gráficos e mudanças de equipe, adia o lançamento algumas vezes e, em vez de confirmar uma nova data, agora encerra o projeto de vez. Nas redes e em fóruns especializados, o sentimento dominante é de frustração, com fãs apontando uma oportunidade perdida de reaproximar a franquia de uma nova geração de jogadores.

Reestruturação silenciosa e incerteza no cronograma

A empresa não associa o cancelamento a nenhum problema específico, mas o movimento ocorre em um cenário de reestruturações sucessivas na indústria de games. Em 2024 e 2025, estúdios de médio e grande porte demitem milhares de funcionários em vários países para conter custos. A Ubisoft também vem ajustando equipes e cronogramas, embora nem sempre com comunicação detalhada ao público. A eliminação de seis jogos em desenvolvimento e o adiamento de sete projetos inéditos reforçam a ideia de um filtro mais rígido antes de apostar centenas de milhões de dólares em novos títulos.

Nos bastidores, analistas de mercado interpretam a decisão como uma tentativa de afinar o foco. Com ciclos de produção que podem ultrapassar cinco anos e orçamentos que facilmente chegam a dezenas de milhões de dólares, cada aposta errada pesa no balanço. Ao adiar sete jogos ainda não anunciados, a empresa ganha tempo para revisar escopo, reduzir riscos técnicos e redesenhar estratégias de lançamento. Em termos práticos, isso significa um calendário menos inflado no curto prazo, com impacto direto na expectativa de novidades para 2026 e 2027.

A comunidade gamer reage em duas frentes. De um lado, há quem veja pragmatismo na medida, em um momento em que lançamentos apressados sofrem com bugs, remendos e recepção morna. De outro, a leitura é de desgaste de imagem. “Quando uma empresa promete, adia e depois cancela, a confiança do público diminui”, comenta um analista de mercado ouvido pela reportagem. O caso Prince of Persia se soma a outros episódios recentes de ajustes de rota na empresa, alimentando dúvidas sobre o quanto o planejamento está alinhado às expectativas do público.

Impacto para fãs, investidores e para o futuro do catálogo

O cancelamento afeta diretamente fãs de uma franquia que já vive há anos em segundo plano. O último grande título inédito de Prince of Persia chega ao mercado em 2010, com Forgotten Sands. O vazio de 16 anos sem uma nova aventura principal, agora somado à morte do remake, sugere que a marca deixa de ser prioridade no curto prazo. A atenção da Ubisoft se concentra em propriedades mais recentes, com potencial de receita contínua em serviços online, passes de temporada e conteúdo recorrente.

No plano financeiro, a empresa busca equilibrar expectativa e realidade. O corte de seis projetos e o adiamento de sete títulos inéditos representam menos lançamentos e, em tese, menos entradas de receita em um intervalo de dois a três anos. Em compensação, a medida reduz a pressão de custos imediatos de desenvolvimento e pode evitar lançamentos frágeis, que costumam ser punidos por avaliações negativas e vendas aquém do previsto. Investidores acompanham esse jogo de forças com atenção, de olho em relatórios trimestrais e em sinais de estabilidade na carteira de franquias.

O impacto se estende a estúdios parceiros, prestadores de serviço e profissionais que orbitam a cadeia de produção da Ubisoft. Cada grande jogo envolve equipes espalhadas por diferentes países, trabalhando em animação, programação, arte, áudio, testes e marketing. Quando um projeto é cancelado ou adiado, contratos podem ser revistos, prazos se alongam e a incerteza cresce. Para o setor de games como um todo, decisões desse tipo reforçam uma tendência: menos apostas amplas e mais prudência, com foco em marcas já consolidadas e modelos de negócio de retorno previsível.

Calendário em revisão e perguntas em aberto

A empresa não informa novas datas nem prevê quando os sete jogos adiados serão finalmente anunciados. O mais provável, segundo analistas, é que o calendário oficial de lançamentos para 2026 seja enxugado, com reforço de conteúdo adicional para títulos já nas prateleiras. A estratégia reduz o risco de encarar o mercado com produtos inacabados, mas cobra um preço na percepção de inovação de catálogo.

O futuro de Prince of Persia permanece em suspenso. A franquia pode voltar em outro formato, em um projeto diferente ou ser mantida em hibernação por mais alguns anos. Fãs aguardam um posicionamento mais detalhado, enquanto investidores cobram da Ubisoft uma narrativa clara para a próxima década. O cancelamento do remake e o adiamento de sete jogos inéditos abrem espaço para uma pergunta que ecoa além de uma única empresa: até que ponto a indústria de games está disposta a sacrificar nostalgia e diversidade de catálogo em nome da segurança financeira?

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