Torcida do Santos reclama de ingressos caros para jogo na Neo Química
Torcedores do Santos usam as redes sociais neste domingo para reclamar dos preços dos ingressos para o jogo contra o Red Bull Bragantino, na Neo Química Arena, em São Paulo. As críticas se concentram na sensação de que os valores afastam o público santista em uma partida tratada como importante na temporada.
Ingressos viram novo foco de tensão com a torcida
A discussão começa cedo, horas antes da bola rolar em Itaquera. Em perfis dedicados ao dia a dia do Santos, torcedores apontam ingressos acima de R$ 100 para setores populares e reclamam de opções mais baratas esgotadas rapidamente. O jogo, que acontece fora da Vila Belmiro, amplia a sensação de distância entre o clube e quem tenta acompanhar o time com orçamento apertado.
Em comentários, muitos santistas descrevem o mesmo cenário: salário que não acompanha o aumento dos preços, custo com deslocamento até a zona leste da capital e a percepção de que, somados, os gastos inviabilizam a ida em família. “Ingresso a mais de R$ 120 para ficar longe do campo, mais transporte e comida, não dá para levar dois filhos”, reclama um torcedor em uma das publicações mais compartilhadas no X, antigo Twitter.
Preço alto esvazia arquibancada e muda o clima da partida
A expectativa de casa cheia começa a dar lugar ao temor de arquibancadas com muitos claros no setor visitante. A Neo Química Arena tem capacidade superior a 49 mil pessoas, mas a presença santista depende diretamente do bolso do torcedor, que também convive com inflação em itens básicos e perda de renda nos últimos anos. Em ano de calendário apertado, com viagens constantes e jogos decisivos, cada escolha pesa.
Nas redes, o recado é direto: o torcedor se sente colocado à margem em nome da arrecadação. A crítica supera a discussão de um único jogo e atinge a política de preços para partidas fora da Vila. “Quando o Santos mais precisa da torcida, o ingresso vira luxo”, escreve outro santista, que afirma gastar cerca de R$ 200 entre bilhete, metrô, alimentação e pequenos gastos em um domingo de jogo. Para quem recebe um salário mínimo de R$ 1.412, em vigor desde 1º de janeiro, o valor representa quase 15% da renda mensal.
Clubes pressionados entre receita e acesso popular
A reação da torcida escancara um impasse antigo. De um lado, clubes e organizadores buscam elevar a receita com bilheteria, diante de folhas salariais que ultrapassam dezenas de milhões de reais por mês. De outro, esbarram em um público disposto a consumir o produto futebol, mas limitado por orçamento restrito e pelo aumento de custos com transporte, alimentação e serviços. O resultado aparece em arquibancadas menos cheias, ambiente mais frio e menor impacto do mando de campo.
A crítica santista também atinge a forma como jogos em estádios alternativos são planejados. Cada mudança de praça esportiva exige deslocamento maior e, quase sempre, ingresso mais caro. Para muitos, a combinação afasta o torcedor mais fiel e abre espaço para um público eventual, menos identificado com o clube. A percepção se repete nos comentários: a conta fecha melhor para quem assiste pela televisão ou pelo celular do que para quem tenta empurrar o time de perto.
Pressão por revisão de preços e novos modelos
O descontentamento não fica restrito ao jogo deste domingo. Torcedores articulam campanhas por ingressos mais acessíveis em partidas longe da Vila Belmiro e cobram diálogo transparente sobre critérios de precificação. A pressão tende a recair sobre a direção santista, o clube mandante e as entidades que organizam a competição, que precisam equilibrar contrato de televisão, programas de sócio-torcedor e venda de bilhetes avulsos.
A continuidade desse clima de insatisfação abre espaço para mudanças graduais, como setores populares com preços fixados abaixo de R$ 50, descontos progressivos para quem comprova presença em jogos anteriores e acordos específicos para partidas em estádios emprestados. A reação nas redes mostra que a discussão não se limita a um placar em campo: o que está em jogo é quem consegue, de fato, atravessar a catraca. A resposta dos clubes e das entidades nas próximas rodadas indicará se a arquibancada seguirá esvaziada ou voltará a ser parte central do espetáculo.
