Trump impõe prazo até junho de 2026 para fim da guerra na Ucrânia
Donald Trump fixa até junho de 2026 como prazo para Rússia e Ucrânia encerrarem a guerra, em anúncio feito em fevereiro de 2026 na zona de conflito. A iniciativa promete pressão diplomática intensa sobre Moscou e Kiev, mas expõe o impasse sobre a exigência russa de cessão territorial.
Prazo público e pressão direta sobre o front
O ex-presidente dos Estados Unidos escolhe o próprio teatro da guerra para anunciar o limite de tempo. Ao lado de autoridades ucranianas, Trump afirma que o conflito, que passa de quatro anos desde a invasão em grande escala pela Rússia em fevereiro de 2022, “não pode chegar a 2027”. O objetivo declarado é acelerar um acordo de paz sob forte pressão internacional, com foco em um calendário concreto para o fim dos combates.
Volodymyr Zelensky recebe o anúncio com cautela. O presidente ucraniano destaca que qualquer negociação precisa respeitar a soberania do país e rejeita, em público, concessões territoriais amplas. “A Ucrânia não é moeda de troca”, diz, em referência direta às demandas do Kremlin por reconhecimento do controle russo sobre áreas ocupadas desde 2014 e ampliadas após 2022. A fala resume a tensão entre a urgência por paz e o risco de legitimar a ocupação.
Trump, que mantém influência decisiva sobre parte da política externa americana mesmo fora da Casa Branca, aposta em um calendário curto para forçar movimentos. O prazo de cerca de 16 meses, contado a partir de fevereiro de 2026, é apresentado como janela máxima para que Moscou e Kiev cheguem a um texto assinado. Aliados de Trump defendem que a definição de uma data limite pode destravar negociações paradas em sucessivas rodadas técnicas, sem avanços desde os primeiros contatos em Belarus, em 2022.
Negociações travadas por territórios e risco de escalada
O ponto central do impasse segue sendo o mapa. A Rússia insiste em que qualquer acordo formalize a anexação de regiões sob controle de suas tropas, incluindo partes de Donetsk, Luhansk, Zaporíjia e Kherson, além da Crimeia, tomada em 2014. A Ucrânia recusa ceder aproximadamente 18% de seu território internacionalmente reconhecido, temendo abrir precedente para novas ofensivas no futuro. A diferença de posições torna incerta a viabilidade de um entendimento até meados de 2026.
Diplomatas envolvidos nas conversas descrevem um cenário de negociação em duas frentes. De um lado, discussões públicas sobre cessar-fogo, corredores humanitários e reconstrução, estimada em centenas de bilhões de dólares. De outro, conversas reservadas sobre linhas de fronteira, garantias de segurança e presença militar estrangeira. O prazo proposto por Trump adiciona um relógio visível a todas essas mesas, elevando a pressão sobre Moscou e Kiev e também sobre capitais europeias.
Governos da União Europeia veem com ambivalência a iniciativa. Alguns diplomatas consideram que um limite temporal ajuda a concentrar esforços políticos e financeiros, em um momento em que o desgaste da guerra aparece em pesquisas de opinião. Outros temem que o cronômetro se transforme em ameaça: se não houver acordo até junho de 2026, a reação pode ser uma combinação de novas sanções, aumento do envio de armas ou mesmo um congelamento de apoio, dependendo da correlação de forças em Washington e Bruxelas.
Especialistas em segurança europeia lembram que prazos rígidos em conflitos armados costumam ter efeito duplo. Podem incentivar concessões táticas para evitar isolamento diplomático, mas também empurrar os lados a intensificar ataques no curto prazo, em busca de posição vantajosa antes da assinatura de qualquer texto. O risco, nesse cenário, é que 2025 e o início de 2026 registrem novas ofensivas, em vez de descompressão do front.
Impacto imediato e jogo de forças em aberto
O anúncio de Trump rearranja o tabuleiro político em Kiev e Moscou. Na Ucrânia, o governo tenta equilibrar a necessidade de manter o apoio militar ocidental, que já soma dezenas de bilhões de dólares em armas e ajuda financeira, com a pressão interna para não ceder cidades e regiões onde milhões de ucranianos viviam antes da guerra. A oposição acusa Zelensky de se aproximar demais de propostas externas, enquanto a sociedade civil cobra transparência sobre as linhas vermelhas que o país não pretende cruzar.
Na Rússia, o Kremlin tenta usar o discurso de prazo como prova de que o Ocidente busca ditar os termos da paz. A narrativa oficial insiste que qualquer calendário só é aceitável se respeitar “novas realidades territoriais”, expressão usada desde 2022 para se referir aos territórios ocupados. A condução de Vladimir Putin indica pouca disposição de recuar sem obter algum tipo de reconhecimento, ainda que indireto, de seus ganhos militares.
No campo internacional, a proposta de Trump força uma definição sobre o grau de envolvimento de países-chave. China, Turquia e potências do Golfo são pressionadas a assumir papel mais visível nas conversas, seja como mediadores, seja como garantidores de eventuais compromissos de segurança. Organizações multilaterais, como a ONU, tentam manter um canal mínimo de diálogo, enquanto contabilizam o impacto humanitário de um conflito que já desloca milhões de pessoas e destrói infraestrutura crítica em larga escala.
Economistas calculam que cada ano adicional de guerra custa dezenas de bilhões de dólares à Ucrânia em perdas diretas de PIB e investimentos. O prolongamento das sanções contra a Rússia, por sua vez, redesenha fluxos de energia e comércio global, com reflexos em preços de gás, petróleo e alimentos em diversas regiões. O prazo de junho de 2026 funciona também como marcador para empresas e governos avaliarem quando e como planejar reconstrução e retomada de negócios.
O que esperar até junho de 2026
O calendário imposto por Trump adiciona uma camada de urgência às próximas rodadas de negociação. Interlocutores esperam encontros formais em 2026 com participação ampliada de potências ocidentais e emergentes. A agenda provável inclui discussões sobre garantias de segurança à Ucrânia, mecanismos de verificação de qualquer cessar-fogo e um cronograma escalonado para retirada ou reposicionamento de tropas.
Se o prazo não for cumprido, o cenário se abre em múltiplas direções. Uma possibilidade é o endurecimento de sanções contra Moscou, com restrições adicionais a bancos, tecnologia e exportações de energia. Outra é a intensificação do envio de armamentos sofisticados a Kiev, com risco de ampliar o raio da guerra. Há ainda o temor, em círculos diplomáticos, de que a frustração com um calendário não cumprido provoque fadiga internacional e espaço para soluções parciais, que congelem o conflito sem resolvê-lo.
Trump aposta que o peso de sua imagem política e a visibilidade do prazo serão suficientes para empurrar os envolvidos a um acordo. Zelensky tenta preservar a integridade territorial possível sem perder o apoio externo que mantém a resistência ucraniana de pé. Putin calcula quanto pode ceder sem admitir derrota. A resposta a essa equação, entre mapas, prazos e pressões, definirá não só o fim ou a continuidade da guerra, mas também o equilíbrio de poder na Europa na próxima década.
