Trump culpa políticas democratas por mortes em Minnesota e cobra ação
Donald Trump responsabiliza políticas migratórias de democratas pelos tiroteios que matam dois cidadãos em Minnesota e exige, na noite de 25 de janeiro de 2026, cooperação imediata com o governo federal. O ex-presidente cobra que autoridades locais entreguem imigrantes em situação irregular às forças de imigração e encerrem políticas de cidades santuário.
Publicação amplia embate entre Casa Branca e democratas locais
O ataque de Trump ocorre em uma longa publicação nas redes sociais, no domingo à noite, e mira diretamente o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, ambos democratas. O ex-presidente associa as mortes de Renee Good e Alex Pretti, em tiroteios distintos no estado, ao que chama de “liderança fracassada dos democratas” na área migratória.
Trump escreve que cidades e estados administrados por democratas criam um ambiente de “caos” ao adotar políticas de proteção a imigrantes sem documentação regular. Ele afirma que esses governos priorizam “criminosos estrangeiros ilegais” em detrimento de cidadãos americanos que pagam impostos e cumprem a lei, e diz que esse desequilíbrio cobra agora um preço em vidas.
Na mensagem, o ex-presidente repete um discurso conhecido desde sua primeira campanha, em 2016, mas agora vincula diretamente as mortes em Minnesota às decisões recentes de governos estaduais e municipais. Ele critica políticas herdadas da gestão de Joe Biden e a resistência de administrações locais a colaborar com o ICE, a agência federal de imigração e alfândega.
“Cidades e estados santuários governados por democratas estão se RECUSANDO a cooperar com o ICE e estão, na verdade, incentivando agitadores de esquerda a obstruir ilegalmente suas operações para prender o ‘pior do pior’!”, escreve Trump. Na mesma publicação, ele afirma que os democratas “colocam criminosos estrangeiros ilegais acima de cidadãos contribuintes que cumprem a lei”.
Cobrança inclui entrega de presos e fim de cidades santuário
Trump não se limita à crítica política. Ele apresenta uma lista de exigências a Walz, Frey e outros governadores e prefeitos democratas em todo o país. A principal cobrança é que estados e municípios passem a entregar imediatamente às autoridades federais todos os imigrantes sem documentação que estejam detidos em cadeias estaduais, prisões locais ou sob custódia da polícia.
O ex-presidente exige ainda que forças policiais locais colaborem ativamente com agentes federais na captura e detenção de estrangeiros procurados por crimes. Ele afirma que essa cooperação deve se transformar em “parceria formal” para acelerar a remoção de imigrantes condenados, em nome da proteção aos cidadãos americanos.
“Está na hora de cooperarem formalmente com o Governo Trump para fazer cumprir as Leis de nossa Nação, em vez de resistir e alimentar as chamas da Divisão, do Caos e da Violência”, diz. No texto, ele pede o fim imediato das chamadas cidades santuário, políticas que restringem o compartilhamento de informações entre autoridades locais e o ICE para proteger imigrantes em situação irregular.
A proposta representa uma mudança concreta na rotina de segurança pública em dezenas de cidades americanas, caso avance. Em estados como Minnesota, governos locais têm usado as regras de santuário para tentar separar a atuação policial da política migratória, alegando que isso aumenta a confiança da população imigrante em denunciar crimes.
A conexão direta entre imigração irregular e violência, central na narrativa de Trump, é contestada por parte da comunidade acadêmica e por organizações de direitos civis. Estudos citados por defensores das políticas de santuário apontam, em alguns casos, índices de criminalidade iguais ou menores em áreas com maior presença de imigrantes. A nova ofensiva do ex-presidente, porém, aposta no impacto emocional das mortes recentes para consolidar apoio a uma guinada mais dura na fronteira e no interior do país.
Pressão política e disputa jurídica à vista
A publicação reacende de forma imediata o conflito entre o governo federal e administrações locais sobre quem tem a palavra final na gestão migratória. Governadores e prefeitos democratas já contestam, em tribunais federais, ordens anteriores que buscavam condicionar repasses de verbas à cooperação com o ICE. As novas exigências de Trump tendem a alimentar essa batalha jurídica em 2026.
Em Minnesota, a cobrança tem peso político adicional. O estado se equilibra há anos em disputas eleitorais apertadas, com margens de poucos pontos percentuais entre democratas e republicanos. O uso das mortes de Renee Good e Alex Pretti como símbolo de uma alegada falha sistêmica nas políticas migratórias deve entrar de forma central nos discursos de campanha e nas propagandas partidárias.
O endurecimento do tom também coloca sob pressão a relação entre forças de segurança locais e comunidades de imigrantes. Organizações que atuam na defesa de minorias alertam, em outros episódios semelhantes, que o medo da deportação pode afastar testemunhas, dificultar investigações e empurrar crimes para a clandestinidade. Prefeituras e governos estaduais que mantêm políticas de santuário costumam alegar exatamente esse risco ao recusar alinhamento automático com o ICE.
No plano internacional, o movimento de Trump tende a repercutir em debates sobre direitos humanos e refúgio. Países que enviam grande número de migrantes aos Estados Unidos acompanham, com atenção, qualquer sinal de aumento em deportações ou endurecimento na abordagem de imigrantes já estabelecidos. A percepção de um país menos acolhedor pode afetar acordos de cooperação e negociações diplomáticas ambientais ou comerciais.
A Casa Branca e as administrações de Minnesota e Minneapolis ainda não detalham eventuais respostas formais à publicação deste domingo. Aliados de Trump, porém, já usam o texto como munição política, pressionando legisladores estaduais a rever leis locais de proteção a imigrantes. Nas próximas semanas, o embate entre capitais estaduais, prefeituras e Washington tende a sair das redes sociais e ganhar salas de audiência, plenários parlamentares e, de novo, as urnas.
