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Trump diz que Cuba vive seus “últimos momentos” em evento com líderes

Donald Trump afirma neste domingo (8) que Cuba “vive seus últimos momentos” como regime atual, ao discursar no evento “Escudo da América”, voltado ao combate a cartéis na América Latina. Diante de líderes latino-americanos, o republicano vincula a crise cubana ao avanço do crime organizado na região e defende uma frente comum contra cartéis e governos que considera frágeis ou coniventes.

Discurso em meio à pressão sobre Havana

O evento ocorre em 8 de março de 2026 e reúne autoridades de ao menos dez países latino-americanos, segundo organizadores. Em um dos momentos mais duros do discurso, Trump declara que “Cuba vive seus últimos momentos”, frase que ecoa no auditório e rapidamente ganha as redes sociais. A fala se soma a anos de pressão diplomática e sanções econômicas impostas por Washington à ilha.

Trump apresenta Cuba como exemplo de colapso institucional e alerta para o que chama de “efeito contágio” sobre vizinhos vulneráveis. O ex-presidente descreve um quadro de economia à beira do colapso, queda drástica na oferta de energia, filas crônicas por alimentos e uma onda migratória que pressiona Estados Unidos, México e Caribe. Ao mencionar o endurecimento das sanções americanas, afirma que “não existe prosperidade possível com um regime que sufoca seu próprio povo”.

No palco, o republicano liga a situação cubana à necessidade de uma aliança mais agressiva contra cartéis de drogas que operam do norte do México ao Cone Sul. Segundo ele, governos enfraquecidos, sob crise fiscal e política, viram alvos preferenciais de organizações criminosas com faturamento bilionário em dólares por ano. “Se não agirmos juntos, os cartéis vão decidir a política de segurança do continente”, diz.

Crise crônica e sanções em série

A declaração sobre os “últimos momentos” de Cuba expõe uma crise que se arrasta há anos. Desde 2019, a ilha acumula queda de produto interno bruto em vários anos seguidos, apagões recorrentes e inflação que, em alguns períodos, passa dos dois dígitos anuais. A combinação de colapso do turismo, pandemia, menor apoio da Venezuela e sanções americanas mais duras estrangula a economia.

Medidas adotadas por Washington a partir de 2017 ampliam o embargo vigente desde a década de 1960. Restrições a remessas, limitações de viagens e punições a empresas que negociam com Havana reforçam o isolamento financeiro. Trump retoma esse histórico no discurso e diz que “as sanções não são o problema, são a resposta a um problema que começou com a ditadura”. O governo cubano, por sua vez, costuma atribuir à Casa Branca a maior parte das dificuldades internas.

O tom da fala também mira a política doméstica americana. Trump tenta se apresentar como líder capaz de articular uma espécie de “escudo continental” contra cartéis e regimes autoritários. Em um momento em que a violência ligada ao tráfico cresce em países como Equador e México, a promessa de cooperação em inteligência, operações conjuntas e controle de fronteiras ganha peso político. O republicano insiste que a “guerra contra os cartéis” precisa ter a mesma prioridade que a luta contra o terrorismo teve após 2001.

Para parte dos líderes presentes, o recado é ambivalente. Alguns veem na retórica contra cartéis uma oportunidade de obter mais recursos, tecnologia e treinamento, em especial para forças policiais e de fronteira. Outros temem que, sob o rótulo de segurança, Washington amplie sua influência política e pressione países a adotar linha dura que pode afetar direitos civis e agravar tensões internas.

Impacto regional e disputa de narrativas

A frase sobre o fim próximo do regime cubano tende a acirrar o debate diplomático. Havana e aliados históricos, como Venezuela e Nicarágua, devem reagir com notas oficiais acusando os Estados Unidos de ingerência e “guerra econômica”. Setores de esquerda na América Latina podem explorar o episódio para reforçar a crítica a sanções unilaterais, enquanto opositores de governos alinhados a Cuba veem na declaração um sinal de isolamento crescente da ilha.

Na prática, o discurso alimenta discussões sobre como lidar com o fluxo de migrantes cubanos, que, em alguns anos recentes, supera a marca de 200 mil pessoas em direção aos Estados Unidos. Países de trânsito, como Panamá, Colômbia e México, enfrentam pressão humanitária e de segurança. Ao associar a crise cubana ao avanço dos cartéis, Trump indica que a questão migratória, o crime transnacional e a instabilidade política fazem parte do mesmo tabuleiro.

A menção à “Escudo da América” como plataforma de cooperação contra cartéis abre espaço para negociações concretas. Governos discutem acordos de compartilhamento de dados sobre rotas de drogas, lavagem de dinheiro e uso de criptomoedas por organizações criminosas. Especialistas em segurança calculam que, em alguns países, cartéis movimentam valores equivalentes a até 3% do PIB, o que distorce economias inteiras e corrompe instituições.

Uma eventual ampliação de operações conjuntas com apoio americano pode redesenhar prioridades orçamentárias em defesa e segurança pública. Países com contas apertadas veem com cautela a possibilidade de depender mais de recursos externos, enquanto setores empresariais pressionam por maior proteção a portos, corredores logísticos e fronteiras. O custo político de se alinhar ou não ao plano de Trump tende a entrar nas campanhas eleitorais da região nos próximos anos.

Próximos passos e incertezas sobre Cuba

O impacto imediato do discurso será medido nas reações oficiais de Havana e nas chancelarias latino-americanas nos próximos dias. Comunicações diplomáticas, convocações de embaixadores e resoluções em organismos regionais devem indicar até que ponto a frase de Trump se converte em atrito formal. Ao mesmo tempo, legislativos nacionais avaliam como incorporar o tema da cooperação contra cartéis em agendas já marcadas por crises fiscais e disputas internas.

A situação em Cuba permanece cercada de incerteza. Sem acesso amplo a crédito internacional e com produção doméstica em queda, o governo tenta equilibrar ajustes econômicos graduais e controle político rígido. A pergunta que se impõe, depois do aviso de Trump, é se a ilha conseguirá reinventar sua governança antes que a combinação de sanções, escassez e migração em massa provoque uma ruptura que ninguém, dentro ou fora do país, consegue prever com clareza.

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