Ultimas

Trump diz que Irã se rendeu e promete ampliar ataques no Oriente Médio

Donald Trump afirma neste 7 de março de 2026 que o Irã “se rendeu” a vizinhos após ataques dos Estados Unidos e de Israel e promete ampliar a ofensiva militar. Teerã reage, nega qualquer rendição e anuncia suspensão de ataques a países árabes do Golfo, salvo em caso de novas ameaças ao território iraniano.

Escalada após semana de ataques coordenados

Trump usa a rede social Truth Social e discursos públicos para declarar que Teerã deixou de ser o “valentão” e virou o “perdedor do Oriente Médio”. Ele atribui a suposta mudança ao que chama de “implacável ataque” conduzido por Washington em parceria com Israel.

Israel afirma ter mobilizado cerca de 80 caças em uma das ondas de bombardeios lançadas antes do amanhecer contra alvos em território iraniano. Os ataques conjuntos começam no sábado, 28 de fevereiro, em meio à intensificação das tensões em torno do programa nuclear iraniano e de operações de grupos aliados a Teerã na região.

Ao longo da semana, forças iranianas respondem com mísseis e drones contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas. Entre os alvos estão Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque, todos atores centrais na rede de alianças dos Estados Unidos no Golfo.

A resposta de Trump sobe de tom a cada ciclo de retaliação. Ele promete que o Irã será “duramente atingido hoje” e avisa que áreas e grupos antes poupados podem entrar na lista de alvos para “destruição completa e morte certa”, em reação ao que define como “mau comportamento” do governo iraniano.

Teerã recua taticamente, mas rejeita capitulação

Horas antes das novas ameaças americanas, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, vai à TV estatal para negar qualquer rendição e tentar conter o desgaste com vizinhos árabes. Em pronunciamento exibido em todo o país, ele afirma que o Irã “jamais se renderá”. “Eles levarão seus sonhos de nossa rendição incondicional para o túmulo”, diz, em referência direta aos Estados Unidos e a Israel.

Pezeshkian pede desculpas públicas às nações do Golfo que foram atingidas por ataques iranianos nos últimos dias. O presidente anuncia que as forças armadas recebem nova orientação: não lançar novos ataques contra esses países, a menos que ofensivas partam de seus territórios em direção ao Irã. “Não temos a intenção de atacar países vizinhos. Eles são nossos irmãos”, afirma.

A mudança de postura expõe o cálculo difícil de Teerã após perdas significativas. No domingo anterior, a mídia estatal iraniana informa que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, morre em consequência dos bombardeios norte-americanos e israelenses. A morte atinge o coração do sistema político da República Islâmica e abre um vácuo de poder num regime que concentra decisões estratégicas na figura do guia supremo desde 1979.

Em resposta ao anúncio, setores militares iranianos prometem a “ofensiva mais pesada” da história contra Israel e bases americanas na região. Pezeshkian reforça a disposição de revanche e declara que retaliar é “direito e dever legítimo” do país persa. A partir desse ponto, o risco de uma guerra aberta entre potências regionais e globais passa a orientar cálculos de capitais como Washington, Tel Aviv, Riad e Bruxelas.

Trump tenta se antecipar a um eventual contra-ataque. Ele adverte que uma nova ofensiva iraniana desencadeará reação sem precedentes. “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, afirma, em mensagem que ecoa o vocabulário usado em crises anteriores com Teerã.

Impacto regional imediato e risco global

A troca de ameaças e ataques ocorre em uma das regiões mais sensíveis para a segurança internacional e o mercado de energia. O Golfo Pérsico concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo e rotas por onde passam, diariamente, milhões de barris destinados à Europa e à Ásia. Qualquer ampliação do conflito pode pressionar preços, afetar inflação e crescimento em economias já fragilizadas.

A suspensão dos ataques iranianos a países vizinhos reduz, por ora, a tensão direta com monarquias árabes que têm exércitos menores e forte dependência de proteção americana. O gesto, porém, não vem acompanhado de distensão verbal. Teerã reforça que a trégua é condicional e pode ser revertida diante de novas ameaças ou ataques partindo de territórios aliados aos Estados Unidos.

Na outra ponta, Trump indica não ver espaço imediato para recuo. Na véspera, ele já havia prometido que os bombardeios contra o Irã continuariam “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de paz em todo o Oriente Médio e, de fato, no mundo”. A retórica mistura promessa de força ilimitada com a ideia de que a campanha militar é pré-requisito para qualquer arranjo estável na região.

Diplomatas europeus e asiáticos acompanham de perto a escalada e discutem, em caráter reservado, eventuais sanções adicionais e iniciativas de mediação. Até agora não há sinal público de uma mesa de negociação que inclua Estados Unidos, Israel e Irã ao mesmo tempo. A ausência de um canal confiável amplia o risco de erro de cálculo, sobretudo num cenário em que decisões são tomadas sob forte pressão doméstica e em ciclos de 24 horas de notícias.

Pressão por saída diplomática ganha força

Com a morte de Khamenei, a sucessão interna no Irã se mistura à necessidade de redefinir a estratégia militar e diplomática. A consolidação de um novo líder supremo tende a consumir semanas ou meses, período em que facções rivais disputam influência sobre o programa nuclear, a Guarda Revolucionária e a política externa.

Nos Estados Unidos, Trump tenta mostrar controle da narrativa e insiste que o Irã “se rendeu” a seus vizinhos, apesar das negativas de Teerã. A divergência entre discurso e fatos no terreno alimenta incertezas sobre o grau de disposição de cada lado para seguir adiante com ataques de maior escala.

Governos do Golfo, diretamente expostos, pressionam por alguma forma de contenção, seja por meio de garantias militares adicionais dos EUA, seja por canais discretos com Teerã. O cálculo é duplo: evitar que seus territórios sigam como plataforma de ataques americanos e, ao mesmo tempo, não romper com o aliado que garante escudos antimísseis, radares e presença naval.

Enquanto aviões seguem decolando e baterias antimísseis permanecem em alerta, a principal incógnita é se algum dos lados aceitará pagar o custo político de frear a escalada. A promessa de Trump de ampliar a ofensiva e a recusa de Pezeshkian em admitir rendição mantêm o Oriente Médio suspenso entre uma trégua instável e a possibilidade de um conflito ainda mais amplo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *