Trump diz que EUA destroem regime do Irã e prometem novos ataques
Donald Trump afirma nesta sexta-feira (13) que os Estados Unidos estão “destruindo totalmente” o regime do Irã, em uma campanha militar que atinge Marinha, Força Aérea, mísseis, drones e a cúpula do poder em Teerã. O presidente, no seu segundo mandato, sinaliza que novas ofensivas estão em curso e volta a atacar a imprensa americana.
Ofensiva coordenada e recado interno
A declaração vem pouco mais de duas semanas depois do ataque de 28 de fevereiro, quando uma operação conjunta de Estados Unidos e Israel mata o líder supremo Ali Khamenei em Teerã e atinge outros altos oficiais iranianos. O assassinato do aiatolá, no comando desde 1989, muda o eixo de poder no Oriente Médio e abre uma fase de guerra aberta entre Washington, Tel Aviv e o regime dos aiatolás.
Trump escolhe a própria rede, a Truth Social, para descrever a escala da campanha. “Estamos destruindo totalmente o regime terrorista do Irã, militar, econômica e de todas as outras formas”, escreve. Em seguida, mira a imprensa. “Se você ler o falido New York Times, pensará erroneamente que não estamos vencendo.”
O presidente afirma que a Marinha iraniana “foi dizimada” e que a Força Aérea “não existe mais”, sem apresentar números oficiais. Segundo ele, “mísseis, drones e tudo o mais estão sendo destruídos, e seus líderes foram varridos da face da Terra”. A Casa Branca não divulga, até o momento, um balanço detalhado dos alvos atingidos desde o início da guerra.
Nos bastidores, militares americanos tratam a campanha como a maior operação contra o Irã em pelo menos quatro décadas, desde a Revolução Islâmica de 1979, que levou os aiatolás ao poder. O comando central dos EUA no Oriente Médio coordena ataques navais e aéreos a partir de bases na região do Golfo e do Mediterrâneo, enquanto Israel concentra ações cirúrgicas em território iraniano e na Síria.
Guerra em expansão e custo humano crescente
O conflito já rompe as fronteiras do Irã. Em resposta à morte de Khamenei e à destruição de parte de sua infraestrutura militar, Teerã lança mísseis e drones contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas afirmam que miram apenas bases, navios e instalações ligadas a interesses americanos e israelenses nesses países.
Os ataques, porém, atingem áreas urbanas e zonas industriais. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, calcula mais de 1.200 civis mortos no Irã desde o início da guerra. Entre os americanos, a Casa Branca confirma ao menos sete militares mortos em ações ligadas diretamente à ofensiva iraniana.
A escalada pressiona governos aliados de Washington na região, que dependem de proteção militar dos EUA e, ao mesmo tempo, temem se tornar alvos permanentes de retaliação. Portos, refinarias e terminais de exportação de petróleo reforçam esquemas de segurança, enquanto companhias aéreas e de transporte de carga revisam rotas e seguros. Investidores acompanham com cautela qualquer sinal de risco ao fluxo de navios pelo Golfo Pérsico, etapa crucial para cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Em meio à tensão, Trump insiste em exibir confiança e poderio. “Temos poder de fogo incomparável, munição ilimitada e muito tempo”, afirma na Truth Social. O tom ecoa sua retórica de campanha, que associa força militar à ideia de liderança global americana, e fala diretamente à sua base interna às vésperas de um ano eleitoral marcado por polarização.
O presidente também repete o ataque pessoal ao regime iraniano. “Eles vêm matando pessoas inocentes em todo o mundo há 47 anos, e agora eu, como o 47º Presidente dos Estados Unidos da América, estou matando-os. Que grande honra é fazer isso!”, escreve. A frase provoca reações imediatas de grupos de direitos humanos, que veem na celebração pública de mortes um sinal de endurecimento do discurso oficial em plena escalada bélica.
Estreito de Ormuz, economia global e incertezas
Trump afirma que os EUA vão “analisar atentamente” a situação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circulam diariamente dezenas de superpetroleiros. Ele diz não acreditar que o Irã tenha instalado minas navais na rota, mas ordena monitoramento reforçado da Marinha americana na região. Analistas de energia avaliam que qualquer interrupção relevante no tráfego pode pressionar o preço do barril e afetar a inflação em grandes economias, do próprio Estados Unidos à Europa e à Ásia.
O presidente sugere que os objetivos militares centrais contra o Irã estão “bastante completos”, mas sinaliza que a campanha não termina. “Observem o que acontecerá com esses canalhas desequilibrados hoje”, avisa em uma das postagens, sem detalhar alvos ou prazos. O recado mantém Teerã e capitais aliadas em estado de alerta permanente.
No campo diplomático, europeus tentam preservar canais mínimos de diálogo para evitar um confronto direto ainda maior, enquanto Rússia e China exploram o desgaste americano para ampliar influência em Teerã. Organizações internacionais alertam para o colapso de serviços básicos em áreas iranianas atingidas e pedem corredores humanitários, em um cenário em que os bombardeios se mantêm quase diários.
A guerra, iniciada há pouco mais de duas semanas, já redesenha alianças e expõe limites da contenção tradicional no Oriente Médio. A forma como Washington administra o próximo ciclo de ataques e eventuais negociações, e como o regime iraniano responde à perda de seu líder máximo, tende a definir não apenas o futuro do conflito, mas também o equilíbrio de poder em uma região que segue sendo o coração energético do planeta.
