Todd Howard diz que Fallout 5 ainda está distante, mas segue nos planos
Todd Howard admite em 2026 que Fallout 5 ainda está longe de chegar às lojas, mas garante que a franquia segue em desenvolvimento na Bethesda e não foi deixada de lado.
Ansiedade após série da Amazon e hiato longo
O recado vem em meio a uma onda renovada de interesse em Fallout. A adaptação da Amazon Prime Video, lançada em 2024, impulsiona a base de jogadores antigos e novatos e recoloca a franquia no centro das conversas. Em entrevista a uma mídia especializada, o diretor e produtor executivo da Bethesda reconhece o clima entre os fãs, marcado por expectativa e frustração com os longos intervalos entre lançamentos principais.
Howard não ignora o incômodo. “Nós entendemos que existe uma certa ansiedade sobre quando Fallout 5 chegará”, afirma. Desde Fallout 4, lançado em 2015, a série principal não ganha um novo capítulo numerado. Nesse meio-tempo, a Bethesda lança Fallout 76, em 2018, aposta no universo online e encara uma recepção inicial turbulenta. Em 2023, o estúdio volta os holofotes para Starfield, seu grande RPG espacial, deixando a impressão de que a Terra devastada por radiação ficaria por um longo inverno nuclear criativo.
Prioridade em The Elder Scrolls 6 e prazos elásticos
O futuro imediato do estúdio passa por outra marca icônica. O próximo grande projeto da Bethesda é The Elder Scrolls 6, anunciado em 2018 e, até hoje, sem previsão oficial de lançamento. A decisão cria um cenário claro para o público: antes de qualquer passo concreto em Fallout 5, o estúdio precisa concluir a nova etapa da saga de fantasia medieval que começou em 1994 e ganhou escala global com Skyrim, em 2011.
Howard admite que o calendário interno é longo. “A Bethesda costuma trabalhar com cronogramas extensos entre seus grandes lançamentos”, reconhece, ao comentar o ritmo da casa. Ao mesmo tempo, tenta acalmar os temores de abandono. “Nunca paramos de desenvolver Fallout. A franquia é extremamente importante para nós”, diz. A frase funciona como um freio na especulação de que o estúdio estaria disposto a transformar a marca em algo secundário diante de novos projetos.
O tom ganha contornos de humor quando ele mede a distância até o próximo jogo com uma imagem improvável. “A boa notícia é que está logo ali na esquina. A má notícia é que essa esquina fica na lua”, brinca. A metáfora resume a mensagem: Fallout 5 existe nos planos, mas a caminhada até o lançamento provavelmente se mede em anos, não em meses. O histórico da Bethesda corrobora essa leitura. Entre The Elder Scrolls IV: Oblivion (2006) e Skyrim (2011), o intervalo é de cinco anos. Entre Fallout 3 (2008) e Fallout 4 (2015), o salto é ainda maior, de sete anos.
Impacto em fãs, mercado e jogos anteriores
A fala de Howard mira um equilíbrio delicado. De um lado, a comunidade gamer mais engajada cobra prazos concretos e teme que o momento pós-série seja desperdiçado. Do outro, a Bethesda tenta evitar promessas que não possa cumprir, depois de ver a pressão em torno de Starfield e, antes, de Fallout 76. Ao reforçar a necessidade de paciência, o executivo tenta controlar expectativas e afastar a possibilidade de novas frustrações em um mercado onde atrasos se tornam alvos constantes de crítica.
O sucesso da adaptação da Amazon cria uma combinação rara. A série alcança milhões de assinantes em dezenas de países, faz Fallout 4 voltar ao topo das paradas de vendas em lojas digitais e puxa o crescimento de Fallout 76, que registra picos de jogadores ativos em plataformas como Steam e Xbox. A Bethesda não divulga números exatos, mas dados de serviços públicos de monitoramento apontam para saltos de até três dígitos na base ativa logo após a estreia da produção. Esse efeito de cauda longa reduz a urgência comercial por um Fallout 5 imediato e dá fôlego para o estúdio alongar o desenvolvimento.
Jogadores veteranos colhem ganhos diretos desse momento. Atualizações, eventos sazonais e correções em títulos antigos ganham nova relevância, já que funcionam como porta de entrada para quem descobre a franquia pela série de TV. Lojas físicas e digitais aproveitam o fluxo: versões completas de Fallout 4, com todas as expansões, aparecem em promoções agressivas, com cortes de preço que chegam a mais de 70% em certos períodos. O universo pós-apocalíptico, criado em 1997 pela Interplay e reformulado pela Bethesda em 2008, se mantém vivo sem um jogo novo na prateleira.
O que esperar do futuro de Fallout
A fala de Howard não traz datas nem janelas de lançamento, mas reorganiza o tabuleiro. Nos fóruns, a expectativa se desloca da pergunta “Fallout 5 existe?” para “quando o ciclo de The Elder Scrolls 6 permitirá que ele avance?”. A resposta, por ora, depende menos da pressão dos fãs e mais da capacidade da Bethesda em administrar equipes, prazos e a convivência de múltiplas grandes franquias sob o mesmo teto, agora também sob a estrutura da Microsoft.
A estratégia parece apostar em um caminho de longo prazo, em que Fallout se consolida como marca multimídia, dividida entre séries, jogos antigos em alta e um futuro capítulo principal ainda distante. O estúdio tenta ganhar tempo sem romper o vínculo com sua base histórica, que acompanha a franquia há quase três décadas. No horizonte, permanece a mesma dúvida que move discussões em redes sociais e grupos de jogadores: quando a esquina na lua, descrita por Todd Howard, finalmente entra na rota de chegada dos fãs.
