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Trump afasta chefe da Patrulha de Fronteira em Minneapolis após morte de enfermeiro

O governo Donald Trump afasta Gregory Bovino do comando da Patrulha de Fronteira em Minneapolis após um tiroteio fatal em 24 de janeiro de 2026. A Casa Branca envia o czar da fronteira, Tom Homan, para assumir as operações locais do ICE e tenta conter o desgaste político provocado pela morte do enfermeiro Alex Pretti.

Casa Branca reage à crise após tiroteio e morte de enfermeiro

O afastamento de Bovino ocorre menos de 48 horas depois da ação que termina com a morte de Pretti, enfermeiro americano atingido durante uma operação de imigração em Minneapolis. O episódio aprofunda a crise política em torno da repressão à imigração adotada pelo governo Trump e expõe fissuras entre a Casa Branca e a cúpula do Departamento de Segurança Interna.

Funcionários ouvidos sob reserva descrevem a saída de Bovino de Minnesota como uma “decisão mútua”, formalmente negociada, mas empurrada pela frustração do presidente com a gestão da crise. Assessores relatam que Trump passa horas, no domingo (25) e na segunda-feira (26), acompanhando a cobertura jornalística sobre o caso e se irrita com a imagem de um governo desorganizado e contraditório.

A irritação aumenta depois que a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classifica Alex Pretti como “terrorista doméstico” e o acusa de manejar uma arma de fogo durante a abordagem. A afirmação não é sustentada pelas imagens disponíveis, segundo fontes ligadas à investigação, e gera reação imediata de parlamentares, entidades civis e da própria polícia local.

Bovino tenta conter o dano. Ele concede entrevista à CNN no domingo e participa de uma coletiva com repórteres no mesmo dia. As aparições, porém, não pacificam as críticas à resposta do governo nem esclarecem as divergências internas sobre o que ocorreu na operação. Autoridades reconhecem que as mensagens são desencontradas e alimentam a sensação de improviso.

Tom Homan assume operações locais e redefine correlação de forças

Na noite de domingo, começam as discussões sobre a transferência de Bovino de Minnesota, segundo um funcionário com acesso às conversas. No dia seguinte, a Casa Branca anuncia o envio de Tom Homan, conselheiro de confiança de Trump para temas de fronteira, para gerir “em campo” as operações do ICE em Minneapolis. A medida reduz, na prática, o poder de Bovino na região e reposiciona a cadeia de comando.

Em coletiva nesta segunda-feira (26), a secretária de imprensa Karoline Leavitt evita confirmar explicitamente a saída de Bovino do estado. Ela afirma que Homan será o “principal ponto de contato em Minneapolis” e insiste que Bovino “continua a liderar” a Patrulha de Fronteira em nível nacional. Na prática, o recado é lido como um rebaixamento no front mais sensível da política migratória atual.

O caso em Minneapolis já resulta na morte de dois cidadãos americanos em menos de um mês, dentro de um contexto de campanha agressiva de deportações. A presença de Homan, conhecido por defender ações de alto impacto contra imigrantes irregulares, sinaliza que a Casa Branca não pretende recuar da linha dura, mas busca maior controle sobre a execução e a comunicação das operações.

A repercussão internacional se amplia à medida que organizações de direitos humanos e governos estrangeiros cobram explicações sobre o uso da força pelo ICE em áreas urbanas. A classificação precipitada de Pretti como terrorista doméstico vira símbolo do risco de criminalização excessiva em meio ao discurso de combate à imigração ilegal. Na segunda-feira, Leavitt tenta se distanciar de Noem e afirma que essa não é uma posição “pessoalmente adotada” por Trump.

O governador de Minnesota, Tim Walz, fala por telefone com Trump na manhã de segunda-feira. Pessoas próximas aos dois descrevem o tom como conciliatório, após dias de tensão sobre a aplicação das leis migratórias no estado. O diálogo é interpretado em Minneapolis como um sinal de que o governo federal busca uma saída negociada para o impasse político, sem abrir mão da presença reforçada de agentes federais.

Pressão política, eleições e incertezas sobre a estratégia migratória

O afastamento de Bovino do comando local representa mais do que uma mudança administrativa. Ele retira de cena um ator-chave da repressão à imigração e abre espaço para uma gestão mais centralizada pela Casa Branca. Na prática, Trump passa a ter um aliado direto, Homan, controlando a resposta a um caso que já domina o noticiário nacional e mobiliza eleitores em um ano politicamente delicado.

Setores conservadores veem a substituição como ajuste necessário para endurecer ainda mais o combate à imigração irregular. Grupos de defesa de imigrantes, por outro lado, temem que a chegada de Homan leve a operações mais amplas e menos transparentes em Minneapolis e em outras cidades do Meio-Oeste. A dúvida é se o governo aproveitará a crise para expandir o modelo de intervenção federal em estados que resistem à sua agenda.

Internamente, o episódio expõe o desgaste de Kristi Noem, cuja leitura apressada dos fatos coloca o governo na defensiva. A investigação federal sobre a morte de Alex Pretti, conduzida pelo FBI, tende a testar a versão apresentada até agora por autoridades do Departamento de Segurança Interna. Qualquer divergência entre laudos oficiais e declarações públicas pode alimentar novas críticas sobre abuso de poder e uso político do aparato de segurança.

No plano eleitoral, assessores de Trump sabem que imagens de operações mal conduzidas têm potencial para mobilizar não apenas a base contrária ao governo, mas também republicanos moderados preocupados com o aumento da violência. A Casa Branca tenta, ao mesmo tempo, mostrar controle sobre a fronteira e sinalizar que responde a erros. O equilíbrio entre firmeza e responsabilidade ainda não aparece claro para parte do público.

Os próximos dias serão marcados por três movimentos paralelos: o avanço da investigação do FBI, a consolidação do comando de Homan em Minneapolis e o reposicionamento de Bovino dentro da estrutura nacional da Patrulha de Fronteira. À medida que mais detalhes da operação que matou Alex Pretti vierem à tona, ficará evidente se o afastamento de um comandante local basta para encerrar a crise ou se o caso abrirá uma disputa mais profunda sobre os limites da política migratória de Trump.

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