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Trump promete abrir arquivos do Pentágono sobre vida extraterrestre

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia nesta semana, em Washington, que vai pedir ao Departamento de Defesa a divulgação de documentos sobre vida extraterrestre. A decisão responde à repercussão de uma fala recente do ex-presidente Barack Obama, que volta a colocar o tema no centro do debate político americano.

Da piada de Obama à promessa de transparência

A movimentação ocorre na semana de 20 de fevereiro de 2026, em meio a uma agenda já carregada na capital. O governo lida ao mesmo tempo com a prisão do ex-príncipe Andrew, após novos arquivos ligados a Jeffrey Epstein, e com a derrota na Suprema Corte, que declara ilegais tarifas impostas pela Casa Branca. Nesse cenário, Trump escolhe mirar o espaço para tentar tomar de volta o controle da narrativa.

Pelas redes sociais, o republicano afirma que, diante do “grande interesse do público”, vai pedir ao Pentágono que libere documentos sobre a existência de vida fora da Terra. Ele promete tornar pública toda e qualquer informação “conectada a esse assunto de alta complexidade, mas extremamente interessante e importante”. A mensagem, publicada em plena quinta-feira, ecoa em minutos entre apoiadores, curiosos e céticos, reativando teorias que circulam há décadas nos Estados Unidos.

O anúncio vem dias depois de Obama retomar, em tom leve, um tema que o acompanha desde a Casa Branca. Em entrevista, o democrata diz acreditar na existência de vida fora da Terra, embora nunca tenha visto extraterrestres nem tenha recebido provas concretas disso enquanto presidente. “Eles não estão sendo mantidos na Área 51. Não existe nenhuma instalação subterrânea — a menos que haja uma enorme conspiração e eles a tenham escondido do presidente dos Estados Unidos”, afirma, em referência à base militar no deserto de Nevada, protagonista de lendas sobre discos voadores desde os anos 1950.

A ironia de Obama produz efeito imediato em Washington. Repórteres passam a questionar integrantes do governo atual sobre a postura oficial em relação ao tema. Em entrevista na sala de imprensa da Casa Branca, a porta-voz Karoline Leavitt é perguntada se a administração Trump acredita em alienígenas. “Falar sobre alienígenas seria novidade para mim, mas me parece muito interessante. Vou ter que checar com a nossa equipe. Mas eu tenho um interesse particular nesse assunto, imagino que para todos desta sala e, aparentemente, o ex-presidente Barack Obama também”, diz ela, em tom descontraído, prometendo atualizar a imprensa.

A tensão cresce quando o próprio Trump reage diretamente ao antecessor. Na noite de quinta-feira, a bordo do Air Force 1, o presidente é questionado sobre as declarações de Obama e eleva o tom. “Ele deu informações confidenciais e não deveria ter feito isso. Eu não sei se são reais ou não, mas ele cometeu um grande erro. Eu não tenho opinião sobre isso, mas muitas pessoas acreditam”, afirma, pouco antes de anunciar que pressionará o Departamento de Defesa pela liberação de documentos.

Impacto político e teste de transparência

A promessa de abrir arquivos sobre vida extraterrestre toca em uma fissura conhecida da relação entre governo americano e opinião pública: a suspeita de que agências militares escondem informações sensíveis sobre óvnis desde pelo menos 1947, ano do incidente de Roswell. Nas últimas duas décadas, relatórios pontuais do Pentágono sobre “fenômenos aéreos não identificados” alimentam a curiosidade, mas mantêm mais perguntas do que respostas. Ao falar em divulgar “toda e qualquer informação”, Trump tenta se afastar da imagem de segredo e opacidade.

O gesto tem peso político imediato. Em um momento em que a Suprema Corte derruba tarifas centrais da agenda econômica do governo, a pauta extraterrestre oferece uma frente alternativa de mobilização. A iniciativa pode ser lida como tentativa de mostrar um presidente disposto a romper com a cultura de sigilo em temas históricos de segurança nacional, sem mexer diretamente em programas militares em curso. Também fala a um público fiel às teorias de conspiração, base que acompanha o republicano desde a primeira campanha presidencial.

Uma abertura ampla de documentos, porém, esbarra em camadas de sigilo que levam anos para ser revistas. Arquivos de inteligência passam por filtros de segurança nacional, proteção de fontes e preservação de tecnologias sensíveis. Mesmo que o pedido de Trump seja encaminhado nos próximos dias, o processo formal pode consumir meses, talvez mais de um ano, até qualquer divulgação efetiva. A expectativa sobre o que será considerado “conexo ao tema” tende a acirrar a disputa entre transparência e segredo.

Setores militares e de inteligência observam com cautela. Uma liberação mais agressiva pode revelar, por exemplo, testes de aeronaves experimentais, rotas secretas de vigilância ou acordos de cooperação com outros países. Nenhum desses pontos tem relação direta com alienígenas, mas todos podem aparecer em documentos que descrevem fenômenos não identificados no céu. Para diplomatas, o gesto de Trump pode obrigar aliados a rever protocolos de troca de informações sensíveis, caso memos conjuntos com governos estrangeiros entrem no pacote.

Correção de rota ou novo foco de disputa

O passo seguinte está nas mãos do próprio governo. O Departamento de Defesa deve receber, ainda nesta semana, a orientação formal da Casa Branca para iniciar a triagem de documentos ligados a avistamentos, relatórios de pilotos militares e investigações internas sobre objetos não identificados. Técnicos terão de decidir o que pode sair a público sem comprometer operações em curso, um equilíbrio delicado em qualquer área ligada à defesa.

No Congresso, parlamentares democratas e republicanos avaliam capitalizar a onda de interesse. Comissões de supervisão vêm cobrando, há pelo menos cinco anos, mais clareza sobre relatórios de óvnis, e podem usar a iniciativa de Trump para exigir prazos definidos e relatórios públicos periódicos. Se o presidente avançar na promessa, abre espaço para uma revisão inédita de segredos militares. Se recuar ou entregar apenas documentos genéricos, reforça a percepção de que o tema serve mais como distração do que como compromisso real com transparência.

O episódio recoloca uma pergunta que acompanha gerações de americanos: até onde o governo está disposto a ir para explicar o que sabe sobre o que circula acima da atmosfera? A resposta, desta vez, não depende apenas da existência de vida extraterrestre, mas da decisão política de quanto do próprio Estado será exposto à luz.

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