Thiago Almada decide ficar no Atlético de Madrid e esfria sonho do Palmeiras
Thiago Almada confirma que permanece no Atlético de Madrid e encerra, ao menos por agora, a possibilidade de atuar pelo Palmeiras. A decisão é anunciada nesta sexta-feira (23), em entrevista na Argentina, e expõe o peso do fator financeiro nas negociações entre clubes brasileiros e europeus.
Entrevista encerra novela e expõe entrave financeiro
O meio-campista argentino, de 24 anos, coloca um ponto final na sequência de rumores que o cercam desde o início da janela. Em conversa com o programa “Afa Estudio”, ele reafirma o desejo de seguir em Madri e mostra pouco espaço para dúvidas. “Tivemos muitos rumores, mas a verdade é que estava tranquilo, fazendo meu trabalho no clube e tratando de mostrar ao técnico que quero estar. Está claro que vou seguir no Atlético”, afirma.
A fala confirma o que, nos bastidores, dirigentes e empresários já admitem: a operação com o Palmeiras nasce quase inviável. O Atlético de Madrid pede 20 milhões de euros, cerca de R$ 124,7 milhões, por apenas 50% dos direitos econômicos do jogador. O valor, alto mesmo no mercado europeu, torna a negociação pesada para qualquer clube brasileiro, inclusive para um Palmeiras financeiramente sólido e disposto a investir em um nome de impacto.
Palmeiras esbarra no teto e vê alvo seguir na Europa
No início de janeiro, o Palmeiras abre conversas com o estafe de Almada para testar a possibilidade de um acordo. A diretoria avalia o argentino como reforço capaz de elevar o nível do elenco imediatamente, em um ano de Libertadores, Brasileirão e Mundial de Clubes no horizonte. As conversas avançam pouco. Mesmo antes de qualquer oferta formal, o custo total da operação, somado a salários e comissões, é considerado alto demais para os padrões do futebol brasileiro.
Na Espanha, a imprensa local afirma que o Atlético está disposto a ouvir propostas para fazer caixa e abrir espaço para novos reforços. O clube, porém, não flexibiliza a pedida. Com contrato até junho de 2030, Almada não força saída, mantém discurso de permanência e reforça o poder de barganha dos espanhóis. O resultado é um cenário em que o Palmeiras precisa recuar, sob risco de romper seu próprio teto de investimento e gerar efeito cascata em futuras negociações salariais.
Da vitrine no Brasil ao status de aposta de longo prazo
Almada chega à atual posição no mercado apoiado em uma trajetória acelerada. No segundo semestre de 2024, vive passagem breve, mas marcante, pelo Botafogo. Como titular, integra o elenco campeão do Brasileirão e da Libertadores, em um dos projetos mais ambiciosos do país, sob o guarda-chuva da Eagle Football, de John Textor. O desempenho o coloca entre os jogadores mais comentados do continente.
Antes disso, o argentino já se destaca no Atlanta United, nos Estados Unidos, e vira referência técnica da equipe. A conexão entre Atlético, Lyon e Botafogo, todos com ligações à Eagle Football, facilita o caminho. Almada é emprestado ao Lyon no início de 2025, sem custo de transferência, até meados do ano. Na sequência, desembarca em Madri para se firmar na Europa, agora com a camisa do Atlético e a responsabilidade de justificar o investimento e o contrato longo.
Impacto imediato para o Palmeiras e sinal ao mercado
A decisão de Almada não altera apenas a rota de um jogador em ascensão. O movimento redefine parte da estratégia do Palmeiras para a temporada. O clube perde a chance de contar com um meia de perfil raro, capaz de atuar entre linhas, criar passes decisivos e ainda finalizar de média distância, características valorizadas em jogos de mata-mata. A busca por um nome de peso no meio-campo volta à estaca zero, com menos tempo e menos opções disponíveis neste momento da janela.
No mercado, a negociação frustrada reforça um recado conhecido, mas muitas vezes ignorado: a distância financeira entre Brasil e Europa aumenta. Pagar 20 milhões de euros por metade dos direitos de um atleta significa aceitar, desde o início, que qualquer revenda futura depende de novo aporte milionário. Para dirigentes brasileiros, o recado é claro. Sem criatividade na montagem de elencos e sem prospecção antecipada, competir por jogadores consolidados na Europa se torna quase impossível.
Atlético ganha fôlego e Almada mira estabilidade
O Atlético de Madrid comemora a permanência de um jogador em plena curva de crescimento. Almada oferece ao técnico mais uma alternativa criativa em um elenco que busca retomar protagonismo na Champions League. O argentino aparece como peça versátil, capaz de atuar como armador central ou aberto, ajudando a reduzir a dependência de nomes mais veteranos do elenco.
Para o jogador, a escolha também é um recado sobre prioridades. Ao manter o contrato até 2030 e recusar retorno precoce ao Brasil, ele aposta em estabilidade e tempo de adaptação no futebol espanhol. A opção pelo Atlético adia o sonho de torcedores palmeirenses, mas mantém aberta a porta para uma possível volta ao país em outra janela, em um cenário econômico talvez mais favorável. Até lá, a pergunta permanece: até onde clubes brasileiros estarão dispostos — e conseguirão — ir para disputar, de fato, jogadores com o mercado europeu?
