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Trabalhadores desaparecidos em explosão de tanque são achados mortos no RJ

Dois trabalhadores terceirizados que estavam desaparecidos após a explosão de um tanque de combustível da Vibra, em Volta Redonda (RJ), são encontrados mortos na madrugada desta segunda-feira (23). Eles fazem manutenção dentro da estrutura, que armazenava cerca de 350 mil litros de álcool no momento do acidente.

Corpos localizados após esvaziamento de tanque

A busca entra pela madrugada e termina às 3h40, quando equipes do Corpo de Bombeiros localizam os corpos dentro do tanque na base de combustíveis da Vila Americana. Para acessar o interior da estrutura, os bombeiros primeiro removem o álcool que ainda resta no reservatório e no maquinário, procedimento que também permite descartar o risco de novas explosões.

Segundo a Prefeitura de Volta Redonda, as vítimas são dois homens de 28 e 29 anos, funcionários de uma empresa terceirizada contratada pela Vibra para serviços de manutenção industrial. Eles trabalham no momento da explosão, registrada na madrugada de domingo, durante uma intervenção nos equipamentos do tanque. Um terceiro trabalhador, também terceirizado, fica ferido e é levado ao Hospital São João Batista, com quadro de saúde considerado estável.

O tanque onde ocorre o acidente tem capacidade para 2 milhões de litros de álcool, de acordo com a prefeitura. No momento da explosão, cerca de 350 mil litros permanecem armazenados no interior da estrutura. A combinação de grande volume de combustível inflamável e ambiente confinado transforma qualquer falha operacional ou técnica em risco imediato à vida de quem atua ali dentro.

Após a localização dos corpos, as equipes fazem o processo de descontaminação para reduzir ao máximo a presença de resíduos químicos e vapores de álcool. Só depois desse protocolo, os corpos seguem para o Instituto Médico-Legal de Três Poços, onde passam por perícia. A cena do acidente é isolada e entregue à Defesa Civil municipal e à polícia para análise detalhada das causas.

Bairro evacuado e rotina interrompida

A explosão rompe a madrugada de um bairro residencial que convive há décadas com a presença de estruturas industriais. Por segurança, 120 moradores da Vila Americana deixam suas casas às pressas e passam horas fora de casa, enquanto autoridades avaliam o risco de novas ocorrências. Com o esvaziamento do tanque e a estabilização da área, o Corpo de Bombeiros libera o retorno das famílias, após descartar a possibilidade de novas explosões ou vazamentos significativos.

A prefeitura divulga uma nota em tom de luto e solidariedade. “Este é um momento de profunda dor para todos”, afirma o comunicado oficial. O prefeito Neto, que acompanha as buscas, resume o clima na cidade. “Hoje é um dia de tristeza para Volta Redonda. Acompanhamos cada etapa desse trabalho com esperança no coração. Infelizmente, o desfecho não foi o que todos desejávamos”, declara. O governo municipal diz prestar apoio às famílias das vítimas e reforça que o foco imediato é o acolhimento dos parentes e colegas de trabalho.

A explosão pressiona também a rotina da própria base de combustíveis. Em nota, a Vibra informa que a ocorrência se dá durante uma atividade de manutenção dos equipamentos, conduzida pelos três funcionários terceirizados. A empresa confirma a morte de dois deles e o socorro ao terceiro. A companhia afirma que não há impacto ao meio ambiente e diz atuar junto à prestadora de serviços para apoiar as famílias.

A relação com a comunidade vizinha entra no centro do debate. Moradores relatam apreensão com o volume de produtos inflamáveis estocado a poucos metros de casas, escolas e pequenos comércios. O tanque envolvido no acidente representa apenas parte da capacidade total do polo supridor local, que integra a rede de distribuição de combustíveis no estado do Rio. Cada nova ocorrência reacende questionamentos sobre o grau de fiscalização, a manutenção efetiva dos equipamentos e a transparência dos protocolos de emergência.

Segurança, abastecimento e investigações em curso

A Vibra garante que, mesmo com o acidente, não há risco de desabastecimento na região. Em comunicado, a empresa informa ter acionado rotas alternativas e deslocado o polo de suprimento para bases em Duque de Caxias (RJ) e São José dos Campos (SP). A manobra logística busca evitar falta de combustível em postos atendidos por Volta Redonda e reduzir o impacto econômico imediato sobre distribuidores e transportadoras.

O episódio, porém, reabre um debate antigo sobre segurança em operações com combustíveis, em especial em cidades marcadas por forte presença industrial, como Volta Redonda. A combinação de terceirização intensiva, atividades de alto risco e presença de moradores no entorno costuma expor brechas de fiscalização e falhas de prevenção. A prefeitura afirma que “as investigações sobre as causas do acidente seguem sob responsabilidade dos órgãos competentes, com acompanhamento do governo municipal”.

Peritos da Polícia Civil e equipes técnicas da Defesa Civil devem analisar a estrutura do tanque, os registros de manutenção e os procedimentos adotados na madrugada da explosão. A Vibra diz que uma equipe interna já trabalha para entender as causas e declara estar à disposição das autoridades. “A companhia está atuando e se solidariza com as vítimas e suas famílias, e acompanha a prestação de apoio da empresa terceirizada”, afirma a nota.

As mortes dos dois trabalhadores se somam a um histórico recente de explosões e incêndios em instalações de armazenamento e processamento de combustíveis e grãos no país, muitos deles durante paradas de manutenção. Cada caso expõe a fragilidade de rotinas que lidam com produtos altamente inflamáveis e aponta para a necessidade de revisão de protocolos, desde o planejamento dos serviços até o treinamento de equipes e a fiscalização cotidiana.

O clima em Volta Redonda, nesta segunda-feira, é de luto e cobrança. As famílias esperam respostas objetivas sobre o que acontece dentro do tanque naquela madrugada. A cidade, acostumada a conviver com grandes estruturas industriais, volta a se perguntar qual é o limite aceitável de risco para quem trabalha e para quem mora ao lado dessas operações. As perícias e inquéritos que começam agora terão de responder não só como a explosão ocorre, mas o que precisa mudar para que tragédias como esta não voltem a se repetir.

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