Trump amplia importação de carne da Argentina para conter alta nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia nesta 7ª feira (7.fev.2026) a ampliação da importação de carne da Argentina. A medida tenta frear a alta dos preços no mercado americano, pressionado desde o fim de 2024.
Pressão no bolso e resposta da Casa Branca
Trump reage a um cenário de insatisfação crescente com o custo da alimentação. Dados oficiais mostram que o preço médio da carne bovina nos EUA sobe mais de 18% em 12 meses, bem acima da inflação geral. Em alguns cortes populares, como hambúrguer e carne moída, a alta supera 25% em grandes redes de supermercados.
Ao autorizar o aumento das compras da Argentina, a Casa Branca tenta sinalizar que atua de forma direta para aliviar o bolso do consumidor. A meta, segundo assessores ouvidos reservadamente, é elevar em cerca de 30% o volume de carne argentina desembarcando nos portos americanos ainda no primeiro semestre de 2026. A logística inclui a ampliação de cotas de importação e a aceleração de licenças sanitárias para frigoríficos já habilitados.
Estratégia política e disputa com produtores
Trump associa a decisão a uma defesa do poder de compra da classe média. Em conversas recentes com aliados, o presidente insiste que a carne cara vira símbolo de um país pressionado pelo custo de vida. “O americano precisa poder comprar um bife decente sem sentir que está sendo roubado”, afirma um assessor que participa das discussões econômicas na ala Oeste da Casa Branca.
A estratégia, porém, encontra resistência imediata no cinturão rural. Grandes produtores de carne bovina, concentrados em estados como Texas, Kansas e Nebraska, veem na ampliação das importações uma ameaça à rentabilidade num momento em que enfrentam custos maiores de ração, energia e frete. Entidades do setor indicam que vão pressionar o Congresso por salvaguardas, como subsídios adicionais e possíveis limites à participação de produtos estrangeiros em compras governamentais.
Economistas especializados em alimentos avaliam que a decisão tem impacto mais simbólico do que estrutural. A Argentina é um fornecedor relevante, com tradição em carne de qualidade, mas não substitui a gigantesca produção interna americana. “A entrada de mais carne argentina ajuda a segurar movimentos extremos de alta, mas não derruba preços sozinha”, diz um consultor que assessora redes de varejo em Nova York. O efeito deve se concentrar em cortes de maior valor agregado e em nichos dispostos a experimentar marcas importadas.
Histórico, mercado global e efeito para o consumidor
A relação entre EUA e Argentina no setor de carnes oscila há décadas. Suspensões sanitárias, cotas e disputas tarifárias marcam os anos 1990 e 2000, quando surtos de doenças animais levam Washington a fechar temporariamente o mercado. Nos últimos anos, o fluxo volta a crescer, ainda que sob forte controle regulatório. A decisão de agora amplia esse movimento e reforça Buenos Aires como parceiro estratégico num segmento sensível.
No curto prazo, o consumidor médio pode notar alívio modesto, mas real, em alguns produtos de prateleira. Analistas projetam reduções pontuais entre 5% e 10% em linhas específicas, sobretudo em grandes áreas urbanas com competição intensa entre redes. Em regiões rurais e pequenas cidades, a queda tende a ser menor, já que o preço final depende de transporte, margens de varejistas locais e contratos antigos com frigoríficos americanos.
O gesto de Trump também envia sinal ao mercado internacional de que os EUA aceitam maior integração em cadeias globais de alimentos quando a pressão interna aumenta. Essa abertura pode influenciar negociações com outros exportadores, como Brasil, Uruguai e Austrália, que acompanham de perto qualquer mudança nas regras americanas. Uma ampliação prolongada das importações tende a reordenar fluxos de navios, compromissos de longo prazo com compradores asiáticos e estratégias de investimento em frigoríficos na América do Sul.
Próximos movimentos e dúvidas em aberto
A equipe de Trump trabalha com um horizonte de 90 dias para avaliar os primeiros efeitos da medida. Técnicos dos departamentos de Agricultura e Comércio monitoram preços semanais, volumes desembarcados e a reação da indústria doméstica. Caso o alívio ao consumidor seja tímido, novas etapas de abertura ou incentivos à produção interna entram na mesa. Uma hipótese discutida é a combinação de mais importação com linhas de crédito subsidiado para pequenos e médios produtores americanos.
O ambiente político também pesa. Em ano de disputa intensa por apoio no Congresso e de preparação para o ciclo eleitoral seguinte, a carne se transforma em tema de campanha. Trump tenta se colocar como o presidente que encara diretamente a alta de preços, mesmo às custas de atritos com parte da base rural. Produtores, por sua vez, buscam organizar uma reação coordenada para evitar que a medida se torne permanente. O mercado agora observa se o aumento das compras da Argentina será um ajuste temporário de emergência ou o início de uma nova fase de dependência externa em um dos alimentos mais sensíveis da mesa americana.
