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Trump diz que Deus está “muito orgulhoso” de sua presidência

Donald Trump afirma, em entrevista em 2026, que Deus está “muito orgulhoso” do trabalho realizado por ele na Casa Branca. A declaração ocorre ao comentar um atentado sofrido em 2024, que ele descreve como prova de proteção divina. O gesto aprofunda a ligação do presidente com o eleitorado religioso e reacende o debate sobre fé e poder nos EUA.

Declaração liga fé, sobrevivência e poder político

Trump fala com jornalistas em Washington ao completar o primeiro ano do novo mandato. Ao ser questionado sobre a tentativa de atentado de 2024, recorda o episódio como um divisor em sua trajetória política. Ele volta a afirmar que teve a vida poupada e atribui o desfecho a intervenção divina.

“Eu sei que Deus está muito orgulhoso do que fizemos pelo país. Ele me protegeu em 2024 porque ainda havia muito trabalho a cumprir”, diz o presidente, olhando diretamente para as câmeras. A frase, curta e calculada, entra de imediato no roteiro político que ele constrói desde a primeira campanha vitoriosa, em 2016.

Trump costura a narrativa da própria sobrevivência a uma missão quase messiânica. Ao recontar o atentado, menciona dados de inteligência, reforça o risco real de morte e apresenta o episódio como confirmação de um destino. “Aquilo poderia ter terminado de outra forma. Não terminou. Isso significa alguma coisa”, afirma.

Assessores próximos veem na fala menos um improviso devocional e mais um movimento estratégico. Em 2020, estimativas do Pew Research Center apontam que quase 70% dos adultos americanos se declaram cristãos. Mesmo com queda em relação a décadas anteriores, o grupo religioso continua decisivo em disputas apertadas. Trump conhece esse mapa há anos e volta a explorá-lo.

Durante cerca de 40 minutos de entrevista, ele alterna balanços econômicos, promessa de novos cortes de impostos e críticas a rivais democratas com referências à fé. Fala em “proteção”, “propósito” e “plano maior”, termos que conversam diretamente com sua base evangélica e conservadora. Não cita versículos, mas insiste na ideia de que sua presidência supera a lógica comum da política.

Base religiosa se fortalece, críticos veem personalismo

A frase sobre Deus estar “muito orgulhoso” repercute de forma quase imediata. Pastores alinhados à Casa Branca destacam o episódio do atentado como “testemunho de fé”. Líderes de megatemplos, com públicos que ultrapassam 10 mil fiéis por culto, compartilham o vídeo da entrevista em redes sociais e reforçam a narrativa de que Trump é instrumento de um projeto divino.

Em 2024, pesquisas de boca de urna indicam que Trump obtém mais de 75% dos votos entre evangélicos brancos. No novo mandato, a equipe política tenta consolidar esse patamar e avançar entre católicos conservadores. A declaração de 2026 encaixa nessa ofensiva. Ao associar sucesso econômico, sobrevivência a um atentado e aprovação divina, o presidente oferece um pacote emocional difícil de desmontar para quem já o vê como escolhido.

Críticos reagem na mesma velocidade. Analistas políticos apontam que o uso da linguagem religiosa reforça um personalismo em que o presidente se coloca acima de instituições e freios democráticos. Especialistas em religião e Estado lembram que a Constituição americana, de 1787, separa formalmente Igreja e governo. A prática, porém, sempre é mais ambígua, e Trump testa novos limites dessa fronteira.

Para opositores, a ideia de um mandatário que se diz objeto de orgulho divino alimenta a percepção de que qualquer contestação à sua gestão vira afronta religiosa. Parlamentares democratas notam que, em momentos de crise, o presidente costuma recorrer a essa blindagem simbólica. Ao transformar um atentado real em peça central de marketing político, ele amplia a distância entre apoiadores e críticos.

Organizações civis veem risco concreto em uma presidência amparada em linguagem sagrada. Elas lembram que decisões de governo movimentam trilhões de dólares em orçamento, afetam direitos de minorias e redesenham a política externa. Quando essas decisões são apresentadas como parte de um “plano de Deus”, o espaço para debate racional encolhe. A entrevista de 2026 reforça esse deslocamento.

Disputa de narrativas deve marcar o restante do mandato

A declaração se soma a um padrão que marca a vida pública de Trump há pelo menos dez anos: o uso de frases de efeito calculadas para pautar o noticiário e testar limites do aceitável. Em 2016, ele prometia “tornar a América grande de novo” com slogans e comícios lotados. Em 2020, insistia em ter vencido uma eleição considerada legítima pelos tribunais. Em 2026, associa diretamente sua permanência no poder à vontade de Deus.

O efeito imediato é previsível. Redes de notícias dedicam horas à frase, enquanto apoiadores multiplicam trechos da entrevista em vídeos curtos e memes. Plataformas como X, TikTok e Facebook viram arena para discussões em que números de emprego, inflação e resultados concretos da gestão cedem espaço a disputas simbólicas sobre destino, fé e moralidade.

Ao entrar na segunda metade do mandato, Trump sinaliza que continuará misturando religião, biografia e poder. A aposta é clara: quanto mais polarizado o ambiente, mais valiosa se torna uma narrativa que apresenta seu governo como protegido por instâncias superiores. O risco, para a democracia americana, é uma escalada de desconfiança entre grupos que passam a se ver não apenas como adversários políticos, mas como inimigos em campos espirituais opostos.

A frase sobre um Deus “muito orgulhoso” funciona como síntese dessa aposta. Para uns, confirma a convicção de que o presidente cumpre um papel histórico singular. Para outros, expõe um líder que troca moderação institucional por devoção à própria imagem. O restante do mandato dirá qual dessas leituras se impõe — e até que ponto a fé continuará a ser usada como peça central na disputa pelo poder em Washington.

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