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Torcida do Cruzeiro volta à Arena MRV com danos mínimos no clássico

A torcida do Cruzeiro volta ao setor visitante da Arena MRV neste domingo (25), no clássico pelo Mineiro, após mais de dois anos de ausência. Cerca de 2.500 cruzeirenses acompanham a derrota por 2 a 1 para o Atlético em um jogo que testa, na prática, a retomada da presença visitante nos clássicos em Belo Horizonte.

Retorno em clima de observação

O reencontro entre cruzeirenses e a casa atleticana ocorre sob olhar atento de dirigentes, autoridades de segurança e gestores da Arena MRV. O primeiro clássico com torcidas divididas, ainda em 2023, deixa um histórico de danos significativos ao estádio e abre uma crise na relação entre os clubes, que passam mais de dois anos sem visitante em jogos de mando do Atlético.

Desta vez o cenário é distinto. O setor destinado à torcida celeste é ocupado do início ao fim, com bandeiras, cânticos constantes e cobrança sobre a equipe azul, que vive momento de pressão no Campeonato Mineiro. O Cruzeiro chega ao clássico ainda tentando se afirmar na temporada, enquanto o Atlético, mais estável, confirma o favoritismo em campo e vence por 2 a 1, em jogo que também amplia a marca de gols de Hulk, agora isolado como oitavo maior artilheiro da história alvinegra.

Danos mínimos e recado para os próximos clássicos

Encerrada a partida e esvaziado o setor, a reportagem percorre as arquibancadas e banheiros destinados aos cruzeirenses. As cenas contrastam com o passado recente. Há alguns itens quebrados em banheiros e cadeiras levemente danificadas, mas nada que se aproxime dos estragos anteriores. As torneiras, antes alvo frequente, permanecem intactas. A administração atleticana promete para esta segunda-feira (26) um balanço detalhado dos prejuízos e dos custos de reparo.

O registro de danos mínimos reforça a avaliação de que o clássico serve como teste de segurança e comportamento. Mesmo com a derrota em campo, a presença de cerca de 2.500 torcedores visitantes se converte em argumento a favor da manutenção do modelo com duas torcidas. Nos bastidores, dirigentes de ambos os clubes monitoram a repercussão nas redes sociais, onde vídeos do setor visitante circulam com comentários que vão do alívio à desconfiança. Para especialistas em gestão de estádios, a noite marca um ponto de inflexão na política de torcida única que vinha se consolidando em Minas Gerais.

Impacto esportivo, político e comercial

O resultado dentro de campo pesa para o Cruzeiro, que deixa a Arena MRV com mais uma derrota e a pressão ampliada antes da estreia no Brasileirão. A agenda azul prevê maratona de jogos nas próximas semanas e a diretoria tenta blindar o elenco, enquanto lida com a insatisfação de parte da torcida, vocal nas arquibancadas e nas redes. “A cobrança é natural, mas clássico também mostra que podemos competir em alto nível”, afirma o meia Matheus Pereira, ao comentar a situação do time no Mineiro.

Para o Atlético, a noite combina vitória esportiva e aprovação operacional. O clube testa mais uma vez os protocolos de revista, separação de acessos, bloqueios internos e monitoramento por câmeras de alta resolução. A Arena MRV, inaugurada em 2023 como ativo estratégico do Galo, depende de um ambiente controlado para seguir recebendo grandes eventos e explorando o potencial comercial de clássicos com duas torcidas. Cada jogo desse porte movimenta bilheteria, camarotes, bares, estacionamento e contratos de patrocínio atrelados à visibilidade do confronto.

Segurança em debate e o que vem pela frente

A experiência deste domingo entra no radar das forças de segurança de Minas e da Federação Mineira de Futebol, interessadas em reduzir o risco de confrontos e depredação sem abrir mão do apelo esportivo do clássico. Delegados, comandantes da Polícia Militar e gestores do Ministério Público costumam usar relatórios operacionais como base para futuras recomendações sobre presença de visitantes, divisão de cargas de ingressos e horários de partida.

Com a contabilização oficial dos danos prometida para esta segunda-feira, Atlético e Cruzeiro terão números concretos para discutir os próximos jogos. A tendência, se o balanço confirmar prejuízo baixo e ausência de incidentes graves, é que o modelo de duas torcidas ganhe fôlego e sirva de referência para outros estádios do país que ainda restringem visitantes. A pergunta que permanece, no entanto, é se a convivência pacífica vista neste clássico se manterá em partidas decisivas, com maior carga emocional e valendo títulos. A resposta, mais do que o placar de ontem, pode definir o futuro dos grandes jogos em Minas.

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