TSE retoma em 24 de março julgamento que pode cassar Claudio Castro
O Tribunal Superior Eleitoral marca para 24 de março de 2026 a retomada do julgamento que pode cassar o governador do Rio, Claudio Castro, e o vice, Thiago Pampolha Bacellar. O placar está 2 a 0 pela cassação, e a análise foi interrompida por um pedido de vista do ministro Nunes Marques.
Julgamento em pausa e clima de incerteza
A sessão no TSE entra em compasso de espera depois que Nunes Marques pede vista do processo e interrompe a votação. O ministro afirma que precisa de “análise mais detida” dos autos antes de definir seu voto. Até a suspensão, dois ministros já se posicionam pela cassação da chapa, o que, se confirmado, pode tirar imediatamente Castro e Bacellar dos cargos.
O caso volta à pauta em 24 de março de 2026, data já inserida no calendário do tribunal. A decisão passa a ser um dos pontos centrais do ano político, com impacto direto sobre o Palácio Guanabara e sobre a correlação de forças no Rio de Janeiro. A poucos meses das articulações para as eleições municipais seguintes, cada voto no plenário do TSE interessa a governistas, oposicionistas e partidos que negociam alianças.
Acusações, cenário político e possível cassação
O processo analisa se a campanha que elegeu a chapa ao governo do Rio comete irregularidades graves o bastante para justificar a perda de mandato. A análise no TSE ocorre em grau final, depois de decisões na Justiça Eleitoral do Estado. O tribunal superior costuma levar em conta não só a prova jurídica, mas também o efeito institucional de afastar um governador em exercício.
Claudio Castro governa um Estado com orçamento anual acima de R$ 100 bilhões e peso decisivo em blocos partidários no Congresso. A cassação, caso se confirme, abriria disputa imediata sobre sucessão, rearranjo de secretarias e controle de estatais, como a Cedae, com reflexos diretos sobre contratos, obras e indicações políticas. Líderes regionais já tratam, nos bastidores, de cenários alternativos para o comando do governo fluminense.
Aliados do governador argumentam que o TSE deve agir com “cautela máxima” diante da possibilidade de retirar do cargo um político eleito com milhões de votos. Integrantes da oposição defendem o rigor do tribunal. “O que está em jogo é a integridade do processo eleitoral”, diz um dirigente partidário ouvido pela reportagem sob reserva. O TSE tenta equilibrar a pressão política com a necessidade de dar resposta rápida a um caso que se arrasta há meses.
Impacto nacional e efeitos eleitorais
A definição sobre o mandato de Castro e Bacellar ultrapassa as fronteiras do Rio. O governador é peça importante em articulações com partidos do centrão e ocupa espaço estratégico nas negociações com o governo federal por verbas e obras. A cassação poderia redesenhar o mapa de alianças em ao menos três grandes legendas com forte presença no Estado.
No curto prazo, uma eventual perda de mandato obrigaria a reacomodação de grupos políticos que controlam diretórios municipais e regionais. Prefeitos, deputados estaduais e federais que hoje orbitam o governo fluminense teriam de recalcular rotas para 2026 e 2028. Um novo comando no Palácio Guanabara poderia alterar prioridades de investimento, como repasses para a Região Metropolitana, Baixada Fluminense e interior, mexendo diretamente com bases eleitorais.
Especialistas em direito eleitoral lembram que decisões do TSE costumam servir de referência para outros processos. “Cada julgamento de governador cria precedente”, afirma um professor ouvido pela reportagem. Se o tribunal endurecer o entendimento sobre irregularidades de campanha, outros mandatários podem enfrentar situações semelhantes, o que aumenta a atenção de governadores e partidos em todo o país.
O papel de Nunes Marques e os próximos passos
O pedido de vista de Nunes Marques coloca o ministro no centro da disputa. Seu voto tende a indicar o rumo do julgamento e pode incentivar pedidos de destaque ou novos debates em plenário. A devolução da vista e a retomada em 24 de março impõem um relógio político claro: há duas semanas de articulações intensas até que o caso volte à mesa de votação.
Integrantes do TSE avaliam reservadamente que o tribunal precisa encerrar o julgamento ainda no primeiro semestre de 2026, para evitar que o desfecho se misture ao calendário eleitoral. A retomada em março atende a essa preocupação, mas não elimina o risco de novos adiamentos. Até lá, a principal pergunta permanece sem resposta: o plenário confirmará os dois votos já dados pela cassação de Claudio Castro e Bacellar ou abrirá espaço para a sobrevivência política da chapa no comando do Rio de Janeiro?
