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Trump diz que EUA destroem regime iraniano e elevam tensão global

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma nesta sexta-feira (13) que o país está “destruindo totalmente o regime do Irã”. Em discurso público em território americano, ele apresenta a ofensiva como parte de uma guerra em curso e diz que Washington está “vencendo” o confronto. A declaração acende novo alerta diplomático no Oriente Médio e entre aliados europeus.

Discurso reforça escalada contra Teerã

Trump fala a apoiadores em um evento oficial e reserva cerca de 20 minutos do pronunciamento para tratar do Irã. Ele diz que as forças americanas “avançam em todas as frentes” e que o impacto sobre o regime iraniano é “irreversível”. Sem apresentar números detalhados, o republicano descreve uma campanha combinada de pressão militar, sanções econômicas e isolamento diplomático.

O presidente enquadra a ofensiva como questão de segurança nacional. Afirma que a estratégia busca proteger “interesses estratégicos vitais” dos Estados Unidos, incluindo o trânsito de petróleo no Golfo Pérsico, bases militares na região e a segurança de aliados como Israel e Arábia Saudita. “Não vamos permitir que o regime iraniano ameace nossos cidadãos ou nossos amigos. Estamos destruindo totalmente esse regime”, declara.

Pressão militar, sanções e incerteza regional

A fala de Trump aprofunda um movimento que começa anos antes, com a saída dos EUA do acordo nuclear assinado em 2015. Desde então, Washington restabelece sanções, limita exportações de petróleo iraniano a poucos compradores e mira o sistema financeiro de Teerã. Em alguns períodos, a produção exportada do país cai de cerca de 2,5 milhões para menos de 1 milhão de barris por dia, segundo estimativas de mercado.

O presidente agora afirma que a combinação de ataques pontuais, operações especiais e cerco econômico “corrói o coração do regime”. Ele não detalha operações militares, mas fala em “avanços das tropas” e em “posições estratégicas sob controle americano”. Especialistas ouvidos por organizações internacionais alertam que esse tipo de discurso amplia o risco de erro de cálculo dos dois lados e empurra a região para uma espiral de retaliações.

Diplomatas europeus acompanham com preocupação. Países que ainda tentam preservar algum canal com Teerã avaliam que a retórica de “destruição total” fecha espaços para negociação e pode levar a uma nova rodada de sanções coordenadas. O temor é de impacto direto sobre o preço do petróleo, que já reage a declarações de Washington e Teerã, e sobre cadeias globais de abastecimento de energia.

A postura americana também pressiona alianças tradicionais. Parceiros da Otan, que em 2025 discutem gastos militares mínimos de 2% do PIB, dividem-se entre apoiar a linha dura da Casa Branca e defender uma saída diplomática. Em público, líderes europeus evitam confronto direto com Trump, mas em conversas reservadas admitem preocupação com a segurança regional e com a possibilidade de um conflito aberto alcançar bases e tropas ocidentais no Oriente Médio.

Mercados, diplomacia e o que vem a seguir

A declaração de que os EUA estão “destruindo totalmente o regime do Irã” tende a repercutir em diferentes frentes. No campo econômico, investidores monitoram o risco de interrupções em rotas estratégicas como o estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Qualquer sinal de bloqueio ou ataque na região costuma provocar alta imediata nas cotações e incerteza para países importadores.

No tabuleiro diplomático, governos da região calculam custos e benefícios de se alinhar mais abertamente a Washington. Monarquias do Golfo, que hospedam bases americanas e dependem da proteção dos EUA, podem apoiar a ofensiva em público, mas também temem se tornar alvos diretos de retaliações iranianas. Na outra ponta, rivais de Washington usam o discurso de Trump para acusar os Estados Unidos de desestabilizar o Oriente Médio e alimentar uma corrida armamentista.

Organizações multilaterais e países com tradição de mediação, como Suíça e alguns membros da União Europeia, avaliam formas de reabrir canais de diálogo entre Washington e Teerã. A aposta é em uma combinação de pressão para conter a escalada militar e incentivos econômicos limitados, condicionados a algum tipo de compromisso mínimo. Até agora, não há sinal público de disposição dos dois governos em recuar.

O cenário à frente depende de variáveis difíceis de prever, entre elas a reação imediata do governo iraniano, a resposta dos mercados de energia e o cálculo político interno de Trump, que usa a política externa como trunfo eleitoral. A frase sobre “destruir totalmente o regime do Irã” condensa uma estratégia de força máxima, mas deixa em aberto a pergunta central para diplomatas e investidores: até onde os Estados Unidos estão dispostos a ir nessa guerra.

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