Torcida do Santos pressiona por Miguelito titular contra o Bragantino
A torcida do Santos pressiona Juan Vojvoda por Miguelito titular neste domingo (25), na Vila Belmiro, contra o líder Red Bull Bragantino. O pedido público expõe dúvidas sobre as escolhas do treinador e o desempenho dos reforços mais badalados.
Pressão nas redes e desconfiança na escalação
A mobilização começa a ganhar corpo desde o empate por 1 a 1 com o Corinthians, na rodada passada, em Santos. Depois de 90 minutos intensos, elogios ao jovem boliviano se misturam a críticas diretas às opções do técnico argentino. As manifestações se espalham por redes sociais e caixas de comentários em páginas do clube e de esportes.
Miguel Terceros, o Miguelito, entra apenas na reta final do segundo tempo nos últimos três jogos do Peixe. Em cada participação, mostra personalidade, pede a bola, arrisca dribles e acelera o jogo pelos lados do campo. O contraste com parte do setor ofensivo titular, ainda travado, alimenta a sensação de que o meia-atacante merece mais do que alguns minutos finais.
Nas publicações, a cobrança se repete. Torcedores pedem “Miguelito no 11 inicial” e questionam por que o garoto continua atrás na fila, mesmo com sequência positiva saindo do banco. A contestação mira principalmente a concorrência direta: Benjamín Rollheiser, maior contratação da história santista, além de Thaciano, Lautaro Díaz e Robinho Júnior.
Rollheiser chega com status de protagonista, contratado para fazer a diferença em jogos grandes. A realidade, até aqui, é menos brilhante. O argentino ainda não engrena e alterna bons momentos com atuações discretas. A diferença de investimento entre ele e Miguelito, formado na base, reforça o debate sobre meritocracia dentro do elenco.
Miguelito ganha espaço, veteranos perdem fôlego
Contratado ainda para a base, Miguelito assina o primeiro vínculo profissional com o Santos em 2022, mas convive com a espera. Em 2024, quando a torcida pede mais espaço para o ponta, Fábio Carille resiste em utilizá-lo com frequência, o que gera cobrança pública e frustração interna. O clube decide emprestá-lo ao América-MG para dar minutos e reduzir a pressão.
O retorno à Vila Belmiro acontece no ano passado, depois de temporada em Belo Horizonte que ajuda na maturação do jogador. A falta de ritmo some aos poucos, substituída por arrancadas e decisões rápidas em espaços curtos. Cada entrada recente nas partidas do Paulistão, já em 2026, cria o que dirigentes e técnicos costumam chamar de “dor de cabeça boa”.
Vojvoda, conhecido por rodar o elenco e exigir intensidade alta, indica que pode preservar alguns nomes diante do Red Bull Bragantino. O líder do campeonato soma 10 pontos em quatro jogos sob o comando de Vagner Mancini e chega embalado à Baixada. O Santos, com quatro rodadas disputadas, ainda busca uma formação estável e um padrão ofensivo confiável.
A pressão pela titularidade de Miguelito também expõe a desconfiança com a estratégia de mercado do clube. Os reforços ofensivos, em tese à frente do boliviano, ainda não justificam o investimento nem o espaço no time. Torcedores questionam a distância entre o discurso de valorização da base e a prática nas escalações decisivas.
Entre um comentário e outro, surgem frases que resumem o clima nas arquibancadas virtuais: “Se é para correr e decidir, coloca o moleque”, escreve um torcedor em uma rede social. Outro mira o argentino na beira do campo: “Vojvoda, escuta a torcida uma vez”. O técnico não responde publicamente, mas acompanha a movimentação enquanto define o time.
Impacto no elenco e no projeto esportivo
A escolha para domingo não vale apenas três pontos na tabela. A decisão sobre Miguelito simboliza o rumo de um projeto esportivo em ano de reconstrução. Se o camisa jovem ganha vaga entre os titulares, Vojvoda envia um recado claro ao grupo: desempenho recente pesa mais do que currículo ou valor de mercado.
Para os reforços, a eventual perda de espaço acende um alerta. Jogadores como Rollheiser, Thaciano, Lautaro Díaz e Robinho Júnior podem ver a concorrência interna aumentar e a tolerância com atuações irregulares diminuir. O vestiário sente quando a hierarquia muda, e o desafio do treinador passa a ser equilibrar meritocracia com gestão de grupo.
A diretoria também entra no jogo. A pressão por Miguelito recoloca a formação de atletas em destaque, tema sensível em um clube historicamente identificado com a base. Gerações recentes cobram coerência com o passado que revelou nomes como Neymar, Rodrygo e tantos outros. Cada minuto de um prata da casa no banco alimenta comparações e críticas a quem define os rumos do futebol profissional.
Dentro de campo, a presença do boliviano entre os 11 pode alterar a forma como o Santos ataca. Miguelito oferece drible em curto espaço, passe vertical e mobilidade entre linhas, elementos que faltam em alguns momentos da equipe. Contra um Bragantino que pressiona alto e marca em bloco, ter um jogador capaz de quebrar linhas no mano a mano pode ser decisivo.
A partida também é um termômetro emocional. A Vila Belmiro volta a receber o time dias depois de um duelo desgastante diante do Corinthians. Se o Santos repete a atuação irregular do clássico e deixa escapar pontos em casa, a insatisfação tende a aumentar. Com Miguelito titular e bem, a narrativa muda: a base ressurge como esperança rápida em meio à desconfiança.
Próximos passos e o teste de autoridade para Vojvoda
A decisão de Vojvoda sobre a escalação deste domingo funciona como um primeiro grande teste de autoridade desde o início da temporada. Se cede à pressão e mantém convicção tática, precisa mostrar em campo que a escolha é técnica, não apenas resposta ao clamor popular. Se resiste e preserva a estrutura atual, terá de lidar com a cobrança multiplicada em caso de tropeço.
O jogo contra o Bragantino pode antecipar debates que costumam surgir apenas em fases agudas do campeonato. A forma como o Santos lida com seus jovens, equilibra investimentos em reforços e responde à torcida indica o tipo de temporada que o clube pretende construir em 2026. Miguelito, até pouco tempo atrás peça secundária, entra em campo como personagem central de uma discussão maior: quem comanda o projeto, o planejamento esportivo ou o grito das arquibancadas.
