Trump promete liberar arquivos dos EUA sobre vida alienígena e OVNIs
Donald Trump anuncia nesta quinta-feira (19) de fevereiro de 2026 que pretende ordenar a liberação de arquivos do governo dos Estados Unidos sobre vida alienígena e objetos voadores não identificados. A promessa, feita em postagem na rede Truth Social, mira documentos hoje classificados envolvendo fenômenos aéreos não identificados e possíveis registros de contato extraterrestre.
Pressão por transparência e disputa política
O anúncio reacende um debate que se arrasta há décadas em Washington: até onde o governo deve ir na abertura de dados sensíveis sobre segurança nacional quando o assunto é vida extraterrestre. Trump diz que vai instruir formalmente o Secretário da Guerra e outras agências federais a identificar, revisar e divulgar materiais que tratem de UAPs, sigla em inglês para fenômenos aéreos não identificados, e dos tradicionais OVNIs. Ele fala em assuntos “altamente complexos, porém extremamente interessantes e importantes”, em um recado direto ao eleitorado que vê na ufologia um campo de mistério e desconfiança em relação ao Estado.
Na postagem, o republicano afirma que age “com base no enorme interesse demonstrado” pelo público. O movimento ocorre em meio a uma onda de teorias, vídeos virais e audiências no Congresso sobre objetos não identificados no céu norte-americano. Desde 2020, ao menos três relatórios oficiais mencionam incidentes sem explicação clara envolvendo aeronaves militares e sensores de defesa, o que alimenta suspeitas de que boa parte das respostas ainda está trancada em arquivos secretos.
Choque com Obama e longa história de segredos
A iniciativa de Trump ganha contornos de disputa pessoal com Barack Obama. Dias antes, o democrata voltou a atrair atenção ao dizer em um podcast que “alienígenas são reais”. Obama em seguida publica um esclarecimento, em tom mais sóbrio. “Estatisticamente, o universo é tão vasto que as chances são boas de que exista vida lá fora”, escreve, antes de frisar que não viu nenhuma prova de visita extraterrestre durante seus oito anos na Casa Branca. “As chances de termos sido visitados por alienígenas são baixas, e eu não vi nenhuma evidência durante minha presidência de que extraterrestres tenham feito contato conosco. Sério!”, completa.
Trump reage em rota oposta. Em conversa com repórteres a bordo do Air Force One, em viagem ao estado da Geórgia, acusa o antecessor de se apoiar em informações confidenciais ao falar sobre o tema. “Ele tirou isso de informações confidenciais […] Ele não deveria estar fazendo isso”, afirma. “Ele cometeu um grande erro.” O ex-presidente, porém, não apresenta provas de que Obama tenha quebrado regras de sigilo nem detalha que tipo de dado sensível teria sido exposto.
Discussões sobre o quanto o governo esconde do público em relação a OVNIs atravessam pelo menos 70 anos de história americana, da Guerra Fria aos dias atuais. Investigações oficiais como o Projeto Blue Book, encerrado em 1969, renderam milhares de páginas sobre avistamentos, a maior parte atribuída a erros de percepção, balões e testes militares. A cultura pop, com filmes sobre a Área 51, ampliou a sensação de que a verdade permanece fora do alcance do cidadão comum.
O que pode mudar com a abertura dos arquivos
Caso a promessa de Trump avance, o governo americano terá de fazer um pente-fino em décadas de relatórios, fotos, vídeos e memorandos internos. Processos desse tipo costumam levar meses ou anos, dado o volume de material e a necessidade de proteger segredos estratégicos, como tecnologia militar e capacidade de vigilância. Uma revisão ampla também exigiria coordenação entre o Pentágono, agências de inteligência e órgãos civis, da NASA aos arquivos nacionais.
A medida tende a fortalecer grupos que cobram transparência, inclusive parlamentares que, nos últimos cinco anos, patrocinam audiências específicas sobre UAPs. Pesquisadores independentes e cientistas veem espaço para separar mitos de dados verificáveis, reforçando a análise de registros de radar, informações de voo e relatórios de pilotos. O movimento também pode gerar frustração: se a maior parte dos arquivos trouxer explicações prosaicas, como drones, balões e fenômenos atmosféricos, o público que espera revelações bombásticas pode acusar a Casa Branca de continuar escondendo “a verdade”.
Empresas do setor aeroespacial e de defesa observam o processo com atenção. A divulgação de detalhes técnicos sobre sensores, rotas e protocolos de interceptação pode expor vulnerabilidades, com impacto direto em contratos bilionários. Agências parceiras, na Europa e na Ásia, também pressionam por limites, temendo que a abertura de dados americanos acabe entregando informações sobre operações conjuntas.
Próximos passos e dúvidas em aberto
Trump ainda não apresenta um cronograma claro nem um número estimado de documentos a serem liberados, mas fala em “iniciar o processo” de identificação e divulgação. Especialistas em transparência lembram que iniciativas semelhantes, como a liberação de arquivos sobre o assassinato de John F. Kennedy, arrastam-se por décadas e sofrem sucessivos adiamentos sob o argumento de proteção à segurança nacional. A disputa entre o direito à informação e o sigilo de Estado deve voltar ao centro da arena política em Washington.
O anúncio amplia o interesse global pela agenda ufológica e pressiona outros governos a revisar próprias políticas de sigilo. Países como Reino Unido, Brasil e México abrem parte de seus arquivos desde os anos 2000, mas ainda guardam documentos sob classificação máxima. À medida que Trump transforma a vida alienígena em instrumento de embate político com Obama e em promessa de campanha, a principal pergunta continua sem resposta: até que ponto a abertura dos cofres secretos de Washington será suficiente para convencer o mundo de que não há mais nada a esconder?
