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Trump diz que EUA destroem regime do Irã e prometem novas ações

Donald Trump afirma, nesta sexta-feira (13), que os Estados Unidos estão “destruindo totalmente” o regime do Irã e avisa que novas ações militares serão lançadas ainda hoje. O presidente americano descreve uma campanha para aniquilar a capacidade militar iraniana e envia um recado direto a Teerã e ao mundo: a ofensiva está em curso e não tem prazo para terminar.

Uma guerra aberta e declarada

Trump escolhe a rede Truth Social para detalhar a escalada. No texto, diz que a Marinha iraniana está “dizimada”, que a Força Aérea “não existe mais” e que mísseis e drones do país são destruídos em série. Ele afirma ainda que líderes do regime foram “varridos da face da Terra” e volta a atacar a imprensa americana, ao dizer que, “se você ler o falido New York Times, pensará erroneamente que não estamos vencendo”.

O pronunciamento ocorre duas semanas após o ponto de ruptura do conflito. Em 28 de fevereiro, um ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel mata o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã, e atinge parte relevante da cúpula do regime. Desde então, Washington anuncia a destruição de dezenas de navios, sistemas de defesa aérea, aviões de combate e outras estruturas militares iranianas. A guerra, que por anos se mantém em embates indiretos e operações de sombra, assume contornos abertos, com envolvimento direto das duas potências rivais.

No novo comunicado, Trump eleva o tom pessoal. “Estamos destruindo totalmente o regime terrorista do Irã, militar, econômica e de todas as outras formas”, escreve. Em seguida, associa a ofensiva à sua posição política. “Eles vêm matando pessoas inocentes em todo o mundo há 47 anos, e agora eu, como o 47º Presidente dos Estados Unidos da América, estou matando-os. Que grande honra é fazer isso!”

Impacto regional e custo humano

A ofensiva americana não fica sem resposta. O regime dos aiatolás lança ataques contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Teerã afirma mirar apenas bases, embaixadas e estruturas ligadas a interesses dos Estados Unidos e de Israel nesses territórios. As explosões atingem zonas urbanas e áreas civis, mesmo quando o alvo declarado é militar.

Desde o início da guerra, mais de 1.200 civis morrem no Irã, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, organização sediada nos EUA que monitora violações no país. Do lado americano, a Casa Branca confirma ao menos sete soldados mortos em ações ligadas diretamente aos ataques iranianos. São números ainda parciais, que tendem a subir em um cenário de bombardeios sucessivos, falhas de comunicação no terreno e dificuldade de acesso a áreas atingidas.

O conflito se concentra em uma das regiões mais sensíveis do planeta. O Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, entram no centro das preocupações. Trump afirma que os EUA vão “analisar atentamente” a situação no estreito e diz não acreditar que o Irã tenha instalado minas na rota marítima, mas o simples risco de interrupção já mexe com mercados. O preço do barril reage a rumores, não apenas a fatos confirmados.

Investidores tentam medir até onde vai a disposição americana de manter uma campanha prolongada. No comunicado, Trump fala em “poder de fogo incomparável, munição ilimitada e muito tempo”. A formulação sinaliza que o governo se prepara para uma operação sem horizonte claro de término, ainda que, em outra mensagem recente, o presidente tenha sugerido que os objetivos dos EUA no Irã estão “bastante completos”. A convivência dessas duas ideias — vitória próxima e guerra aberta — aumenta a incerteza em capitais da região e em conselhos de administração mundo afora.

Próximos alvos e riscos de escalada

A promessa de novas ações “ainda hoje” indica que a fase atual da ofensiva não se encerra com a destruição de navios, aviões e mísseis. Analistas em Washington e em Tel Aviv avaliam que os próximos alvos podem incluir centros de comando, redes de comunicação estratégica e infraestrutura ligada à Guarda Revolucionária, braço mais poderoso do regime iraniano. Cada novo ataque eleva o risco de uma resposta assimétrica, com ações de milícias aliadas ao Irã no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen.

Dentro do Irã, a morte de Ali Khamenei abre uma disputa de poder que ainda não se mostra totalmente à vista. O vácuo na liderança, somado ao bombardeio de instalações militares, fragiliza a capacidade de comando em Teerã e alimenta temores de fragmentação interna. Ao mesmo tempo, oferece espaço para que grupos mais radicais proponham reações ainda mais agressivas aos Estados Unidos e a Israel, em um ciclo que amplia o risco de uma guerra regional mais ampla.

A comunidade internacional acompanha o avanço dos ataques com preocupação crescente. Países europeus pressionam por canais de diálogo, enquanto Rússia e China exploram o desgaste americano para reforçar sua influência no Oriente Médio. Até agora, porém, o campo diplomático corre atrás dos fatos. Bombardeios, declarações de força e mortes em série definem o ritmo dos acontecimentos.

Trump encerra sua mensagem com um agradecimento incomum em meio à escalada militar. “Obrigado pela sua atenção a este assunto”, escreve, depois de exaltar a “honra” de matar integrantes do regime iraniano. O contraste entre o tom de campanha pessoal e o peso das decisões de guerra ajuda a explicar por que a principal dúvida neste momento não é o que aconteceu até aqui, mas quanto ainda falta para o conflito ultrapassar um ponto de retorno.

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