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Trump diz ser “grande honra” matar iranianos após ataque em Minab

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma nesta sexta-feira (13) que considera uma “grande honra” matar iranianos. A declaração vem após o bombardeio a uma escola em Minab, no sul do Irã, que mata 175 meninas e provoca comoção internacional. A ofensiva integra a escalada militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o regime iraniano.

Postagem após tragédia amplia tensão com Teerã

A mensagem é publicada horas depois de novas revelações sobre o ataque que destrói a escola em Minab, na província de Hormozgan. A Reuters informa na quarta-feira (11) que militares norte-americanos provavelmente são responsáveis pelo bombardeio, parte de uma operação conjunta com Israel. Duas fontes ligadas à investigação relatam possível uso de dados de mira desatualizados na preparação do alvo.

Trump ignora a cautela da apuração e insiste em um tom de vitória. Em texto público, ele escreve que seu governo está “destruindo totalmente o regime terrorista do Irã, militarmente, economicamente e de todas as outras formas”. Em seguida, associa a própria posição no cargo ao ato de matar iranianos: “Eles vêm matando pessoas inocentes em todo o mundo há 47 anos, e agora eu, como o 47º presidente dos Estados Unidos da América, estou matando-os. Que grande honra é fazer isso!”.

A Casa Branca não apresenta evidências que sustentem a acusação de que Teerã seria responsável pela explosão em Minab. Em declarações anteriores, o próprio Trump tenta atribuir o ataque ao Irã, sem documentos ou imagens que comprovem a versão. Diante do avanço das investigações internas no Pentágono, recua parcialmente e evita repetir a acusação direta, mas mantém a retórica de confronto.

O Pentágono confirma que o episódio está sob investigação e não oferece mais detalhes. A apuração interna das Forças Armadas dos EUA examina qual unidade lança o míssil, quais sistemas de inteligência alimentam o planejamento e como o alvo é autorizado. Especialistas ouvidos pela Reuters analisam um vídeo que parece mostrar um míssil Tomahawk atingindo a área da escola, o que reforça a hipótese de participação americana na operação.

Registros arquivados do site oficial da escola indicam que o prédio fica próximo a um complexo operado pela Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar ligado diretamente ao líder supremo iraniano. Investigadores consideram essa vizinhança um fator decisivo para entender como o local de ensino entra na mira. Uma das fontes ouvidas pela agência afirma, sob anonimato, que foram usadas “informações antigas” na preparação do pacote de ataque; outra diz que “parece ter sido usada inteligência desatualizada”.

Luto em Minab e desgaste internacional para Washington

O impacto humano do bombardeio domina o debate no Irã e fora dele. Imagens exibidas pela TV estatal iraniana mostram dezenas de pequenos caixões cobertos com bandeiras verdes, brancas e vermelhas. Os corpos das 175 estudantes seguem sobre um caminhão lentamente, cercado por uma multidão em silêncio, até o local do enterro. A cena corre o mundo e se transforma em símbolo da nova fase da guerra.

Diplomatas europeus e organismos de direitos humanos cobram transparência de Washington e de Tel Aviv. A morte de crianças em uma escola, em plena ofensiva militar, reacende discussões sobre crime de guerra e responsabilidade de comando. Especialistas em direito internacional lembram que colégios e hospitais têm proteção reforçada pelas Convenções de Genebra e só podem ser atingidos em situações extremas, quando se provam uso militar direto e ausência de alternativa tática.

A postura de Trump, ao descrever como honra a morte de iranianos, alimenta críticas de que a Casa Branca relativiza o custo humano da campanha. Governos aliados, que dependem dos Estados Unidos em acordos de segurança, veem risco de desgaste político interno ao manter apoio irrestrito. Países da região, como Turquia e Catar, alertam para a possibilidade de reação assimétrica do Irã, por meio de milícias e grupos aliados em países vizinhos.

No próprio Estados Unidos, parlamentares democratas e parte dos republicanos moderados cobram esclarecimentos formais do Pentágono. A Câmara e o Senado discutem convocar autoridades militares para audiências públicas e tentam obter acesso a relatórios preliminares sobre o ataque. O debate envolve não só a legalidade da operação em território iraniano, mas a cadeia de comando que autoriza o uso de mísseis de cruzeiro perto de áreas civis densamente povoadas.

Analistas lembram que a relação entre Washington e Teerã entra em rota de colisão desde a Revolução Islâmica de 1979 e passa por sucessivos picos de tensão, como a crise nuclear dos anos 2000. A ofensiva atual, conduzida em parceria com Israel, marca um novo patamar de confronto aberto. A morte das 175 meninas em Minab adiciona uma dimensão emocional poderosa, capaz de redesenhar a percepção pública do conflito em todo o Oriente Médio.

Investigação militar, pressão diplomática e incerteza

A investigação sobre o ataque ainda não tem prazo oficial para ser concluída. Militares que acompanham o caso admitem, em reserva, que o exame completo de trajetórias, registros de voo e comunicações internas pode levar semanas. Enquanto isso, autoridades iranianas exploram politicamente a tragédia, exibem funerais em rede nacional e reforçam o discurso de que o país é vítima de agressão externa.

No Conselho de Segurança da ONU, membros pressionam por uma sessão especial dedicada ao episódio. Potências europeias tentam costurar uma resolução que exija acesso independente ao local e cooperação plena dos Estados Unidos na apuração. A diplomacia americana resiste a qualquer mecanismo que possa abrir precedente para investigações internacionais sobre suas operações.

As declarações de Trump, reproduzidas em vídeo e amplificadas por aliados e críticos, complicam a tarefa dos negociadores. Cada nova frase do presidente é citada por representantes iranianos como prova de intenção deliberada de infligir mortes. Em paralelo, grupos antiamericanos na região usam o ataque a Minab para recrutar combatentes e angariar apoio popular.

Familiares das vítimas, em Minab, exigem responsabilização e reparação. Organizações locais pedem garantias de que escolas na região não serão mais usadas como alvo, mesmo diante da presença próxima de instalações militares. A combinação de luto, revolta e medo transforma o episódio em marco traumático para a comunidade.

O desfecho da investigação e a forma como Washington responde às críticas vão definir o próximo capítulo da crise. Se o erro de inteligência for confirmado e permanecer sem consequências claras, o ataque à escola em Minab tende a se consolidar como símbolo de impunidade na guerra entre Estados Unidos e Irã. A frase de Trump, ao tratar como honra matar iranianos, segue como lembrete de que, no centro da disputa geopolítica, estão vidas civis que não escolhem o conflito.

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